Boletim apresenta morbimortalidade causada por animais peçonhentos no Brasil

Estudo do Ministério da Saúde analisa casos de 2010 a 2024

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A Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, do Ministério da Saúde, divulgou um novo Boletim Epidemiológico, com foco no monitoramento da morbimortalidade causada por animais peçonhentos no Brasil entre os anos de 2010 e 2024. Segundo o estudo, no decorrer do período de análise foram registrados mais de 3,3 milhões de casos e 4,2 mil óbitos.

Houve um aumento de 146,8% na taxa de incidência de acidentes por animais peçonhentos entre os anos de 2010 e 2024. Apesar de não ser possível determinar uma causa única para a ascendência no número de casos e de óbitos, o cenário reforça o desafio que a Saúde pública tem em relação ao enfrentamento e combate de novos quadros. 

Segundo o documento, acidentes causados por animais peçonhentos se consolidam como um notável problema no País, alavancado pela diversidade biológica brasileira e o clima tropical, que contribuem para a proliferação de espécies como serpentes, escorpiões, aranhas, lagartas e abelhas, entre outros. Picadas e mordidas desses animais podem resultar em complicações para a Saúde e se manifestar de formas variadas.

Resultados

No total, foram notificados 3.350.787 acidentes por animais peçonhentos no Brasil, com média anual de 223.386 e taxa de incidência de 108,81 por 100 mil habitantes. A maior parte dos casos foi provocada por acidentes envolvendo escorpiões (1.868.191, que representam 55,8%), seguidos por 14,4% de acidentes com aranhas (480.882) e 13,6% de acidentes com serpentes (456.735).

A pesquisa aponta que, de 2010 a 2024, o Sudeste foi a região que apresentou o maior número de casos, 1.268.304 (37,9% e média anual de 84.554); em seguida, o Nordeste, com 1.134.121 (33,8% e média anual de 66.713). Em relação aos estados, Minas Gerais destaca-se como a unidade federativa com o maior número de casos, com 592.103 (17,7%). Em seguida, está São Paulo, com 560.777 casos (16,7%) e Bahia, acumulando 316.622 casos (9,4%).

Todavia, as taxas de incidência foram maiores nas unidades federativas de Alagoas (325,08 por 100 mil habitantes), Tocantins (250,56 por 100 mil habitantes), Minas Gerais (189,27 por 100 mil habitantes) e Rio Grande do Norte (177,13 por 100 mil habitantes) – estados que ultrapassam a taxa média nacional de 108,81 por 100 mil habitantes.

A maior parte dos casos notificados foi em indivíduos do sexo masculino, com 1.860.167 (55,5%) do total de registros. Além disso, a faixa etária dos 15 aos 59 anos foi a mais afetada, com 2.251.418 notificações (67,2%), e pacientes de raça/cor parda foram os mais acometidos, totalizando 1.552.046 (46,3%), apesar de as maiores taxas brutas de incidência terem se apresentado em pacientes de raça/cor indígena, 211,35 por 100 mil habitantes.

Mortalidade

O total de óbitos por animais peçonhentos no período analisado foi de 4.223, com média anual de 282 mortes e taxa média de mortalidade padronizada de 0,14 por 100 mil habitantes. Acidentes ocasionados por serpentes simbolizam a maior causa dos falecimentos, já que houve 1.765 óbitos em decorrência da picada desses animais.

Em seguida, estão outros artrópodes peçonhentos (como abelhas, vespas, marimbondos, formigas e lagartas), que causaram 1.613 óbitos (38,2%); escorpiões, com 581 óbitos relacionados (13,8%); aranhas, com 198 óbitos (4,7%); e demais animais peçonhentos, com 91 óbitos (2,2%).

O Nordeste foi a região com o maior número de óbitos notificados, 1.333 mortes (31,6% e média anual de 89), seguida pelo Sudeste, 1.120 mortes (26,5% e média anual de 75). Apesar disso, o Norte foi a região com a maior taxa média de mortalidade (0,39 por 100 mil habitantes).

Acumulando 559 mortes (13,2%), Minas Gerais foi o estado com o maior número de óbitos, seguido pela Bahia, com 449 (10,6%), e São Paulo, com 404 (9,6%). Já as maiores taxas de mortalidade média padronizada ocorreram em Roraima e Amazonas, com 0,93 por 100 mil habitantes e 0,50 por 100 mil habitantes, respectivamente.

Assim como na análise em relação ao número de casos, o número de mortes e a taxa média de mortalidade também foram maiores em pacientes do sexo masculino, totalizando 3.218 óbitos (76,2%). A faixa etária de 60 anos ou mais foi a maior acometida pelas mortes, com 1.891 (44,8%), além disso, a maior parte dos óbitos ocorreu em pessoas de raça/cor parda, totalizando 2.142 mortes (50,7%) – apesar de a maior taxa de mortalidade ter sido observada na raça/cor indígena, em um panorama de 1,43 por 100 mil habitantes.

De acordo com o documento, as taxas de mortalidade padronizadas vêm aumentando gradativamente ao redor de todo o País, passando de 0,11 por 100 mil habitantes em 2010 para 0,15 por 100 mil habitantes em 2024 (um aumento de 39,4% durante todo o período de análise). Com exceção do Norte, todas as demais regiões apresentaram aumento nas taxas de mortalidade padronizadas.