Nota de pesar pelo falecimento de Carlos Alberto Salvatore

A Associação Paulista de Medicina lamenta profundamente o falecimento do ginecologista Carlos Alberto Salvatore, ocorrido nesta quinta-feira, 17 de fevereiro, aos 104 anos. O médico era figura histórica da Medicina brasileira, decano e fundador da Academia de Medicina de São Paulo, onde ocupava a cadeira nº 19 desde 1957. Da APM, era associado desde 1943. O velório e o enterro ocorrem hoje (17), respectivamente, às 16h e 17h, no Cemitério do Morumbi (Rua Deputado Laercio Corte, 468).

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A Associação Paulista de Medicina lamenta profundamente o falecimento do ginecologista Carlos Alberto Salvatore, ocorrido nesta quinta-feira, 17 de fevereiro, aos 104 anos. O médico era figura histórica da Medicina brasileira, decano e fundador da Academia de Medicina de São Paulo, onde ocupava a cadeira nº 19 desde 1957. Da APM, era associado desde 1943. O velório e o enterro ocorrem hoje (17), respectivamente, às 16h e 17h, no Cemitério do Morumbi (Rua Deputado Laercio Corte, 468).

Ao todo, foram 64 anos dedicados à Medicina – 42 destes dentro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC/FMUSP). A sua primeira aproximação com a Ginecologia foi ainda no Hospital São Paulo, onde se impressionou com as habilidades técnicas dos professores Sylla Mattos e José Medina. Este último, inclusive, foi o responsável por levá-lo à USP.

Após algum tempo trabalhando no Instituto Butantã, recebeu o convite de Medina para estabelecer no HC uma clínica ginecológica com 70 leitos, inaugurada em 1948. Foi o pontapé inicial de uma longa história na instituição. Posteriormente, submeteu-se aos seguintes concursos públicos: doutoramento, três livres-docências e professor associado, culminando com o cargo de professor titular, função que exerceu até a aposentadoria, em 1987, quando tornou-se professor emérito. Neste tempo, reestruturou e ampliou serviços. Salvatore foi responsável, ainda, por criar, organizar e chefiar a residência médica de Ginecologia e Obstetrícia, em 1965.

Também permaneceu cerca de cinco anos somados no exterior, entre Reino Unido e Estados Unidos, estudando com bolsas. Todo o conhecimento foi revertido para seus discípulos. Estima-se que sob sua direção formaram-se 11 professores livre-docentes, 21 doutores e 24 mestres. Sempre considerou que o exemplo devia vir de cima, sendo o primeiro a chegar e o último a sair da clínica.

Não à toa, seguiu na clínica privada após a aposentadoria na faculdade. O especialista tem uma produção científica ampla: são mais de 250 trabalhos, dezenas deles em revistas estrangeiras. Publicou ainda 16 livros, incluindo três Atlas de Cirurgia Ginecológica. No campo da Medicina, destaca-se um álbum de pôsteres artísticos: Foto Arte em Ginecologia, minucioso relatório sobre as atividades da clínica ginecológica do HC/FMUSP, de 1987.

Foi galardoado com várias honrarias, entre as quais a medalha Anchieta e o diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo, outorgadas pela Câmara Municipal de São Paulo. Também é comendador da Ordem do Mérito Republicano da Academia Brasileira de História e já foi recebido na Capela Sistina do Vaticano pelo Papa Paulo VI, em 1977.

Ainda se dedicou ao associativismo médico, participando de mais de 30 sociedades. Teve destacada participação na diretoria da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (Figo), sendo presidente do V Congresso Mundial da entidade, realizado em São Paulo, em 1987. Também foi diretor Cultural da Associação Paulista de Medicina entre 1988 e 1992.

A APM e a Medicina brasileira lamentam tão dolorosa perda.

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