A Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, do Ministério da Saúde, divulgou dois novos Boletins Epidemiológicos focados em hanseníase – um analisa o perfil dos novos casos detectados e o outro aborda as hospitalizações por conta da doença. De acordo com os documentos, três países concentraram 79,8% dos 172.717 casos notificados mundialmente em 2024, sendo eles Índia, Brasil e Indonésia, respectivamente. No Brasil, o total de casos registrados no período foi de 22.129.
Caracterizada como uma doença infecciosa, transmissível, de evolução crônica e endêmica, a hanseníase está presente em 188 países, no entanto, é mais recorrente em locais que apresentam alto índice de pobreza e acesso limitado à moradia, saneamento básico, alimentação, saúde e educação. Ela é classificada como um problema de saúde pública de nível mundial e o Ministério da Saúde destaca que o diagnóstico precoce é fundamental para o seu controle.
Por conta do alto potencial incapacitante e do intenso estigma social, no País, a hanseníase constitui a lista nacional de notificação compulsória de doenças, agravos e eventos em saúde pública. Além disso, a pasta também reforça que todas as pessoas que tenham tido contato com um portador de hanseníase nos últimos cinco anos têm entre cinco e dez vezes mais chances de desenvolver a doença, evidenciando a necessidade de monitoramento e, assim, evitar que ela evolua para quadros graves ou leve a incapacidades físicas.
Novos casos
Entre 2015 e 2024, o Brasil registrou 238.781 novos casos de hanseníase. A partir de 2020, houve uma redução significativa no número de notificações, coincidindo com o período da pandemia de Covid-19, o que demonstra uma possível subnotificação por conta do volume de ocorrências que o sistema de Saúde enfrentava. Todavia, entre 2021 e 2024, o Boletim demonstra que a doença novamente passou a enfrentar um crescimento expressivo.
A análise por estados aponta que 30,1% (6.851) das notificações de novos casos identificados por meio de exame de contato foram registradas no Mato Grosso. Neste cenário, também se destacam Tocantins (com 8,8% dos casos), Minas Gerais (7,2%), São Paulo (7,1%), Pernambuco (6,3%), Pará (6,1%), Bahia (5,8%) e Maranhão (5,4%), ao passo que Santa Catarina (0,7%), Rio Grande do Norte (0,6%), Rio Grande do Sul (0,6%), Paraíba (0,5%), Sergipe (0,5%), Distrito Federal (0,4%), Amapá (0,3%) e Roraima (0,2%) foram as unidades federativas com os menores percentuais.
Em relação ao perfil dos pacientes, o estudo expõe que a doença é predominantemente maior entre o sexo feminino, que acumula 55,6% (12.635) dos casos, em relação ao sexo masculino, com 44,4% (10.093). A faixa etária com o maior número de casos é de pessoas entre 30 e 59 anos, totalizando 49,5% das notificações, porém, 13,2% delas ocorreram em menores de 15 anos. A raça/cor parda foi a que teve o maior número de notificações (57,2%) e em mais de 10,1 mil casos, os pacientes tinham baixo nível de escolaridade, com o fundamental completo ou incompleto.
Hospitalizações
Entre 2014 e 2024, ocorreram 36.159 autorizações de internação hospitalar (AIH) por diagnóstico de hanseníase, uma média de 3.287 registros por ano. Em 2016, houve o maior registro de internações no período de análise, com 4.364; 2,14 a cada 100 mil habitantes.
Após o País registrar queda nas internações, elas voltaram a se expandir a partir de 2022, chegando, em 2024, a 3.814 (1,79 a cada 100 mil habitantes). Houve um pico de internações no Paraná, em 2016, e o Maranhão foi o segundo estado com o maior número de hospitalizados, seguindo um padrão constante entre os anos de 2019 e 2022.
Do total de internações, 67% foram entre indivíduos do sexo masculino, 37% na faixa etária dos 40 e 59 anos, e 41,5% autodeclarados pardos. Em relação às características das internações, 71,8% foram em caráter de urgência, 3,1% precisaram de leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e 1,8% dos internados foram a óbito.
A internação por hanseníase é recomendada para permitir o manejo de reações hansênicas graves, complicações neurais agudas e efeitos adversos das medicações. O intuito dos resultados divulgados pelo Boletim é subsidiar ações de vigilância, prevenção e organização dos serviços de Saúde, permitindo, assim, avanço no enfrentamento da doença.