Nova fase

Em entrevista à Revista da APM, o novo presidente da entidade, Antonio José Gonçalves, relembra o seu trabalho em prol do associativismo e destaca os principais desafios, anseios e expectativas à frente do cargo

Entrevistas

Em entrevista à Revista da APM, o novo presidente da entidade, Antonio José Gonçalves, relembra o seu trabalho em prol do associativismo e destaca os principais desafios, anseios e expectativas à frente do cargo. Para ele, é fundamental que a Diretoria trabalhe em conjunto para que, assim, a APM mantenha um crescimento gradativo e sustentável, lute pelos interesses da classe médica e possibilite a ascensão de cada vez mais profissionais ao movimento associativo.

Como iniciou sua trajetória no associativismo médico?

Foi em 1976, quando eu era recémformado e assumi a presidência da Associação dos Médicos Residentes do Estado de São Paulo. No ano seguinte, ajudei a fundar e fui o primeiro presidente da Associação dos Médicos Residentes da Santa Casa de São Paulo – onde me formei e fiz toda a minha carreira universitária. Depois disso, participei do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Diretório Nacional e Capítulo de São Paulo e fui presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço. Na APM, atuei em diversas gestões na Secretaria Geral, cargo que também ocupo, até o fim deste ano, na Associação Médica Brasileira.

Por que decidiu se candidatar à Presidência da APM?

Talvez eu tenha sido influenciado pelos colegas de Diretoria, mas nunca tive essa ambição, digamos assim. Eu tinha uma atividade de trabalho muito grande na Santa Casa, fiquei lá durante muitos anos, mais de 50, e diminuí a minha ocupação na instituição em fevereiro deste ano. Então, como ia sobrar um pouco mais de tempo livre – porque a APM, seguramente, vai exigir bastante da gente –, achei que tinha condições de corresponder à confiança que o pessoal estava depositando em mim.

Quais são os planos para a sua gestão?

Eu sou oriundo da política da situação da APM. Estamos aqui há quase 30 anos, e quando assumimos a Associação, ela tinha uma dívida enorme. Aos poucos, fomos fazendo a APM crescer, as Regionais tomaram mais corpo, o patrimônio da APM alavancou de maneira substancial, o prédio se modernizou e a questão científica melhorou bastante. Nos últimos anos, temos alguns novos problemas, como a perda de associados, então acho que essa é uma das questões principais, como resgatar esses médicos e manter a Associação Paulista de Medicina sustentável e as nossas mais 70 Regionais ativas e robustas.

Podemos esperar continuidade na parceria com a AMB e com as sociedades de especialidades?

O trabalho da APM com a AMB, na minha opinião, é indissociável. A Associação Paulista de Medicina representa 70% dos associados da Associação Médica Brasileira, e consequentemente, 70% da receita. E São Paulo é uma das federadas da AMB mais organizadas, atuantes e representativas dos médicos. Eu e o professor César Fernandes, presidente da AMB, somos colegas de turma e temos uma afinidade muito grande há muitos anos, e a ideia é continuar assim. Eu tive a oportunidade, nestes quase três anos em que estive como secretário geral da Associação Médica Brasileira, de ter um contato muito estreito com as 54 sociedades de especialidades e com a grande maioria das áreas de atuação. Então, a ideia é nos aproximarmos das regionais paulistas das entidades e trazê-las cada vez mais para dentro da APM. A nossa ideia é criar um conselho estadual de especialidades aqui dentro.

De que maneira espera trazer os jovens médicos para o associativismo?

Essa tem que ser uma das nossas prioridades, trazer o jovem médico aqui. A gente tem estatísticas que mostram que o associativismo está em crise. Acima dos 50 anos de idade, temos aproximadamente de 8% a 10% de associados entre os médicos paulistas; na faixa dos 35 aos 50 anos, isso cai para 4%, e na faixa até 35 anos, não chega a 0,5%. Temos que aprender a falar a linguagem do médico jovem, que é diferente da nossa, é focada nas tecnologias digitais, para poder atingi-los e oferecer incentivos. Os médicos que estão chegando agora são o futuro. E eu acho que isso passa por uma mudança do modelo associativo atual, que é um modelo que está exaurido.

Quais, na sua opinião, serão os principais desafios a serem enfrentados à frente da Presidência da APM?

Tudo o que já comentei são desafios. Mas, eu acho que o principal deles é manter a sustentabilidade da APM em função das fontes de renda que temos. Fundamentalmente, temos como fonte de renda as parcerias com empresas, particularmente as de segurosaúde, e hoje a concorrência do mercado é muito grande. A queda no número de associados é um fato também importante que temos aqui, além de alguns departamentos que são muito deficitários.

Quais são as suas expectativas para a nova gestão que se inicia?

Eu sou uma pessoa otimista por natureza. Por maiores que sejam as dificuldades, estamos aqui para tentar superá-las e manter a Associação Paulista de Medicina neste ritmo crescente. No nosso último balanço, o orçamento empatou entre receitas e despesas, o que acho que é uma vitória, em função da pandemia de Covid-19, que atrapalhou muito as atividades em todo o mundo nos últimos anos. Agora, temos uma série de ideias para retomar e até usar o que a gente aprendeu com aquele momento para otimizar os nossos custos. As expectativas são boas. Eu sempre acreditei na APM e vou continuar vestindo a camisa, agora como presidente. A ideia é trabalhar de maneira conjunta, com toda a Diretoria, porque obviamente não temos como trabalhar sozinhos. Eu tive o privilégio de escolher esse grupo para trabalhar comigo, então são pessoas que eu me dou muito bem, que eu confio e que seguramente vão me ajudar muito a fazer a APM cada vez maior e mais representativa.

Publicada na edição 741 – Dezembro de 2023 da Revista da APM

Foto: Alexandre Diniz