Boletim Epidemiológico apresenta panorama do HIV e Aids no Brasil

Documento aponta que País tem mais de 1,6 milhão de pessoas infectadas

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A Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde recentemente lançou o Boletim Epidemiológico especial que analisa os casos de HIV e Aids no Brasil. Segundo o documento, a divulgação da pesquisa ocorre em um momento simbólico para o País, após obter o pleito de certificação nacional da eliminação da transmissão vertical do HIV como problema de Saúde pública.

Durante o período de 1980, quando foram registrados os primeiros casos, até setembro de 2025, o total de notificações de pessoas convivendo com HIV ou Aids no Brasil era de 1.679.622. O estudo indica que atualmente está havendo uma estabilidade com leve alta nas detecções de HIV, enquanto o número de casos e de mortalidade por Aids estão se reduzindo. Em 2023, o total pessoas infectadas por HIV foi de 38.222, enquanto em 2024 o número foi para 39.216, ao passo que as infecções por Aids diminuíram em 1,5%, passando de 37.527 em 2023 para 36.955 em 2024.

Em relação aos óbitos por Aids, as mortes reduziram 12,8% – em 2023, houve o falecimento de 10.500 pacientes e em 2024, o número foi de 9.157, o menor índice durante todo o período de análise. Também houve redução no total de gestantes, parturientes ou puérperas com HIV, passando de 8.166 em 2023 para 7.523 em 2024, levando, consequentemente, a um declínio de crianças expostas à infecção – 7.121 em 2023 e 6.819 em 2024.

A distribuição de pacientes convivendo com HIV ou Aids no Brasil se concentra, em maior parte, na região Sudeste, contabilizando 47,3% deles. Em seguida, estão as regiões Sul (19%), Nordeste (18,5%), Norte (8,3%) e Centro-Oeste (6,8%). São Paulo é o estado com o maior número absoluto de pessoas infectadas, 433.347 (25,8%), seguido pelo Rio de Janeiro, com 215.354 (12,8%).

HIV

Em relação ao HIV, foram notificados 683.930 casos entre os anos de 1991 e setembro de 2025, com o Sudeste concentrando 306.085 deles (44,8%); Nordeste, 132.885 (19,4%); Sul, 132.382 (19,4%); Norte, 61.214 (9%); e Centro-Oeste, 49.433 (7,2%).

A pesquisa indica que, do total de notificações por HIV, 450.922 delas foram registradas em pacientes do sexo masculino (65,9%) e 232.473 (34,1%) em pacientes do sexo feminino. Há uma tendência de aumento nos casos de HIV entre homens – em 1991, a razão era de 22 homens infectados para cada dez mulheres, passando de 28 homens para cada dez mulheres em 2024.

O período de análise também demostra que 175.803 casos de infecção por HIV ocorreram em jovens de 15 a 24 anos, 66% deles em pacientes do sexo masculino. No caso das pacientes do sexo feminino, o número de novas infecções por HIV foi de 81,4% para mulheres em idade reprodutiva, ou seja, dos 15 aos 49 anos. Além disso, também houve crescimento de novas infecções entre mulheres com 50 anos ou mais, indo de 10,9% em 2014 para 17% em 2024.

Sobre a raça/cor dos pacientes, até 2014, a população autodeclarada como branca representava a maior parte das infeções (49%), no entanto, em 2024, o número de casos foi maior entre a população autodeclarada negra, contendo 59,7% dos registros (11,6% em pretos e 48,1% em pardos).

A pesquisa traz ainda informações referentes à infecção de HIV em gestantes, parturientes ou puérperas, cenário em que houve 173.670 notificações por parte dessas mulheres no Brasil entre os anos 2000 e 2025. Neste sentido, a maior parte delas residia no Sudeste (36,3%), predominantemente entre pacientes pardas (54,3%), entre 20 e 29 anos (53%) e com aumento expressivo entre aquelas com ensino médio completo (36,4% em 2024).

O Boletim analisou, ainda, casos de crianças expostas ao HIV. Entre o período de 2015 até setembro de 2025, houve 78.759 notificações. Assim como nos demais quadros, o Sudeste também tem a maior alta no número de casos (concentrando 27.606 deles). Do total de crianças expostas, 49,6% eram do sexo masculino e 97,6% tinham menos de um ano de vida – 92,2% das notificações foram feitas quando os recém-nascidos tinham menos de uma semana.

Aids

O total de casos de Aids registrados no Brasil entre 1980 e setembro de 2025 foi de 1.165.533 – com média anual de 35 mil novos casos no decorrer dos últimos cinco anos. Deste número, observa-se que 67,3% dos pacientes eram do sexo masculino e as regiões com a maior parte das notificações foram Sudeste e Sul, com 48,6% e 19,3% de casos, respectivamente.

Entre homens, o número de casos de Aids é de 784.669 (67,3%), já entre mulheres, a quantidade é de 380.700 (32,7%). O Boletim relata que durante o período de pesquisa, a maior concentração de casos de Aids no Brasil foi entre indivíduos da faixa etária dos 25 aos 39 anos, predominantemente no sexo masculino. Entre 2014 e 2024, houve redução na taxa de detecção de Aids em crianças menores de cinco anos.

Ocorreu uma mudança na distribuição da cor/raça dos pacientes ao longo dos anos, aumentando entre pardos e pretos e diminuindo entre os brancos. Deste modo, em 2024, o total de negros com Aids era de 61,6% (51,4% de pardos e 10,2% de pretos) e brancos representavam 35,8% dos casos. A escolaridade dos pacientes com Aids é de indivíduos com o ensino médio completo, totalizando 30,2% dos casos em 2024.

Sobre a mortalidade por Aids, desde o início da epidemia já foram registrados 402.300 óbitos no Brasil, a maior parte deles no Sudeste, com 55,1% da concentração de notificações. Nos últimos anos, as mortes por Aids vêm reduzindo de forma significativa, e entre 2022 e 2024, a queda no número de óbitos foi de 17,2%. Do total de óbitos registrados desde os anos 1980, 70% foram entre o sexo masculino – em todas as faixas etárias, o número de mortes é maior entre os homens. Os óbitos se sobressaem entre indivíduos negros, que totalizam 62,2% dos falecimentos notificados em 2024.

O Ministério da Saúde reforça que a modernização dos esquemas terapêuticos, acompanhada pela prevenção combinada e monitoramento do cuidado, contribui na prevenção e combate ao HIV e Aids. Todavia, desigualdades regionais e sociais, diagnósticos tardios e perdas no cuidado simbolizam desafios para a Saúde do País em relação ao enfrentamento da doença. Apesar disso, o Brasil vem apresentando uma notável tendência de queda nos casos e nas mortalidades, obtida graças à expansão do diagnóstico, maior rastreabilidade e políticas públicas acessíveis de cuidado.