Proteção ainda é recomendada em aglomeração e no face a face

Apesar de locais abertos bem ventilados serem muito mais seguros, com pequeno risco de contaminação por Covid-19, algumas situações específicas merecem um pouco de atenção. São elas, basicamente: espaços com aglomeração e contatos prolongados próximos, face a face.

O que diz a mídia

Apesar de locais abertos bem ventilados serem muito mais seguros, com pequeno risco de contaminação por Covid-19, algumas situações específicas merecem um pouco de atenção. São elas, basicamente: espaços com aglomeração e contatos prolongados próximos, face a face.

A flexibilização de uso de máscaras em locais abertos, no momento, faz sentido, considerando que a situação pandêmica do Brasil, após recrudescimento no início de 2022, vem apresentando melhoras, afirmam especialistas.

Vitor Mori, físico pesquisador na Universidade de Vermont (EUA) e membro do Observatório Covid-19 BR, diz ser até surpreendente o Brasil ter demorado para liberar a máscara em ambientes abertos, algo que foi feito já há algum tempo em outros países.

Um risco menor ao ar livre não significa risco zero.

Raquel Stucchi, professora da Unicamp e consultora da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), relembra que, em ambientes abertos, sempre houve uma exigência menor quanto ao uso de máscara. É comum tanto na rua como em parques públicos ver inúmeras pessoas sem a proteção facial.

Mori aponta que interações próximas cara a cara (com as caras sem máscara) por longos períodos oferecem um risco maior mesmo ao ar livre. Dessa forma, esse tipo de contato merece um pouco mais de atenção.

O pesquisador diz que a flexibilização para ambientes abertos deve vir acompanhada de comunicação que incentive as pessoas a procurar, de fato, locais abertos para fazer atividades como as de lazer.

“Me parece uma oportunidade excelente para que haja uma boa comunicação incentivando as pessoas a ficar ao ar livre”, afirma o físico.

Quanto mais próximo alguém estiver e mais direta for a interação, maior será o risco. Quanto mais gente em volta, mais gente próxima a você, maior o risco. Quanto mais gente gritando, cantando, também maior o risco. Logo, é de se imaginar que um festival de música, como o Lollapalooza Brasil que deve ocorrer no fim deste mês, em São Paulo, jogos de futebol e até mesmo praias possam ser pontos de atenção.

“Shows vão acontecer, as pessoas estão se encontrando, fazendo eventos, independentemente de a gente achar certo ou errado, sem julgamento de valor. Uma vez que essa demanda vai existir, que as pessoas vão procurar atividades, me parece muito mais razoável que a gente faça isso ao ar livre e promova o máximo de segurança possível dentro desse contexto”, afirma Mori.

O pesquisador usa o Carnaval como exemplo de evento que foi cancelado ao ar livre, mas liberado para ocorrer em locais fechados, onde o risco de contaminação é muito maior.

Rosana Richtmann, infectologista do Instituto Emílio Ribas, lembra ainda que o Lollapalooza, por exemplo, atrairá pessoas de outros locais do país, que podem levar a uma maior circulação não só da Covid-19, mas de outras doenças.

A especialista, porém, destaca mais a importância do uso da máscara em ambientes fechados que conduzam até o local do festival (que será ao ar livre, no Autódromo de Interlagos ), como metrôs, trens e ônibus. Isso quer dizer que você tenha que usar máscaras em eventos ao ar livre? A resposta a essa pergunta já é um pouco mais difícil.

Não há dúvidas de que estar de máscara é mais seguro do que estar sem. Masa questão do uso, nesses casos, aca batendo relação com apercepção e com qual o grau de risco que a pessoa esteja disposta acorrer (considerando que a utilização da proteção passará a ser uma decisão individual).

“Me parece uma medida razoável”, diz Mori, sobre o uso de máscaras em locais com aglomeração, canto, comemoração e muitas interações face a face. Ao mesmo tempo, ele ressalta que, em eventos ao ar livre, a situação é mais tranquila e o uso da proteção no rosto é uma posição quanto ao risco mais conservadora.

Stucchi resume dizendo que, para aglomerações, se nãoé possível manter distanciamento, amás caraéim portante para a proteção.

“Sempre vai ter risco”, diz Richtmann, que, porém, não vê muito mais sentido no uso de máscara em locais abertos, mesmo pensando em praias lotadas, por exemplo. Em shows e festivais de música, o ambiente aberto pode não ser a questão central, mas sim o comportamento das pessoas, com bebidas compartilhadas, muita proximidade. Mas ela ressalta a importância do uso da proteção em certos grupos, como não vacinados, pessoas que têm comorbidades ou problemas de imunidade.

“O bom é que a partir de agora ninguém vai estranhar ter alguém de máscara num ambiente”, afirma Richtman. “Não tem nada de errado. Quem quiser usar máscara deixa usar.”

Mesmo que a máscara deixe de ser cobrada em eventos abertos, a especialista do Instituto Emílio Ribas destaca que o passaporte vacinal deve continuar a ser cobrado, para diminuir o risco das pessoas que estão ali presentes.

Fonte: Folha de S.Paulo