Painel da AMB no GS debate avanços e desafios em IA e Saúde Digital

No dia 10 de novembro, a Associação Médica Brasileira reuniu especialistas renomados para abordar os desafios em informática médica no País, competências em Saúde Digital, aplicação da inteligência artificial na visão da operadora de plano de saúde e como ela pode auxiliar profissionais, pacientes e toda a cadeia da Medicina. O Painel da AMB fez parte do segundo dia de atividades do Global Summit Telemedicine & Digital Health 2021.

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No dia 10 de novembro, a Associação Médica Brasileira reuniu especialistas renomados para abordar os desafios em informática médica no País, competências em Saúde Digital, aplicação da inteligência artificial na visão da operadora de plano de saúde e como ela pode auxiliar profissionais, pacientes e toda a cadeia da Medicina. O Painel da AMB fez parte do segundo dia de atividades do Global Summit Telemedicine & Digital Health 2021.

Para falar sobre os desafios na formação em informática médica brasileira, o palestrante Antonio Carlos de Onofre Lira, diretor médico Regional da Oncologia D’Or de São Paulo, destaca a necessidade de defender e divulgar as melhores práticas digitais em Medicina – que são certificação de software para a segurança dos pacientes, certificação digital pautada na Lei Geral de Proteção de Dados, Telemedicina, padronização e terminologias (interoperabilidade, inteligência artificial e estratégias em Saúde Digital).

Lira reforça ainda a importância de estruturar e democratizar o conhecimento para além da informatização médica. “Se por um lado é um assunto atraente esse cotidiano de montar soluções, por outro, é um lugar de muito regramento, não só técnico sob o ponto de vista da tecnologia, mas da complexidade da Saúde. Entendo que deveríamos fazer uma reflexão de como preparar cada vez mais o profissional para divulgar de uma forma mais fácil e menos restrita aos nossos ambientes acadêmicos.  Está aí a potência da área: qualquer profissional da Saúde se enxergar em uma trilha de informação.”

Nesse sentido, para ele, o desafio atual é agilizar e massificar a possibilidade do processo digital, saindo de um lugar elitista da informação. “Precisamos fortalecer a informação, porque não é simplesmente um efeito tecnológico que garante a boa entrega da solução, mas o vigor da sua construção.”

Inteligência Artificial
“A inteligência artificial é uma daquelas tecnologias que chamamos de área transformadora, que muda e molda a nossa sociedade. Quando olhamos a sua aplicação nas operadoras, não podemos esquecer que é apenas uma parte desse ecossistema, com suas delimitações muito específicas, por exemplo, na melhoria dos processos internos, no tratamento e encadeamento de pacientes/clientes e na prevenção a fraudes”, destaca o especialista Cezar Taurin, head da Ciatécnica Research, partner/head of Digital Transformation da Kick Corporate Ventures.

Taurin destaca que o ecossistema da Saúde está em transformação, com a alavancagem da experiência artificial, e o papel da operadora e dos demais atores deverá passar por mudanças. A inteligência artificial, define ele, se trata de um conjunto de algoritmos que lidam com os dados. “A questão é que não tínhamos até recentemente dispositivos de forma tão fácil que nos permitiam coletar esses dados. Isso tem despertado interesse absolutamente fantástico na aplicação das tecnologias digitais na Saúde como um todo, envolvendo operadoras, usuários e os próprios médicos.”

Hoje, são mais de 350 mil aplicativos para a área da Saúde globalmente cadastrados em bibliotecas da Apple e do Google para a área de Saúde. “Só no ano passado, falamos em mais de 90 mil, com uma média de 250 novos aplicativos. Isso faz com que, por exemplo, haja muitas informações. Posso hoje fazer uma série de exames que antigamente precisaria recorrer a uma clínica específica. Sabemos ainda que nem todas as aplicações são confiáveis, mas isso nos mostra um caminho inevitável que já estamos trilhando.”

O uso intensivo e cada vez mais sistemático da IA pode facilitar o processo de diagnóstico e estreitar a relação com especialistas de áreas diversas, contribuindo para uma análise mais assertiva. Hoje, há uma média de 7 a 8 mil estudos publicados por ano sobre inteligência artificial em toda a prática médica. Pesquisas mostram ainda que 74% das empresas do setor de Saúde no mundo inteiro olham inteligência artificial como um investimento estratégico de transformação do seu negócio.

“Quando olhamos a Telemedicina, temos condições de fazer a distribuição de determinados especialistas por País, porque a tecnologia identifica as áreas que mais precisam de profissionais, além de estimular medidas mais preventivas. Esse uso mais intenso da tecnologia não apenas desperta interesse, como a entrada de novas empresas no setor, e provoca mudanças na maneira de se relacionar”, informa o especialista.

Por fim, Taurin é categórico ao afirmar que a IA não substituirá o papel do médico, pelo contrário, ele será imbricado pela inteligência. “Vamos ver o ecossistema se transformando no processo de curar a doença e manter a saúde, com monitoramento em tempo real, preditivo e proativo. Mais personalizada, vai tirar o robô de dentro do médico e tornar a Medicina mais humana.”

Aplicação da IA na Unimed Lab
O palestrante Maurício Cerri, superintendente de Tecnologia de Informação e Inovação da Unimed do Brasil, trouxe a experiência da Unimed Lab, aplicação de inteligência artificial que tem facilitado a atuação de médicos e profissionais da Saúde e ajudado pacientes. “A Unimed Lab não é um espaço físico, é uma plataforma, um hub de inovação usado como ferramenta prática que auxilia no processo de estreitamento, conexão e interação entre Unimeds, startups, investidores, mantenedores, aceleradoras e incubadoras, apoiando na geração de valor de saúde suplementar no Brasil e na sustentabilidade através de soluções de inovações”, conceitua.

A plataforma foi lançada em 2018/2019. São 702 startups mapeadas em relação à IA em vários segmentos da Saúde. São os principais “insights” Unimed Lab: interoperabilidade, cyber, Telemedicina, RPA e chatbot. Através de diversos programas de interação (1000pne, Distrito, Einstein, Inova Bra), capacitação, conexão e desenvolvimento de soluções e inovação, a plataforma visa gerar oportunidades (incubar, acelerar e investir) para os mantenedores (startups e Unimeds) e, assim, impulsionar modelos de negócios que possam impactar produtos/serviços do Sistema Unimed e segmento de Saúde.

“No topo está a capacitação profissional, representada pela Fundação Unimed, porque temos uma preocupação muito grande em relação ao aperfeiçoamento, seja dos médicos ou dos colaboradores, mas também trazer esse olhar de inovação tecnológica e transformação digital, obviamente englobando o contexto de dados e de segurança e inteligência artificial para os nossos profissionais e médicos”, destaca Cerri.

Saúde Digital
“Saúde digital é um campo de conhecimento e prática associado ao desenvolvimento e uso de tecnologias digitais para melhorar a Saúde. Expande o conceito de eHealth para incluir os consumidores digitais com uma gama mais ampla de dispositivos inteligentes e equipamentos conectados. Também engloba outros usos de tecnologias digitais para a Saúde, como a internet das coisas, inteligência artificial, big data e robótica”, define a especialista Beatriz Leão, da Diretoria de Compromisso Social do Hospital Sírio-Libanês.

Segundo a especialista, as competências em Saúde Digital envolvem sistemas de informação em saúde, sistemas de registro eletrônico em saúde, prescrição eletrônica, aplicações centradas no paciente e educação para o paciente, gerenciamento de consultórios e clínicas, capacitação e treinamento, assistência a distância, pesquisa e troca de informação em saúde.

De 2013 a 2019, 2.018 médicos foram certificados em informática clínica com programas combinados. No aspecto internacional, em 2019, já existiam 35 mil programas de residência.  Ela trouxe a experiência internacional do consórcio eHealth Work, construído em redes com parceiros de academia, associações e provedores/indústria.

São ainda desafios para implantar a educação em Saúde Digital, acrescenta: definição de quais as competências necessárias para o País, que precisam ser alinhadas em trabalho conjunto com AMB, SBIS, MS, CNRM, CFM, Coren e demais conselhos da área da Saúde; criação de diferentes programas de formação em todos os níveis (graduação, extensão e pós-graduação); e criação de especialidades em informática médica.

“A educação em saúde digital envolve treinamento dos professores e residentes, além de integração no currículo médico ou criação de alternativas em paralelo com especializações, strictu sensu e extensão”, finaliza.

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