Vacinas, variantes e miocardite por Covid-19 são temas de webinar da APM

Na última quarta-feira, 21 de julho, a Associação Paulista de Medicina promoveu mais uma edição de seu webinar, em parceria com as Regionais de Itu e São Caetano, que trouxeram convidados para tratar, respectivamente, das variantes de Covid-19 e da eficácia das vacinas e de miocardite por Covid-19. O encontro foi apresentado pelo 1º vice-presidente da APM, João Sobreira de Moura Neto.

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Na última quarta-feira, 21 de julho, a Associação Paulista de Medicina promoveu mais uma edição de seu webinar, em parceria com as Regionais de Itu e São Caetano, que trouxeram convidados para tratar, respectivamente, das variantes de Covid-19 e da eficácia das vacinas e de miocardite por Covid-19. O encontro foi apresentado pelo 1º vice-presidente da APM, João Sobreira de Moura Neto.

Convidado por Júlio César Guia Pereira, diretor Científico da Regional de Itu, o moderador Sérgio Cimerman mencionou o importante trabalho desenvolvido pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), produzindo documentos importantes para erradicar fake news e orientar os médicos com evidências científicas.

“O nosso palestrante convidado, Alexandre Naime Barbosa, chefe do Departamento de Infectologia da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), participa ativamente desse trabalho. Hoje, ele traz um tema importante e com atualizações up to date, muito recentemente publicadas no New England Journal”, introduziu Cimerman, que é coordenador científico da SBI.

Barbosa começou a sua aula lembrando um conceito básico: em uma replicação viral, é esperado que haja mutação no material genético, principalmente quando se trata de um vírus de alta transmissibilidade, como o Sars-CoV-2. Foi assim com os vírus Influenza, HIV, da hepatite C etc. – de tal forma que o cenário atual era esperado e monitorado desde o início da pandemia.

Na sequência, o especialista fez algumas diferenciações técnicas. Conforme sua explicação, as variantes são divididas em três níveis. O primeiro trata das variantes de interesse: mutações que conhecemos, tem potencial de deixar a doença mais transmissível ou reduzir o sistema imunológico, mas observadas apenas em termos laboratoriais, sem comportamento alterado em termos populacionais.

“Depois, temos as variantes de atenção. São vírus com mutações reconhecidamente mais perigosas e com comprovação científica de doenças mais graves ou mais contagiosas. Por fim, há as variantes de alta consequência, que são mais transmissíveis e severas, causando mais hospitalizações e uma grande mudança em termos de comportamento da doença. Não há nenhuma variação deste tipo ainda”, complementou Barbosa.

Ainda de acordo com ele, hoje lidamos com quatro variantes de atenção disseminadas no mundo todo, recentemente rebatizadas pela Organização Mundial de Saúde. São elas: Alfa (B1.1.7, surgida no Reino Unido); Beta (B.1.351, surgida na África do Sul); Gama (P1, surgida no Brasil); e Delta (B.1617, surgida na Índia).

“A Delta é a que vai nos preocupar mais neste segundo semestre de 2021, por ser extremamente transmissível – muito mais do que as suas irmãs. Segundo o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, neste país houve 97% do aumento de casos com essa variante. Ainda que o número de óbitos não siga essa linha”, explicou o palestrante. Enquanto as outras variantes têm entre 29% a 38% mais chances de infectarem alguém do que o Sars-CoV-2 original, a Delta tem 97% mais chance – praticamente o dobro.

Em relação às vacinas, Alexandre Naime Barbosa lembrou da realidade distinta e particular do Brasil. Aqui, há um mix de vacinas de diferentes plataformas – CoronaVac, AstraZeneca, Pfizer e Janssen – e circulação de variantes de atenção. “Precisamos fazer estudos de vida real para entender melhor o impacto. Além de realizarmos vigilância de sequenciamento genético nos casos.”

A seguir, o palestrante mostrou um trabalho canadense que avaliou as variantes Alfa, Beta, Gama e Delta aliadas à aplicação das vacinas Pfizer, Moderna e AstraZeneca. “Tanto nos casos sintomáticos, quanto nas hospitalizações e óbitos, independentemente da vacina ou da variante, foi mantido o percentual de efetividade. E esses são dados de vida real”, analisou.

Por fim, ele também falou sobre o Projeto S de Serrana, realizado aqui no Brasil, um estudo de efetividade da população vacinada em massa. Na iniciativa, foi identificada queda de 80% dos pacientes sintomáticos, de 86% das internações e de 95% das mortes. Tudo isso levando em consideração que praticamente 96% dos doentes foram infectados pela variante P1 (Gama).

Impacto cardiológico
Na segunda parte do webinar, o presidente da APM São Caetano do Sul, Júlio Abdala Calil, iniciou a conversa sobre a miocardite por Covid-19. “É uma grande alegria estar neste encontro para discutir esse tema, tão atual devido aos múltiplos acometimentos causados por essa doença que vem atingindo o mundo.”

Quem falou sobre o tema foi Jamil Calil Neto, diretor Científico da Regional e especialista em Cardiomiopatia Hipertrófica pelo Hospital Geral de Toronto, no Canadá. “Todos já sabem que a Covid-19 é uma doença sistêmica com diversas manifestações clínicas. 81% das vezes, tem forma leve. E a mortalidade dos cardiopatas é 4,5 vezes maior em relação aos demais pacientes”, iniciou.

Segundo a palestra, 22% dos pacientes acometidos pela Covid-19 sofrem alguma lesão cardíaca. Muitos acabam com uma miocardite, arritmia ou mesmo síndrome de Takotsubo – neste caso, sobretudo as mulheres. Com frequência, o novo coronavírus também é responsável por causar lesões pulmonares como fibrose, alterações da coagulopatia (que causa trombose e AVCs) e insuficiência renal.

“São fatores de risco para o sistema cardiovascular durante a Covid-19: diabetes, obesidade e insuficiência cardíaca. Trata-se de pacientes já inflamados, com imunidade mais reduzida. A dislipidemia também é um risco. Assim como é um risco maior para tabagistas, que já têm normalmente fibrose pulmonar, causando piores resultados”, afirmou Calil Neto.

Ao fim da palestra, João Sobreira de Moura Neto agradeceu aos convidados e os parabenizou pelo alto nível das aulas. “Tivemos informações recentíssimas nas apresentações, que ajudaram a APM a cumprir seu papel de atualização científica, trazendo informações para os colegas”, disse o vice-presidente da entidade.

Sobre a organização do evento em parceria com as Regionais, declarou: “A Associação está em 75 cidades do estado de São Paulo. É a entidade com maior capilaridade, além de representar cerca de 50% da AMB. Isso mostra a força e a pujança da APM na área científica, na defesa profissional e na integração sociocultural. São alguns dos nossos objetivos e os webinars cumprem isso”.

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