A Diretoria de Responsabilidade Social da Associação Paulista de Medicina, liderada pelos médicos Jorge Carlos Machado Curi e Paulo Celso Nogueira Fontão, gestão 2023/2026, está a pleno vapor apoiando iniciativas relevantes para a classe médica e sociedade em geral. Recentemente, o presidente da APM, Antonio José Gonçalves, anunciou a criação de dois importantes comitês encabeçados pela instituição, Mulheres na Medicina e Médicos Jovens.
No campo da Medicina, as mulheres continuam a enfrentar dificuldades que incluem discriminação, falta de representação, assédio moral e sexual, violência, desafios na ascensão profissional, disparidade salarial, entre outras. Apesar de grandes avanços, há muito trabalho pela frente.
O Comitê de Mulheres na Medicina tem como objetivo representar e defender as profissionais em suas mais diversas necessidades. É liderado pela delegada da APM e da AMB, Ivone Minhoto Meinão, que tem ao seu lado a diretora de Serviços aos Associados Adjunta, Alice Antunes Mariani, a médica da Coordenadoria da Vigilância em Saúde (Covisa), Melissa Palmieri, e a delegada da AMB, Lourdes Teixeira Henriques.
“A gente entendeu que a APM, a AMB e as entidades, de um modo geral, precisam olhar com mais carinho para a mudança da população médica. O que mais vimos, nos últimos 10 anos, são jovens entrando em faculdades e a ascensão das mulheres. Existe uma feminilização na Medicina – hoje, mais de 50% dos tradicionais médicos são mulheres e existe a tendência desta percentagem ser maior ainda. Temos sala de aula com 80% de alunas, número muito acima em relação aos homens”, destacou Paulo Celso Nogueira Fontão.
De acordo com o diretor, a mulher ainda é muito vista com preconceito. “Tem paciente com olhar machista quando é atendido por uma médica, não confiando em sua competência. É comum, por exemplo, ocorrer violência contra essas profissionais em prontos-socorros. Não é porque se trata de uma mulher médica que está isenta de agressões – ela também sofre assédio moral, violência física, verbal e sexual.”
Pesquisa
A Associação Paulista de Medicina e Associação Médica Brasileira divulgaram, em dezembro de 2023, pesquisa inédita com 1.443 médicas sobre assédio e discriminação de gênero. Os dados mostraram que cerca de 70% das mulheres já passaram por algum tipo de preconceito em seu ambiente de trabalho. Além disso, 6 em cada 10 médicas já sofreram assédio sexual ou moral no trabalho.
Diante da pesquisa, a APM lançou canal de apoio jurídico em defesa das mulheres médicas para denunciar ou tomar outros tipos de providências. A orientação é procurar a Defesa Profissional da entidade, por meio do telefone (11) 3188-4207 e/ou e-mail defesa@apm.org.br. Em breve, será disponibilizado canal eletrônico para o serviço.
“É uma forma de acolhimento para essas médicas que passaram e ainda passam por situações traumáticas – muitas têm dificuldades e medo de retornar ao mercado de trabalho, em função dos traumas que ficam”, acrescentou Fontão.
Em desenvolvimento
O diretor adjunto de Responsabilidade Social explicou que o Comitê de Médicos Jovens ainda está em formação. Entre os desafios, os principais citados por ele são as dificuldades no mercado de trabalho e a precarização dos vínculos do trabalho médico – se até pouco tempo os estudantes de Medicina tinham diversas opções de oportunidades, hoje não é mais assim, exatamente por conta do aumento de vagas ofertadas nas faculdades.
“Oferecer este espaço para estes dois públicos – mulheres e jovens -, que são tão importantes, é um gol de placa da APM, porque eles se sentirão representados pela entidade. Precisamos nos atentar e ser, de fato, a instituição representativa”, completou o diretor.
Fontão reiterou que é importante não querer dizer o que o outro precisa e o jeito melhor de saber é perguntando. “Precisamos acabar com achismo vazio, e para saber o que é legal para as mulheres, teremos de perguntar para elas. A mesma coisa deve acontecer em relação aos jovens. Penso, futuramente, criar outras comissões para negros, trabalhadores do Sistema Único de Saúde, médicos que realizam trabalho voluntário, além de outros públicos”, finalizou.
Matéria publicada na edição 743 (Março/ Abril de 2024) da Revista da APM