Webinar APM: Especialistas debatem sobre empatia diante da Telemedicina

Na última quarta-feira (4), a Associação Paulista de Medicina realizou mais uma edição de seu webinar, desta vez, debatendo sobre a importância da empatia em atendimentos realizados por Telemedicina. Como de costume, o evento foi apresentado por José Luiz Gomes do Amaral, presidente da APM, e moderado por diretores da Associação, Paulo Manuel Pêgo Fernandes (Científico) e Álvaro Atallah (Economia Médica e Saúde baseada em evidências), que apresentaram o time de palestrantes convidados e os respectivos temas a serem discutidos.

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Na última quarta-feira (4), a Associação Paulista de Medicina realizou mais uma edição de seu webinar, desta vez, debatendo sobre a importância da empatia em atendimentos realizados por Telemedicina. Como de costume, o evento foi apresentado por José Luiz Gomes do Amaral, presidente da APM, e moderado por diretores da Associação, Paulo Manuel Pêgo Fernandes (Científico) e Álvaro Atallah (Economia Médica e Saúde baseada em evidências), que apresentaram o time de palestrantes convidados e os respectivos temas a serem discutidos.

“Certamente, tentaremos dar um passo decisivo na compreensão e estabelecimento da relação entre médico e paciente, a partir de uma distância maior do que a que se caracteriza na nossa atividade de consultório”, introduziu o presidente da APM.

Dando início as apresentações, Protásio Lemos da Luz – professor Titular sênior de Cardiologia da FMUSP e fundador e presidente da Associação Brasileira de Cardiologia Translacional (ABCT), que estuda a relação entre médico e paciente há muito tempo – explica que, para fazer clínica, é preciso gostar de gente. “Em Telemedicina ou em Medicina presencial, o fato é que, o que está em jogo é a relação médico/paciente, com a característica especial de que agora esse contato acontece a distância”, conta.

Exemplos e regras de ouro

Para exemplificar situações em que a relação médico/paciente não foi apropriada, o especialista citou uma declaração da professora Jill Taylor, diante de um acidente vascular cerebral, que sofreu devido a uma má formação venosa, durante sua recuperação: “Não conseguia entender as palavras, mas podia ler muita coisa na expressão e linguagem corporal, algumas pessoas me levavam alegria, enquanto outras a drenavam de mim. Uma enfermeira nunca estabelecia contato visual, arrastava os pés como se sentisse dor… Ela erguia a voz quando falava comigo, sem se dar conta de que eu não era surda. Sua indisponibilidade para estabelecer contato comigo me apavorava”.

O especialista explica que escreveu há algum tempo 12 regras para a relação médico/paciente, destinadas a residentes de Medicina, e durante sua apresentação, destacou algumas delas: procure conhecer a pessoa, consulta não é experiencia de laboratório, então encontre um ponto de interesse comum – profissão, esportes, artes, viagens, etc. – e estimule a pessoa a falar ou contar a própria história; evite linguagem técnica, não exiba superioridade, pois arrogância é uma doença ruim; respeite os sentimentos do doente; e lembre-se: se você errar, não seja dogmático, você é um conselheiro, quem sofre as consequências de tudo é o doente, portanto, ele tem direito de decidir e cuidado com o que diz, a palavra do médico tem muito peso.

“Sem perceber, começamos a mudar e destruir os fatos para que isso se encaixe em uma teoria, ao invés de deixar que a teoria se encaixe nos fatos. Essa é outra regra fundamental, precisamos obter os fatos, é necessário deixar o paciente falar do jeito que ele quiser, para poder expressar realmente o que está sentindo”, destaca.

“Na minha visão, a Medicina se constitui através do conhecimento que vem das universidades, institutos de pesquisas e pesquisadores. A tecnologia moderna precisa ser usada considerando que toda prática médica é feita para o homem, ou seja, deve ser no conceito de humanismo. Com isso, buscamos aumento da longevidade, melhor qualidade de vida, integração de mente e corpo, recuperação individual e integração social do paciente”, completa Protásio.

Por fim, deixou como mensagem final: “A Medicina e a religião são especialmente devotadas a reparar o sofrimento humano. Não esqueçamos a natureza sagrada da nossa missão”.

Possibilidades técnicas

Dando continuidade às palestras, Carlos Alberto Pastore, doutor em Cardiologia e livre-docente da FMUSP, trouxe em sua apresentação a evolução da Medicina e como podemos acomodar a Telemedicina hoje e no futuro. “Quando falamos de Telemedicina, percebemos que a definição nada mais é que o exercício da Medicina utilizando tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões, e prevenção da saúde. Acreditamos que veio para ficar e desejamos que prospere, já que estamos na era da economia digital.”

Pastore ainda explica os benefícios da prática da Telemedicina, como a redução de tempo de espera para consulta, fácil acesso aos especialistas e melhor custo-benefício das ferramentas. “Quando olhamos os dados atuais, percebemos que será difícil a possibilidade de a Telemedicina recuar”, afirma.

De acordo com informações da Saúde Digital Brasil, entidade representante das maiores operadoras de Telemedicina do País, nos últimos 12 meses foram realizados mais de 75 milhões de atendimentos virtuais, por mais de 50 mil médicos – sendo 87% primeiras consultas, realizadas em mais de 100 plataformas digitais de Saúde. “A Telemedicina também traz novas práticas, possibilidade de leitura de exames e monitorar pacientes a distância. Além disso, a teleinterconculta pode permitir a troca de informações com outros colegas, dirimindo dúvidas”, salienta.

Entre os desafios ainda encontrados na execução da prática da Medicina, o especialista destaca que a maioria dos médicos não fez um curso especializado para formação em Telemedicina e teleconsulta. Também ressalta que somente 12 das 340 universidades com cursos de Medicina no Brasil possuem aulas de Telemedicina.

Diante das estratégias a serem utilizadas para que a prática seja exercida da melhor forma possível, o cardiologista explica ser preciso pensar no preparo e impacto no paciente e na clínica, avaliação e cuidados clínicos remotos, comunicação usando telessaúde, demonstrar

clareza e empatia para criar uma conexão na ausência de atendimento pessoal, profissionalismo, tecnologia da informação, privacidade e questões legais, ética, segurança do paciente, acesso e igualdade. “Teremos que encaixar todos esses quesitos em uma relação a distância, e isso será o grande desafio.”

“Com relação às estratégias técnicas, é preciso mostrar para os pacientes e equipe como a prática irá funcionar, que na teleconsulta existem riscos e benefícios. Além disso, precisamos identificar recursos e tecnologias atuais para implementar em um atendimento de qualidade, adaptar o ambiente, ter uma conexão de internet estável, definir os horários de trabalho, garantir uma boa comunicação durante a consulta e ter a experiência do paciente monitorada”, complementa.

Telemedicina na Psiquiatria

Para apresentar o conceito da empatia aplicada à Psiquiatria e finalizar as palestras, o responsável foi Flávio Guimarães Fernandes, médico do Instituto de Psiquiatria do HC/FMUSP e membro da Sociedade Brasileira de Psicopatologia Fenômeno-Estrutural.

“Na Medicina, estamos sempre utilizando dois tipos de empatia, a conotativa, quando eu me coloco no lugar do paciente para perceber o que eu estaria sentindo, ou como gostaria de ser escutado ou tratado; e a não conotativa, que se aplica quando se cria uma ‘atmosfera’ no consultório, seja em sentido ruim ou positivo. A condição da experiência médica é a própria empatia, sem ela, não haveria nem a possibilidade dessa experiência”, explica.

O especialista salienta que a empatia na Psiquiatria é um conceito paradigmático, pois não são realizados exames complementares, não há correlação anatomopatológica entre o transtorno mental e o diagnóstico clínico. “O diagnóstico da Psiquiatria é realizado pela anamnese, psicopatologia e pela empatia, na verdade, o psiquiatra faz o diagnóstico por insight, impressão ou ressonância corporal”, conta.

Ao final das apresentações, os moderadores parabenizaram os palestrantes e debateram sobre futuro e evolução da Medicina ao longo dos anos, relacionamento interpessoal e primeira consulta. “Aprendi muito hoje, é interessante como em menos de duas horas de webinar você pode mudar tanto o ponto de vista sobre determinado assunto. Acredito que ao longo de toda a discussão sobre a regulamentação da Telemedicina, teremos oportunidade de rever o tempo da consulta e convívio com nossos pacientes e estabelecermos uma relação médico/paciente realmente humanizada”, finaliza o presidente da APM.

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