Webinar APM/AMB faz atualização sobre paralisia facial periférica

Na última quarta-feira, 25 de agosto, em transmissão pelo YouTube, a Associação Paulista de Medicina e a Associação Médica Brasileira promoveram mais uma edição do Webinar APM/AMB. O tema da vez foi a “Paralisia Facial Periférica”, uma das doenças que frequentemente tem início súbito e leva pacientes aos prontos-socorros. O encontro foi apresentado pelo presidente da APM, José Luiz Gomes do Amaral.

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Na última quarta-feira, 25 de agosto, em transmissão pelo YouTube, a Associação Paulista de Medicina e a Associação Médica Brasileira promoveram mais uma edição do Webinar APM/AMB. O tema da vez foi a “Paralisia Facial Periférica”, uma das doenças que frequentemente tem início súbito e leva pacientes aos prontos-socorros. O encontro foi apresentado pelo presidente da APM, José Luiz Gomes do Amaral.

José Eduardo Lutaif Dolci, diretor Científico da AMB, foi o moderador do webinar e definiu o assunto como palpitante para profissionais de todas as áreas. “A paralisia facial periférica (PFP) não é do conhecimento apenas do otorrinolaringologista ou do neurologista, ela sempre está presente no pronto-atendimento e em traumas. É de real interesse para todos os colegas médicos”, argumentou.

O palestrante convidado da noite foi Paulo Lazarini, professor Titular de Otorrinolaringologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, que se dedica à patologia há aproximadamente 35 anos, quando começou em sua especialidade.

“Quando vemos o paciente com a paralisia, é muito difícil, pois ela está no rosto e não pode ser disfarçada. Isso traz impacto social e funcional, com consequências como dificuldade de fechar o olho, ressecamento de córnea, alteração de paladar e uma série de outras. Também traz impacto psicológico intenso”, explicou.

Detalhamento
Lazarini mostrou que a PFP afeta o nervo facial – um dos 12 nervos cranianos que temos em cada lado – estruturado como uma espécie de “caneta Bic”. Na analogia, o acrílico da caneta seria o osso e a tinta, o nervo. Essa característica anatômica diferenciada é o que traz uma série de problemas.

E por que elas ocorrem? “Na literatura, existem mais de mil causas de paralisia facial periférica. São causas congênitas, infecciosas, traumática, metabólicas, vasculares, neoplásicas, entre outras”, listou o palestrante.

Na maior parte das vezes, a PFP se apresenta como uma paralisia de Bell – estudos mostram que, mais exatamente, em 70% dos casos. Lazarini, alerta, porém que nem sempre é esse o caso dos pacientes e que é muito relevante saber diferenciar a paralisia, sé é de Bell ou não, e as suas possibilidades etiológicas.

Comumente, as causas infecciosas estão bastante ligadas à paralisia de Bell, mudando um paradigma, segundo o convidado, que era estudado antigamente: a de que a paralisia de Bell seria uma lesão idiopática. Com o passar do tempo, ficou evidente que a maioria dos pacientes tinha como origem da doença o vírus herpes simples tipo um.

Para auxiliar os colegas no diagnóstico, também foi apresentado o quadro típico dessa paralisia específica. Normalmente, apresenta-se em um quadro súbito, em episódio isolado, com piora em até cinco dias e com dor retroauricular. São cerca de 20 a 30 casos a cada 100 mil habitantes ao ano, com 70% dos pacientes tendo cura espontânea e 4% tendo sequelas graves.

“Na cidade de São Paulo, temos aproximadamente 240 casos ao ano com sequelas graves. Não é, portanto, um número pequeno esse de 4%. Ele é grande para aquele indivíduo que tem a paralisia e fica com sequelas. E, no dia a dia, vemos esses pacientes lutando. Nosso trabalho como profissional não é esperar a recuperação espontânea, mas procurar identificar aqueles que terão sequelas, mesmo que leves e moderadas, atuando pela boa recuperação”, afirmou.

Debate
Após a aula do convidado, Dolci, que também é diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, conduziu um debate sobre o tema. Uma das perguntas mais relevantes que fez foi sobre a necessidade ou não de especialistas nesse tratamento e se é possível conduzi-lo na atenção básica.

Para Lazarini, o mais importante é fazer o diagnóstico. Se a atenção básica puder realizá-lo, com exame de imagem, e manter uma avaliação seriada, eventualmente com uma eletromiografia, perfeito. “Mas acho difícil isso ser feito. E caso não seja feito e o paciente seja encaminhado depois de 60 ou 90 dias, sem boa evolução, perdemos a possibilidade de tratar. Então, creio que paciente pode ser tratado na atenção básica, mas com acompanhamento frequente e encaminhamento rápido ao especialista – otorrinolaringologista ou neurologista – se necessário.”

Outro questionamento que o moderador trouxe para a discussão, feita por um dos espectadores do webinar, foi: “Se tenho um paciente que, depois de um mês tomando corticoides e fazendo fisioterapia, tem melhora vagarosa, o que fazer?”.

A conduta mais adequada, conforme indicação do palestrante, é realizar um exame de imagem, preferencialmente uma ressonância magnética, para estabelecer corretamente o diagnóstico, garantindo que não seja nada diferente que está ocasionando o quadro. “Também realizar uma eletromiografia para ver se há denevação. Havendo, tem que ir ao especialista e, dependendo da etiologia, um tratamento cirúrgico se faz necessário.”

Antes do encerramento, o presidente da APM definiu o evento como uma revisão fantástica, extensa e profunda das paralisias faciais periféricas, com ilustrações extremamente claras, motivando uma série de perguntas dos que acompanharam a reunião.

“Gostaria de agradecer-lhes o empenho e expressar minha expectativa de nós voltarmos a tê-los, em breve, aqui nos webinars. Nossa Santa Casa – ainda que eu não seja de lá, tive o privilégio de frequentar com bastante assiduidade – é uma instituição que prima por contribuições consistentes e constantes para a Medicina do País. Portanto, é um orgulho tê-los aqui entre nós”, completou Amaral.

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