A Associação Paulista de Medicina realizou, na última terça-feira, 13 de outubro, mais uma edição do Fórum de Reumatologia. O evento ocorreu virtualmente, abordando “Artrites e Artralgias”, com aula de Roberto Heymann, reumatologista do Hospital Albert Einstein e conselheiro desta mesma instituição.
Os delegados da APM Henrique Carriço da Silva e Ivone Minhoto Meinão foram responsáveis por dar as boas-vindas aos participantes. “É um prazer recebê-los no nosso tradicional Fórum de Reumatologia, que realizamos anualmente, normalmente no mês de outubro. Desta vez, nós vamos falar de um tema que eu acho que é de extrema importância para todos nós, a artralgia e artrite, explicar o que é isso, as suas diferenças e definições”, disse Silva.
“Foi com muito carinho que escolhemos este tema e espero que todos aproveitem, porque ele engloba toda a questão da propedêutica e da anamnese, fundamentais para o diagnóstico. E isso envolve não somente reumatologistas, mas também clínicos que recebem pacientes com esse tipo de queixa, então eu acho que todos vão poder aproveitar”, expressou Ivone.
Prática clínica
Heymann explicou que a artralgia é uma dor articular em que não são observados sinais objetivos de inflamação, diferente da artrite, que vem acompanhada de sinais logísticos, como aumento do volume e da temperatura, rubor e sinais de envolvimento inflamatório na articulação.
“Quando temos um quadro articular, geralmente o movimento dessa articulação causa dor e tem uma certa limitação maior ou menor, por outro lado, quando temos o acometimento periarticular, há a dor, mas não necessariamente tem limitação. A dor difusa não respeita os limites articulares, o indivíduo tem dor tanto na articulação quanto na região não articular, enquanto na poliartrite, a dor respeita o território articular, o que é muito importante para o diagnóstico, porque às vezes o paciente mesmo não sabe diferenciar”, relatou.
Segundo o especialista, saber identificar o padrão da dor articular – se é inflamatória ou mecânica – vai determinar a sua etiologia. “Nós sabemos que nos quadros inflamatórios, a dor melhora com movimento e piora com repouso, diferente do quadro mecânico, em que a atividade física, o uso da articulação, vai piorar a dor. O paciente que tem dor inflamatória muitas vezes é acordado à noite, o que é um sintoma notável, já que não vemos isso em quadros mecânicos. Além disso, os quadros inflamatórios, muitas vezes, vêm acompanhados de sintomas sistêmicos, como fadiga, perda de peso e febre baixa, diferentes dos não inflamatórios.”
Roberto Heymann também descreveu que a realização de exames contribui para confirmar um diagnóstico, mas não para rastreá-lo. “Os exames laboratoriais de atividades inflamatórias servem para suspeitar se eu estou diante de um quadro inflamatório ou não, porque em algumas situações, é possível ter exames de atividade inflamatória não alterados.”
O palestrante define a Reumatologia como desafiadora, já que é uma área em que as doenças não se manifestam conforme o esperado e vêm com os sintomas fragmentados – algumas, inclusive, sendo assintomáticas – o que faz com que os médicos precisem procurar outras pistas para chegar em um diagnóstico.
“Por meio da nossa experiência, acabamos pelo menos tentando ajudar esse paciente, o tratando com aquilo que achamos que ele tem, mesmo que não tenhamos o diagnóstico definido, já que o mais importante é aliviarmos o sofrimento. Até brinco com alguns pacientes, dizendo que as doenças esqueceram de ler os livros de Medicina e elas, muitas vezes, não aparecem da forma como estão descritas”, complementou.
No decorrer do fórum, o especialista apresentou como se manifestam diferentes complicações associadas a esses quadros, indicando quais são as melhores abordagens para elas. Além disso, também houve um momento para responder as dúvidas do público, expandindo o debate e o aprendizado entre os presentes.
Fotos: Reprodução Fórum