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18.12.07 - Entrevista: Ruídos do mundo moderno aumentam índices de surdez

Por: APM
Fotos: APM

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 10% da população mundial tenha algum tipo de deficiência auditiva. Dados do IBGE, em 2000, mostram que no Brasil quase 6 milhões das pessoas se declaram portadoras de deficiência auditiva.

"O número de cidadãos com problemas auditivos é ainda maior do que os oficiais. Boa parte não é registrada nem diagnosticada. A OMS considera que a perda auditiva em decorrência da exposição ao ruído é a segunda causa de surdez no mundo. Estamos produzindo surdos em massa e o futuro nos mostrará isso", alerta a dra. Mara Edwirges Rocha Gândara, membro do Departamento de Otorrinolaringologia da Associação Paulista de Medicina (APM).

De todas as causas da surdez, a mais ligada ao mundo moderno é o excesso de ruído provocado por produtos tecnológicos. Atinge principalmente quem é exposto constantemente a elevado volume sonoro. Esta exposição a sons ou barulhos acima dos limites de tolerância pode lesar a orelha interna - as células da cóclea - e causar uma surdez irreversível.

"A deficiência auditiva causada por ruído é doença prevenível, e não há legislação bem definida para defender os trabalhadores. Apenas nos grandes centros existe um bom controle nesse sentido. Com isso, o número de pessoas com problema de surdez por ruído cresce cada vez mais", pondera dra. Mara.

Claro que o ruído não está presente somente no ambiente de trabalho. Donas de casa, músicos, usuários de fones de ouvido estão vulneráveis. Há outras situações de lazer favoráveis a desencadear a surdez. Exemplo é o caso do cantor Rogério Flausino, vocalista da banda Jota Quest que perdeu 30% da audição do ouvido direito pelo uso do earfone - fone para ouvir o que o público está recebendo como som, o chamado retorno.

Entendendo a surdez

A perda de audição pode ser temporária ou definitiva, dependendo do local de comprometimento da orelha. Para entender melhor, a orelha é dividida em três partes: orelhas externa, média e interna ou labirinto ósseo. Cada uma é responsável pela proteção dos ouvidos, com funções diferentes.

Em geral, as doenças da orelha externa e média são reversíveis por meio de tratamento medicamentoso ou cirúrgico. As patologias da orelha interna em geral são irreversíveis. Para elas, o único recurso disponível é o uso de um aparelho de amplificação sonora individual - prótese auditiva externa - ou um implante coclear, com cirurgia para colocação de uma prótese interna.

Existem várias causas de surdez, a hereditariedade, a rubéola materna durante a gravidez - o risco de surdez na criança é de 14% -, o parto pré-maturo e traumas do parto, infecções bacterianas nas otites médias e meningites, traumatismo crânio-encefálico, alta radiação, surdez por ruído e envelhecimento natural da orelha - a chamada presbiacusia, entre outras. Fica evidente, então, que a surdez pode acontecer em qualquer faixa etária, desde antes do nascimento, passando pela fase adulta, até a idade mais avançada.

É bom estar sempre atento aos sintomas: dificuldade de entender, zumbidos, intolerância a sons intensos, sensação de ouvido tapado, cansaço ou estresse ao tentar ouvir melhor.

A avaliação auditiva consiste em uma consulta com o otorrinolaringologista e exames como audiometria, que mostra o nível da audição. Dependendo do tipo de perda, podem ser necessários outros métodos, como emissões otoacústica, que avalia a integridade das células da cóclea, e audiometria de tronco cerebral, que estuda a eletrofisiologia da audição, além de exames de sangue para detectar outras doenças, como distúrbios metabólicos, tomografia computadorizada ou ressonância magnética para verificar eventuais tumores. "Quanto mais cedo se faz o diagnóstico da perda auditiva, melhor o prognóstico para a sua reparação", adverte a dra. Mara.

Conheça um pouco dos ruídos

O efeito do ruído sobre a orelha é cumulativo. Dependendo do volume e do tempo de exposição, pode haver lesão irreversível na orelha interna. De acordo com a dra. Mara, é imprescindível evitar os sons muito alto. A exposição acima de 85 decibéis (dB) durante 8 horas por dia está dentro do limite de tolerância. Confira abaixo alguns volumes mais conhecidos:

Voz Humana            50 - 60 dB
Escritórios               60 - 65 dB
Ruas                      70 - 80 dB
Aspirador de Pó        90 dB
Discoteca               100 dB
Conjunto de Rock     110 dB
Buzinas de Carro      110 dB
Motocicleta             120 dB
Decolagem de Avião  150 dB
Tiro de Revolver       150 dB

"Com as novas tecnologias, como MP3, MP4 e rádio acoplado ao celular, estamos produzindo surdos. O futuro comprovará".

18/12/2007

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