Associações médicas: por que é importante fazer parte?

Promover, defender e trabalhar por uma série de causas importantes são objetivos das associações médicas

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O associativismo ou a cooperação e integração entre indivíduos ou empresas com objetivos comuns é um instrumento importante para que determinada comunidade alcance maior expressão, seja ela social, política ou econômica.

Assim, o associativismo é um modelo que fortalece a representação de muitas classes profissionais, inclusive a dos médicos. Neste caso, estamos falando da Associação Médica Brasileira – AMB, composta por várias federadas, sendo a maior delas a de São Paulo, a Associação Paulista de Medicina – APM.

É importante ressaltar a relevância das associações e de se fazer parte delas. Porque muitas vezes usufruímos dos benefícios sem lembrar que eles são gerados a partir da força que as associações adquirem quando reúnem um grande número de representados.

Diferentemente dos conselhos, em que a pessoa é obrigada a fazer parte para poder exercer a profissão, nas associações a participação é livre. A pessoa opta por se associar. Enquanto os conselhos têm uma função de fiscalização, as associações têm uma função de proteção, de aglutinar os médicos para que sejam melhor representados e alcancem com mais facilidade uma série de demandas.

Fica mais fácil visualizar esse processo com alguns exemplos de como a AMB está presente na vida dos seus associados e o que isso impacta em termos de influência social, política e econômica e, em última análise, em benefícios.

A AMB está ligada às especialidades. O título de especialista é muito valioso porque ele é fornecido com muito critério a quem se submete ao exame, por especialistas da área que se pretende o título. O título não só atesta a capacidade profissional do médico, como representa uma garantia à sociedade da boa formação desse profissional.

Além disso, a AMB tem uma representação na Conitec, Comissão de Incorporação de Tecnologia no SUS, e pode habilitar novas tecnologias, solicitadas pelas sociedades de especialidades, solicitar a incorporação de novos medicamentos, próteses, vacinas etc. A AMB também tem presença na Cosaúde – Comitê Permanente de Regulação da Atenção à Saúde, através da Agência Nacional de Saúde. Também está presente na Comissão Nacional de Residência Médica. Essa comissão define quais são os programas, coordena comissões estaduais, fiscaliza novas residências para checar os requisitos necessários para se assegurar um alto nível de qualidade.

A AMB também participa das definições relacionadas à Saúde Suplementar, através da Agência Nacional de Saúde. Ou seja, o conjunto de ações e serviços desenvolvidos por operadoras de planos e seguros privados de assistência médica à saúde, e que não têm vínculo com o SUS. Foi no âmbito da ANS que a AMB participou da criação da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos – CBHPM, uma lista de procedimentos e consultas, unificada em uma tabela usada por todos os planos de saúde, a tabela TUSS – Terminologia Unificada em Saúde Suplementar. Essa unificação permitiu a produção de estatísticas sobre o uso de medicamentos, a realização de procedimentos e cirurgias, de forma a possibilitar um planejamento em saúde.

Não fosse a atuação da AMB, provavelmente esses procedimentos seriam definidos pelos planos de saúde, deixando a classe médica fora dessa relevante questão.

Outra iniciativa que vale destacar é a formação de um departamento de defesa profissional, idealizado pela Associação Paulista de Medicina. O objetivo foi defender os médicos de acusações sem fundamento. Esse departamento também está preparado para atender médicas que sofrerem algum tipo de assédio, sexual ou moral, com um canal em que elas podem pedir auxílio jurídico. Esse recurso foi criado a partir de uma pesquisa junto a médicas, sócias e não sócias da APM, em que 60% das participantes alegavam já ter passado por alguma situação de assédio tanto por parte de pacientes, quanto de colegas. E que nunca conseguiam uma resposta significativa quando tentavam recorrer tanto administrativa quando juridicamente.

A APM também está prestando muita atenção à questão dos trotes abusivos aos calouros de Medicina e já prepara projetos para proteção e acolhimento desse público, com especial atenção para as mulheres.

Outros benefícios proporcionados pelas associações médicas são os programas de ensino a distância e congressos para atualização profissional; publicações como as revistas da APM “Medical Journal” e “Diagnóstico e Tratamento”; planos de saúde especiais; seguro responsabilidade civil, seguro por perda de renda; serviços de contabilidade, entre muitos outros.

Promover, defender e trabalhar por uma série de causas importantes são objetivos das associações médicas. Por isso, associar-se significa fortalecer a classe médica, o seu poder de influência, a qualidade das condições de trabalho e, o principal, a qualidade de saúde para a sociedade.

Ivone Minhoto Meinão é diretora Científica do departamento de Reumatologia da Associação Paulista de Medicina (APM) , delegada da APM e da Associação Médica Brasileira e representante do grupo da APM, “Mulheres na Medicina”.