Na manhã da última quinta-feira, 19 de março, a Coordenadoria do Meio Ambiente da Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo (AFPESP) promoveu a palestra sobre recursos hídricos, com o monte “Preservar é nossa fonte”.
O evento, realizado em comemoração ao Dia Mundial da Água, celebrado no próximo dia 22, foi organizado por Gilberto Natalini, que coordena tanto a área ambiental da AFPESP quanto a Comissão dos Médicos pelo Meio Ambiente e pelo Clima da Associação Paulista de Medicina.
A apresentação foi ministrada pelo professor e engenheiro hidrológico Marco Palermo, que inicialmente contextualizou a distribuição de água na Terra, onde 97,5% é salgada e apenas 2,5% é doce, sendo que a maior parte desta última está retida em calotas polares e geleiras. De acordo com o especialista, apenas 0,30% da água mundial é de uso corrente, localizada em reservatórios, lagos e rios, o que gera a falsa impressão de que temos recursos infinitos para consumo.
O Brasil é o País com a maior descarga média de rios do mundo, seguido por Rússia e Estados Unidos, tendo o Rio Amazonas como principal destaque. O País também é recordista em áreas alagadas e pantanais, somando 38 áreas que totalizam quase 60 milhões de hectares, patrimônio que Palermo classifica como um ecossistema extraordinário.
Usos consuntivos x usos não-consuntivos
Sobre as formas de utilização, o engenheiro diferenciou os usos consuntivos dos não-consuntivos. Os usos consuntivos são aqueles que efetivamente consomem o recurso, pois o volume captado é maior que o devolvido aos corpos hídricos; exemplos disso são o abastecimento doméstico, industrial, a dessedentação animal e a irrigação para produção de alimentos, sendo estas as atividades que mais impactam a natureza. Já os usos não-consuntivos não geram perdas significativas de volume, englobando a geração de energia elétrica, navegação, lazer, pesca e harmonia paisagística.
Marco também destacou que o principal problema atual no Brasil é a falta de tratamento de esgoto e o seu lançamento inadequado em bacias hidrográficas. Citando dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), ele apontou que a região do Paraná é a que mais produz e coleta esgoto, porém trata menos da metade do volume gerado.
Quanto à criticidade hídrica nas regiões brasileiras, o cenário varia conforme o aspecto quantitativo ou qualitativo. Na Amazônia, há uma alta demanda quantitativa devido à concentração populacional em Manaus, enquanto no Nordeste a dificuldade decorre da baixa
disponibilidade natural para atender à demanda. Já no Sul e Sudeste, a criticidade é qualitativa nas regiões metropolitanas, devido à poluição urbana e industrial, além da elevada demanda por irrigação no sul do País.
Por fim, Palermo analisou os investimentos em saneamento básico desde a assinatura do contrato com a Sabesp em 2010. Embora o investimento mínimo previsto fosse de 13% da receita líquida, a meta demorou quatro anos para ser atingida. Entre o primeiro semestre de 2010 e o de 2024 (período da desestatização), a empresa investiu R$ 22,4 bilhões na cidade de São Paulo. Com a meta de universalização para 2029, é previsto um novo investimento de R$ 18,71 bilhões. O engenheiro explica que isso exigirá, em apenas quatro anos, um aporte financeiro praticamente igual ao que foi realizado nos últimos quatorze.



O evento também contou com o lançamento do livro “Magias da Sustentabilidade”, uma antologia com 23 coautores, incluindo Gilberto Natalini. Após a sessão de autógrafos, Natalini celebrou sua trajetória na instituição, agradecendo à Diretoria, aos sócios e a todos os presentes pelo apoio às iniciativas ambientais que vem desenvolvendo na AFPESP.



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