Foi divulgado nesta segunda-feira (19) o resultado do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), que avalia a qualidade do ensino de profissionais da área. Cerca de 30% dos cursos serão punidos por desempenho insuficiente na prova.
Em entrevista ao Jornal da Record News, o presidente da APM (Associação Paulista de Medicina), Antonio José Gonçalves, afirma que há uma crise na formação de profissionais da saúde no Brasil, agravada pela alta oferta de vagas em cursos de medicina.
“Há muito tempo estamos alertando para as consequências catastróficas da abertura desenfreada de escolas de medicina e, consequentemente, da formação de profissionais completamente despreparados. Desde 2013 denunciamos esse problema. Esse triste resultado do Enamed reflete esse despreparo. É uma tragédia anunciada, que tentamos evitar ao longo dos últimos anos”, diz Gonçalves.
O especialista também destaca outro desafio da área: a distribuição desigual de médicos pelo país, com excesso em algumas regiões e escassez em outras.
“Essa distribuição irregular depende de uma política de Estado que permita descentralizar o atendimento, levando profissionais para onde são necessários. Agora, com o auxílio da internet, existe a possibilidade de as universidades supervisionarem quem está em áreas remotas, garantindo atendimento de qualidade mesmo nos rincões do país. Mas isso exige uma grande vontade política. Estamos lutando por isso e esperamos alcançar esse objetivo”, afirma.
Gonçalves acrescenta que está em análise no Senado um projeto que cria um Exame de Proficiência, destinado a avaliar se o profissional está realmente preparado para atuar como médico.
“O problema do Enamed, a nosso ver — e a Associação Paulista de Medicina tem se posicionado firmemente sobre isso — é que ele não impede que profissionais formados em escolas mal avaliadas exerçam a profissão. Diferentemente do Exame de Proficiência, cuja aprovação estamos defendendo no Senado Federal”, completa.
Fonte: R7, com RECORD NEWS – acesse aqui