A medicina diariamente apresenta novas descobertas. Entender, portanto, o que a moldou e a trouxe aos resultados de hoje é fundamental para promover uma análise do que esta ciência tão rica representa. Com esse intuito, a Revista da APM continua a sua série sobre 90 fatos marcantes da história da Medicina, analisando importantes acontecimentos do século XIX.
Nesta edição, são abordados acontecimentos fundamentais na disponibilização de diagnósticos e promoção de curas de doenças, desde a criação de vacinas até o desenvolvimento de técnicas de exames.
- FUNÇÃO DOS NEURÔNIOS
O médico suíço Rudolph Albert von Kölliker se notabilizou pelos estudos do sistema nervoso. Em 1841, ele fez a primeira descrição dos neurônios, analisando de que maneira as fibras nervosas estavam ligadas a eles. - ANESTESIA DE ÉTER
O médico e farmacêutico Crawford Wiliamson Long é conhecido por ter utilizado o éter como anestésico pela primeira vez na história. O procedimento aconteceu em 1842, nos Estados Unidos, enquanto Long realizava uma cirurgia para retirar o tumor de um paciente. A utilização da fórmula permitiu, a partir daquele momento, operações mais invasivas. - CÂNDIDO BORGES MONTEIRO
O médico carioca foi o responsável por, em 1842, realizar a primeira cirurgia de ligadura de artéria aorta abdominal em território brasileiro. Na época, a operação feita por Borges Monteiro só havia sido realizada três vezes em todo o mundo, sendo um grande passo na história da Cardiologia nacional. - PATOLOGIA CELULAR
O polonês Rudolf Virchow foi revolucionário ao validar que as células são uma unidade fundamental dos seres vivos. Fundador da patologia celular, o médico comprovou que tecidos doentes e saudáveis são compostos da mesma teoria celular. Seu livro “Patologia celular segundo as bases da Histologia”, de 1850, é um de seus grandes legados. - ESCOLA TROPICALISTA BAIANA
É o nome que se deu ao grupo, formado na década de 1860, dos médicos Otto Wucherer, John Paterson e José Francisco da Silva Lima. Juntos, realizaram uma série de estudos e pesquisas voltados às doenças tropicais existentes no Brasil, evidenciando de que maneira elas afetavam, sobretudo, as populações mais pobres. - “ESTUDO CLÍNICO SOBRE AS FEBRES DO RIO DE JANEIRO”
Esse foi o nome da obra publicada, em 1877, por João Vicente Torres Homem. Através do estudo, o médico analisou a multiplicidade das febres, seus sintomas e como elas estavam interligadas ao clima fluminense, responsável pelo agravante número de casos na população da época. - VACINA ANTIRRÁBICA
Em 1885, o francês Louis Pasteur desenvolveu a vacina para a raiva, uma das zoonoses mais antigas que a humanidade tem conhecimento. Após uma longa análise de agentes patogênicos, o cientista pôde tratar, através da vacina, um garoto de nova anos que havia sido mordido por um cachorro infectado, impedindo que ele contraísse a doença. - CARLOS JUAN FINLAY
O médico cubano identificou, em 1881, que o mosquito Aedes aegypti transmitia a febre amarela. A teoria já havia sido proposta, anteriormente, pelo médico baiano Filogônio Lopes Utinguassu e foi posteriormente confirmada pelo estadunidense Walter Reed em 1900. O Brasil sofreu epidemias da doença durante os séculos XVII e XI, com inúmeras vítimas. - INSTITUTO ADOLFO LUTZ
Em 1892, foi fundado o Laboratório Bacteriológico de São Paulo, com o objetivo de analisar a proliferação de doenças no estado, a fim de promover a saúde coletiva. Foi renomeado, em 1940, em homenagem ao seu primeiro diretor, o médico Adolfo Lutz, pioneiro da Epidemiologia no Brasil. - RAIO X
Após uma série de experimentos com tubos de raios catódicos, o alemão Wilhelm Rontgen percebeu que, ao ligar o tubo à placa de material fluorescente, ele brilhava. O físico entendeu que aquilo consistia em uma espécie desconhecida de radiação e, após alguns meses, em 1895, realizou o experimento com a mão de sua esposa, fazendo a radiação atravessá-la sobre uma chapa fotográfica. Após a revelação, ele observou o contorno dos ossos, naquela que foi considerada a primeira radiografia da história. Pela descoberta, Rontgen foi premiado com o Nobel de Física.
Matéria publicada na edição 720 (Julho de 2020) da Revista da APM