Sucesso e engajamento na primeira edição do “Fórum Médico Jovem, Lideranças e Centros Acadêmicos em Medicina”

Evento reuniu diferentes gerações para falar sobre passado, presente e futuro da profissão

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A Associação Paulista de Medicina realizou, no último sábado, 23 de maio, a primeira edição do “Fórum Médico Jovem, Lideranças e Centros Acadêmicos em Medicina”. O evento reuniu diferentes gerações de profissionais para falar sobre passado, presente e futuro da profissão em uma manhã repleta de troca de conhecimentos, experiências e novos aprendizados.

Durante a mesa de abertura, o presidente da APM, Antonio José Gonçalves, relembrou as atividades científicas e sociais que vêm sendo promovidas pela entidade e destacou a importância de a Associação estar engajada com os médicos jovens, ouvindo e entendendo as necessidades da atual geração. “Esta é a casa do médico, por isso, sejam bem-vindos. A Associação Paulista de Medicina está aqui por vocês, então contem conosco.”

O diretor Geral da Comissão Especial de Médicos Jovens da APM, Gabriel Ramos Senise, falou sobre a relevância do movimento estudantil para o Brasil. “Nós percebemos que muito do Sistema Único de Saúde foi construído pelos estudantes de Medicina. Acredito que essa história merece continuar sendo reescrita e ter todo o nosso apoio para exigir da sociedade e das universidades um bom diálogo e uma boa manutenção de um sistema de conflitos.”

Para Clóvis Francisco Constantino, diretor adjunto de Previdência e Mutualismo da instituição, esta é a oportunidade para que tanto médicos seniores quanto aqueles que estão iniciando a trajetória profissional possam se compreender melhor. “Vai ser uma boa troca de expectativas e de experiências sobre o que podemos fazer para a Medicina. A APM está aqui à disposição de toda essa evolução. Sou associado desde 1973 e pude aprender como esta entidade é aconchegante, agregadora, produtora de congraçamento, atualização científica e muitas outras referências que são muito importantes para os médicos do estado de São Paulo.”

O presidente da Associação Médica Brasileira, César Eduardo Fernandes, reforçou que as associações médicas são as responsáveis pela representatividade sem conflito de interesses. “Nós estamos do mesmo lado e nossas lutas sempre são na direção da melhor formação do jovem médico. Precisamos ter mais jovens engajados no movimento associativo, assim como estarmos unidos para defendê-los e ajudá-los, já que, muito em breve, além de exercer a Medicina, são vocês que ocuparão os cargos diretivos de nossas associações.”


Associativismo e o acadêmico de Medicina
Dando início às apresentações, a primeira mesa do dia abordou “Associativismo e o acadêmico de Medicina”. Florisval Meinão, diretor de Patrimônio e Finanças, foi o moderador das apresentações e recordou que nos últimos anos houve um distanciamento entre acadêmicos e associativismo e que este é o momento para recuperar este vínculo.

“Vocês vão ver, durante as palestras e os debates, a importância que o associativismo médico tem na estruturação de políticas públicas de Saúde e na defesa do médico na sua atividade profissional. Era preciso que, desde o primeiro dia em que entram nas escolas de Medicina, os acadêmicos fossem apresentados ao movimento associativo, se preocupando com o exercício de sua profissão, porque daqui a alguns anos enfrentarão um mercado de trabalho gigantesco, mas sem vagas suficientes para todos”, argumentou.

Neste sentido, Yuri Franco Trunckle, diretor Institucional da Comissão Especial de Médicos Jovens da APM, apresentou o contexto histórico do movimento médico estudantil no Brasil, salientando que, para entendê-lo, é fundamental compreender o parâmetro político e social que o País enfrentava na época, envolvendo uma forte repressão, que colocava os estudantes como resistência a um período marcado pelas tentativas de frear a discussão livre e aberta.

“O propósito era o debate. Naquela época, até a democratização, tivemos inúmeros períodos em que a atividade ficou prejudicada e tiveram que se criar meios de discussão paralelos. Com o fim do regime militar, veio um período constituinte e de formação de leis que permitem e dão liberdade para que os centros acadêmicos e o movimento estudantil ocorram de forma natural e livre, como deve ser. Os movimentos devem ser feitos conforme as necessidades que temos, prospectando um futuro melhor para nós e para a sociedade”, evidenciou.

Em seguida, na apresentação de Antonio José Gonçalves, ele falou sobre a importância das entidades médicas e trouxe o seu histórico pessoal à frente do movimento estudantil, que, entre diversas iniciativas, contribuiu para a consolidação de muitas conquistas, entre elas, a criação da Comissão Nacional de Residência Médica, que normatizou e colocou ordem na especialização.

Gonçalves também relembrou o papel das instituições médicas. “Elas são bem diversas. Nós temos o Sindicato, que faz a defesa trabalhista do médico; os conselhos, que têm a função jurídica de fiscalização para o bom cuidado da profissão e são as únicas entidades que podem punir o médico, chegando até a cassar o registro profissional e impedi-lo de exercer a Medicina, caso seja constatada uma prática irregular; e as associações, com múltiplas funções, sendo elas científicas, culturais, sociais, de defesa profissional e, obviamente, política. Para que isso funcione bem, precisamos ter representatividade.”

Finalizando a primeira parte das apresentações, César Eduardo Fernandes pontuou a importância do título de especialista para a atuação profissional, evidenciando que ele é elaborado pela Associação Médica Brasileira em parceria com as sociedades de especialidades, se categorizando como uma avaliação difícil e com baixo índice de aprovação. O médico também mostrou os caminhos para a obtenção do título e chamou a atenção para a necessidade de atualização constante.

“O mercado considera o título de especialista como algo extremamente precioso, tanto que algumas instituições hospitalares só admitem no seu corpo clínico quem o tem, não bastando apenas o RQE (Registro de Qualificação de Especialista). Isso tem um valor enorme. O título de especialista atesta que o profissional tem conhecimento, experiência e competência. Além disso, você é avaliado em seus aspectos éticos também, demonstrando que possui responsabilidade profissional”, explicou.


Debates
Os debates da mesa foram moderados por Guilherme Marques dos Santos, diretor executivo da Comissão Especial de Médicos Jovens da APM, que comentou sobre as apresentações e reforçou a importância do movimento estudantil. “Toda a formulação do ensino médico é papel das entidades médicas, das instituições de ensino, mas também dos movimentos estudantis. Isso deve voltar à tona para combatermos o desmonte da saúde pública, como vemos atualmente. Somos a base orgânica do movimento de Saúde do Brasil.”

Marcela Carneiro Vasconcelos Pavani, diretora Social da mesma comissão, foi uma das debatedoras. Ela expôs que o que a fez engajar em causas que iam além da técnica da Medicina foi a necessidade de se tornar uma médica melhor. “Vocês veem os comentários que fazem a respeito da nossa profissão. Acho que temos uma escolha, a de reclamar ou a de melhorar essa situação. Nós somos os interessados, vocês ouviram as histórias e todos os direitos e garantias que temos hoje, como médicos, acadêmicos ou residentes, foram conquistados por pessoas que também passaram por isso e lutaram para fazer a diferença.”

Concluindo as falas, Renato Azevedo Júnior, diretor adjunto de Comunicações da APM, expressou que a única maneira de que a classe médica consiga sucesso em suas reivindicações é por meio da democracia, salientando que o movimento estudantil foi um dos grandes responsáveis pela redemocratização do País após o regime militar. “Ele acabou sendo o polo de resistência civil da ditadura. As pessoas iam às ruas com o risco de serem presas e de apanharem, mas estavam lá. Essas lutas continuam, não só pelos estudantes, mas pelas entidades médicas, principalmente pela Associação Paulista de Medicina em defesa do SUS e pelo adequado exercício da Medicina, da boa formação e da remuneração justa”, concluiu.

Fotos: Alexandre Diniz