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 Pinacoteca

Aldir Mendes de Souza
Paisagem verde
ALDIR MENDES DE SOUZA
1998, óleo sobre tela,
80 x 120 cm, c.i.e.

Por Guido Arturo Palomba


Os quadros de Aldir precisam ser vistos de perto e à distância, no conjunto e no detalhe, porque é, ao mesmo tempo, uma composição ordenadíssima do concreto, decomposto pela geometria. Como assim, composição-decomposição, perguntará o leitor? Sim, Aldir decompõe o todo em pequenos espaços geométricos, a partir do retângulo, que se vão intercalando um a um e formando, em miríades de combinações cromáticas, ora figurações campesinas e urbanas, ora composições abstratas, tudo com rica sensibilidade artística, senso-perceptiva por um lado, e, por outro, absolutamente racional, considerando a fantástica geometrização inteligente.

Se pudéssemos, em uma palavra, ressaltar que a obra de Aldir tem de excepcional diríamos: a cor, que o coloca, sem dúvida, entre os melhores coloristas do Brasil, de todos os tempos. Interessante notar que quando se lhe perguntam como chegou a esse cromatismo requintado, o artista responde: "Não acredito que alguém seja colorista nato: aprendemos pintando", e então se entende que por trás de tudo tem uma refinada técnica, que vem sendo depurada há quarenta anos, quando, nos anos 60, no início, Aldir começara a pincelar as primeiras telas.

Sua obra é frequentemente comparada, para fins didáticos, às obras de Alfredo Volpi e Arcângelo Ianelli. O consagrado crítico de artes, Alberto Beuttenmüller, mostra em seu livro "Os três Coloristas: Volpi, Ianelli, Aldir" (1989), que os traços comuns entre eles iniciaram-se pelo figurativo, em busca de imagens-ícones, signos que irão fixara linguagem das cores: "Volpi, Ianelli e Aldir - diz o crítico - cumpriram caminhos, que se entrecruzaram, ora pelo cromatismo, ora pela geometria, que lhes dá suporte para a cor".A escritora e crítica de artes Elza Van Stein, na obra "Poetas do Espaço e da Cor" (1997) diz: "Ianelli, Volpi e Aldir perceberam, em épocas diferentes, que o problema central da pintura é a cor".

O italiano Mario Trufelli, crítico de arte, na obra "Aldir, Geometrie Parlanti" (1991) diz com propriedade: "Aldir, esasperata festa di colori, fanno chiara L´intenzione dell´artista, che è quella di creare un rapporto tra sé e gli altri com opere che diventano grandi segnali di libertà, della fantasia, nell´elegante rigore del disegno". E talvez quem melhor possa ter expressado a beleza cromática da obra de Aldir Mendes de Souza foi a empresária Ana Elizabeth Esteves, cujos reluzentes olhos azuis de precioso tom, ao olhar os quadros de Aldir exclamou: "É impressionante, eles coloriram os meus olhos por dentro".

Nesses quarenta anos de pintura o artista amealhou inúmeros prêmios importantes e participou de várias exposições individuais e coletivas, no Brasil e no exterior, com muito sucesso em todos os lugares (Estados Unidos, França, Portugal, Espanha, Itália, México, Cuba). Vale ressaltar que aqui no Brasil expôs na Bienal Internacional de São Paulo, nos anos de 1967, 1969, 1971, 1973, 1977.Finalmente, já estávamos até esquecendo (pois falar da pintura de Aldir é realmente absorvente), Aldir Mendes de Souza é um ilustre cirurgião plástico, de família de médicos, formou-se em 1964 na Escola Paulista de Medicina, fez residência em Cirurgia Plástica, na Pinheiros, doutorando-se em 1968, foi chefe da Cirurgia Plástica do Hospital Municipal dos Servidores Públicos, em cujo local lecionou para residentes, formando vários discípulos, hoje mestres da reparadora e da estética nacionais.

Em suma, é possível dizer que Aldir, já com o pincel, já com o bisturi, busca na forma o agradável, ou seja, o belo, na sua acepção mais alta, quase que indescritível: seria a impressão da unidade que faz sentir através da diversidade; ou a idéia abstrata formada pela atividade da inteligência depois que a razão foi impressionada pelo sentimento estético; ou seria apenas o resultado de uma combinação feliz? Os quadros de Aldir estimulam essas reflexões.

 

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