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14.06.13 - Alunos do país farão o Revalida

Por: Correio Braziliense - Economia

A intenção do governo de incluir estudantes brasileiros no sistema de validação de diplomas de medicina expedidos no exterior — o Revalida — deve ser posta em prática em agosto, quando será aplicada a edição 2013 do exame. A intenção é calibrar o teste e ampliar o número de participantes para que seja traçado um raio X do desempenho dos alunos brasileiros, com o objetivo de compará-lo às taxas de aprovação dos graduados no exterior. A proposta foi aplicada este ano de forma experimental em uma turma do 6º ano de medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). De acordo com o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto d"Ávila, o resultado foi bastante positivo, com mais de 70% dos alunos aprovados na primeira etapa do programa, que avalia conhecimentos em clínica médica.

Na última quarta-feira, em audiência na Câmara dos Deputados, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que, desde que o Revalida passou a ser aplicado, há dois anos, o número de revalidações de diplomas médicos caiu consideravelmente: de 668, em 2004, para apenas 121, em 2011. Diante dos dados, o ministro admitiu que o Revalida deve ser "aprimorado". Já entidades médicas são fortes defensoras do exame no formato atual, por considerá-lo justo.

"Tenho certeza de que o exame é bem-feito, participam da comissão (que elabora o teste) representantes dos ministérios das Relações Exteriores, da Saúde e da Educação, além de procuradores da República. Ninguém faria algo para evitar que os "estrangeiros" passem", comentou d"Ávila. Para ele, dizer que o exame é muito difícil ou, simplesmente, desqualificá-lo não é correto. "Nossos alunos estão mostrando isso", completa.

A discussão ocorre em um momento em que o governo estuda formas de atrair médicos estrangeiros para trabalhar nas cidades mais pobres do interior do Brasil. A justificativa é que faltam médicos para atender essa população. De acordo com o Ministério da Saúde, há no país menos de dois médicos para cada grupo de mil habitantes. Representantes do governo já discutem modelos de convênios com os governos da Espanha e de Portugal, países considerados prioritários para implementar esse tipo de intercâmbio.

O representante da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Paulo Márcio de Faria e Silva, diz que há uma intenção real do governo de colocar estudantes brasileiros para fazer o Revalida. "Mas não sei ainda como seria a participação deles, se os alunos seriam obrigados a fazer (o teste) ou voluntários", diz. O Correio procurou o Ministério da Educação para ter mais detalhes da proposta, mas, até o fechamento desta edição, não obteve resposta à solicitação.

Fator Bolívia
O índice de aprovação na prova do Revalida tem girado em torno de 10%. Apesar do alto índice de reprovação, Faria e Silva também é da opinião de que o exame é justo e que é preciso observar os motivos do insucesso no teste. "A alta reprovação pode parecer significativa, mas 50% das reprovações são de pessoas que estudam na Bolívia", informou. De acordo com dados apresentados pelo MEC no último Fórum de Ensino Médico, organizado pelo CFM, 536 pessoas se inscreveram na primeira edição do Revalida. A maioria, 297, estudantes brasileiros. Logo em seguida vinham os bolivianos, com 101 inscrições. Mais da metade dos participantes, 234, havia obtido o diploma médico no país andino, mas, desse total, apenas 14 passaram.

"Tenho certeza de que o exame é bem-feito, ninguém faria algo para evitar que os estrangeiros passem" Roberto d"Ávila, presidente do Conselho Federal de Medicina

AMB processa Padilha
A Associação Médica Brasileira (AMB) entrou na quinta-feira com uma ação de responsabilidade por ato de improbidade administrativa no Ministério Público Federal contra o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A entidade médica acionou a Justiça, porque a pasta não usou R$ 17 bilhões do Orçamento, que estavam autorizados entre 2011 e 2012. "Com esse dinheiro, seria possível fazer 38 mil cirurgias de hérnia, construir 68 mil postos de saúde ou contratar 627 mil médicos por 40 horas semanais, pagando R$ 20,8 mil já com os encargos", explicou Florentino Cardoso, presidente da AMB.

Diplomas aprovados
Número de médicos formados no exterior que obtiveram registro profissional pelo CFM. (inclui Revalida e reconhecimento da graduação por universidades brasileiras)

2004 – 668
2005 – 724
2006 – 340
2007 – 548
2008 – 371
2009 – 387
2010 – 402
2011 – 238
2012 – 121
Fonte: Ministério da Saúde

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