A segunda edição do minicurso on-line “Gestão Hospitalar em Movimento: um olhar para o futuro”, promovido pelo Instituto de Ensino Superior da Associação Paulista de Medicina (IESAPM), foi realizada entre os dias 2 e 5 de fevereiro. A iniciativa teve como proposta apresentar tendências capazes de transformar o setor da Saúde, além de proporcionar uma compreensão mais ampla sobre o futuro da gestão hospitalar.
Com uma programação diversificada, o minicurso ofereceu, gratuitamente, três aulas temáticas sobre inovação, liderança e gestão de pessoas, além de um bate-papo ao vivo com os professores do IESAPM, a fim de esclarecer dúvidas e ampliar o diálogo entre docentes e participantes.
Rafael Coelho, professor e coordenador do curso de graduação em Gestão Hospitalar do IESAPM, conduziu a aula “Liderança Transformadora”. Para ele, liderar é a habilidade de alcançar resultados de forma eficiente, humana e sustentável. “Na Saúde é ainda mais crítico, porque estamos falando de um ambiente que une complexidade, pressão, decisões rápidas e o impacto direto sobre vidas. Quando a comunicação falha, todos os sistemas falham. O líder precisa trabalhar a clareza, a consistência e a escuta ativa. Talvez vocês já tenham escutado, mas as empresas contratam por hard skills e demitem por soft skills”, explicou.
Coelho também citou que o futuro da gestão hospitalar passa pela integração entre liderança, processos, tecnologia e inovação. “Esses pilares só funcionam quando as equipes estão engajadas e bem conduzidas. A liderança é o alicerce da Saúde do futuro”, completou.
Já o professor Josimar Alexandre de Freitas apresentou a aula “Inovação na Saúde”, destacando que inovar é, antes de tudo, resolver problemas reais. “É simplificar processos complexos, aumentar a eficiência de trabalho humano, reduzir erros e retrabalhos, integrar equipes, tomar decisões baseadas em dados e melhorar a jornada do paciente do início ao fim. Inovação é mudança de mentalidade e não um equipamento”, afirmou.
Segundo ele, o curso de Gestão Hospitalar forma exatamente esse perfil de gestor, que é capaz de pensar diferente, propor soluções e liderar transformações concretas dentro das instituições.
A professora Vivian Vieira, por sua vez, abordou o tema “Gestão de Pessoas”, um dos pilares fundamentais da gestão hospitalar. “Quando o time está preparado e alinhado, o paciente percebe isso no desfecho, na experiência e na segurança. Tudo começa com as pessoas, porque são elas que moldam a cultura e a cultura molda comportamentos e os comportamentos geram resultados. Liderar pessoas é transformar a realidade por meio da escuta ativa, do feedback transparente, do reconhecimento, da colaboração e da construção de um ambiente psicologicamente seguro. Gestão de pessoas é uma jornada que começa sempre por nós”, destacou.
A professora complementou que, na área da Saúde, a liderança não é cargo, é impacto. “Um líder coerente cria fluxo, reduz ruído, melhora o clima, evita o erro, engaja o time e influencia o que mais importa, que é a segurança do paciente.”
Debate com especialistas
Os professores realizaram um bate-papo sobre tendências e oportunidades que estão redesenhando o setor da Saúde. A partir de experiências práticas no mercado, eles orientaram os participantes sobre caminhos e competências essenciais para quem já atua ou pretende atuar na gestão hospitalar.
“Todas as aulas foram cuidadosamente pensadas para ampliar o olhar sobre a área e preparar profissionais para os desafios cada vez mais complexos da Saúde. O maior gargalo na assistência hoje é a comunicação”, pontuou Rafael Coelho.
Dando sequência à fala de Coelho, Josimar de Freitas explicou que uma liderança segura inspira confiança técnica e emocional nas equipes, especialmente em momentos críticos, como situações de catástrofe ou superlotação.
“Ao longo das discussões, ficou evidente que os temas abordados dialogam diretamente com a prática assistencial e com o cotidiano real da Saúde, seja para o enfermeiro na linha de frente ou para o gestor hospitalar. Falar sobre gestão da qualidade e liderança em uma instituição é reconhecer o papel de todos os colaboradores e de todas as áreas que participam efetivamente da assistência, reforçando que uma gestão bem estruturada é fundamental para a segurança, a eficiência e a humanização do cuidado”, concluiu Coelho.
Foto: Reprodução reunião