Akira Ishida, Luiz Eugênio Garcez e outros acadêmicos são homenageados em sessão da saudade da AMSP

Durante a solenidade, oito médicos que faleceram em 2025 foram homenageados

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Na última quarta-feira, 11 de fevereiro, a Academia de Medicina de São Paulo (AMSP) promoveu a primeira Tertúlia de 2026, nomeada “Sessão da Saudade” – tradicional solenidade que homenageia os acadêmicos falecidos no último ano. O evento foi realizado de forma híbrida, na sede da Associação Paulista de Medicina.

O presidente da AMSP, Helio Begliomini, por videoconferência, lamentou sua ausência e agradeceu a presença dos convidados. “É com muita alegria que eu participo dessa tertúlia. Eu queria agradecer aos acadêmicos que puderam participar dessas homenagens”, concluiu. O encontro foi conduzido presencialmente pelo acadêmico e Secretário Geral da AMSP, Juarez Moraes de Avelar.

Na cerimônia, oito médicos foram homenageados: Renato Andretto, falecido em 9 de maio de 2025; Antonio Carlos Gomes da Silva, falecido em 14 de maio de 2025; Luiz Eugênio Garcez Leme, falecido em 3 de junho de 2025; Milton Borrelli, falecido em 24 de setembro de 2025; Manlio Mario Marco Napoli, falecido em 28 de setembro de 2025; Enio Buffalo, falecido em 6 de outubro de 2025; Manlio Basilio Speranzini, falecido em 13 de novembro de 2025; e Akira Ishida, falecido em 26 de dezembro de 2025.

Renato Andretto

Sérgio Bortolai Libonati iniciou a apresentação prestando homenagem a Renato Andretto, médico nascido em Ribeirão Preto que se tornou membro titular da Academia em 1997, ocupando a cadeira nº 12, cujo patrono é o professor Alípio Corrêa Netto. Foi professor livre-docente colaborador e responsável pelo Setor de Cirurgia Experimental (Anatomia Topográfica) da Faculdade de Medicina Veterinária da USP a partir de 1977. Criou, em 2009, a primeira e única residência médica de cirurgia geral pela Comissão Nacional de Residência Médica – MEC da cidade de Guarulhos, no Hospital Stella Maris.

“Renato Andretto exerceu o cargo de membro do Conselho Científico em duas gestões (2005-2006 e 2007-2008). Colaborou de maneira efetiva na reorganização da Academia de Medicina de São Paulo, onde realizou o levantamento e identificação de todos os seus membros, assim como a distribuição de suas cadeiras e respectivos patronos. Foi um excelente colaborador da nossa Academia”, concluiu Libonati.

Antonio Carlos Gomes da Silva

Em seguida, Paulo Kassab relembrou a trajetória do acadêmico Antonio Carlos Gomes da Silva, que ocupava a cadeira nº 123. Antonio graduou-se em 1963 na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Participou ativamente da vida esportiva da Associação Atlética Acadêmica Oswaldo Cruz (AAAOC), competindo em várias modalidades esportivas, como futebol e basquete.

Em 1972, defendeu tese na FMUSP com o trabalho “Ação do Pramosin em Pulmão de Cobaia”, obtendo o grau de doutor em Medicina. Antonio ministrou aulas em várias faculdades, escreveu capítulos de livros e publicou diversos artigos científicos. Em 1992, tornou-se superintendente do Hospital das Clínicas (HC), onde permaneceu até janeiro de 1995 e onde criou o Instituto de Radiologia e a Casa da Aids.

“Além da trajetória profissional, eu gostaria de falar sobre as minhas histórias com o Antonio. Ele era um ser humano muito amigo e um são-paulino muito fraterno. Na faculdade, a disciplina de Farmacologia era muito temida pelos alunos, ministrada com muito vigor pelo professor Antonio Carlos. No dia do exame, um familiar meu faleceu e eu fiquei com essa notícia durante todo o exame, achando que eu iria reprovar. Pelo contrário, ele me acolheu de uma maneira extraordinária e entendeu o que estava acontecendo. Antonio foi um grande educador, formador e possuía um coração generoso”, relembrou.

Luiz Eugênio Garcez Leme

Posteriormente, Tarcísio Eloy Pessoa de Barros Filho prestou homenagem ao geriatra Luiz Eugênio Garcez Leme. Graduado em Medicina em 1976 pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), ele também realizou residência médica na instituição, especializando-se em Geriatria e obtendo o doutorado em Cardiopneumologia. Foi professor livre-docente e professor sênior da FMUSP, além de professor titular do Centro Universitário São Camilo. Garcez Leme também foi vice-presidente e conselheiro fiscal da Associação Paulista de Medicina.

“Hoje eu tenho a honra de prestar uma homenagem ao meu amigo Luiz Eugênio. Fizemos o colegial e a faculdade juntos. Na residência, optamos por especializações diferentes, mas, alguns anos depois, nossos caminhos voltariam a se cruzar quando o Luiz foi trabalhar no Hospital de Ortopedia. Ele deixou um legado permanente na Saúde do idoso”, destacou.

Milton Borrelli

Dando continuidade às apresentações, Antonio Carlos Lima Pompeo recordou sua amizade com Milton Borrelli. “Convivi intensamente com esse mestre durante toda a minha vida universitária. Segui os seus passos e exemplos por mais de quatro décadas. Ele fez parte da equipe pioneira de transplante renal no Brasil e foi responsável pela criação da primeira equipe de urgência urológica para atendimento no pronto-socorro do HC. Colaborou intensamente para a evolução da Urologia brasileira. Tinha personalidade forte e era bravo. Descendente de italianos, ia dos gritos às lágrimas em segundos. Eu fui muito privilegiado em tê-lo como mestre e amigo”, ressaltou Pompeo.

O urologista, que ocupava a cadeira nº 117, nasceu na cidade de Limeira, em 1930. Formou-se em Medicina na Universidade Federal do Paraná, em 1956. Fez residência médica em Cirurgia Geral na segunda clínica cirúrgica do Hospital das Clínicas da FMUSP. Após concluir a residência, foi convidado a assumir o cargo de médico assistente da clínica urológica, função que exerceu por mais de 30 anos.

Manlio Mario Marco Napoli

Por videoconferência, o confrade Olavo Pires de Camargo prestou sua homenagem ao acadêmico Manlio Mario Marco Napoli, nascido em 1921, em São Paulo. Graduou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em 1946. De auxiliar de ensino, nomeado em 1948, chegou a professor Titular do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da instituição.

Fundou o Hospital Anchieta – Ortopedia e Traumatologia, em São Paulo, sendo o primeiro especializado na área. Criou, em 1972, o Clube do Pé, entidade particular de ensino e pesquisa, hoje existente em vários estados brasileiros. Napoli era ocupante da cadeira nº 72. “Eu o conheci aos quatro anos de idade, devido à ligação dele com o meu pai. Ele sempre me perguntava como estava o Palmeiras. Então, cresci com essa ideia de ele ser torcedor roxo do Palestra, assim como eu. Ele sempre teve muito carinho por mim. Quando tive a oportunidade de entrar na residência, nosso vínculo se tornou mais forte”.

Enio Buffolo

Paulo Manuel Pêgo iniciou sua apresentação fazendo uma breve lembrança da carreira profissional e acadêmica de Enio Buffolo. Nascido na cidade de São Paulo, em 1941, Buffolo formou-se pela Escola Paulista de Medicina (EPM) em 1965, classificando-se sempre entre os primeiros da turma em todos os anos.

Entre os estágios optativos, escolheu passar pela anatomia descritiva com Renato Locchi e estagiou no Hospital das Clínicas com Euryclides de Jesus Zerbini. Em 2008, durante o Congresso Mundial da Sociedade de Cirurgia Cardiotorácica, na Ilha de Cós, na Grécia, recebeu uma homenagem, tendo o seu nome gravado em um tijolo no monumento a Hipócrates.

“Ele se descrevia como médico por vocação e cirurgião cardiovascular por paixão. Eu tive a oportunidade de conviver bastante com o Enio e tive o privilégio de vê-lo participar das minhas duas bancas: no doutorado e na livre-docência. Um fato que me surpreendeu bastante: ele era um exímio jogador de futebol de salão e foi campeão paulista, em 1964, junto com o Rivelino. Outro fato inacreditável é que ele foi indicado como melhor esportista do País, junto com o Pelé e a Maria Esther Bueno, pela Gazeta Esportiva; uma coisa impressionante”, concluiu Pêgo.

Manlio Basilio Speranzini

Antonio José Gonçalves, acadêmico da AMSP e presidente da APM, prestou sua homenagem a Manlio Basilio Speranzini. Segundo ocupante da cadeira nº 114, Manlio nasceu no bairro do Cambuci, em São Paulo, em 1931. Graduou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) em 1955. Durante o curso de Medicina, foi plantonista do Banco de Sangue do HC, do Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência (Samdu) e da Maternidade São Paulo.

No HC da FMUSP, foi chefe de clínica da disciplina de Cirurgia Geral na área eletiva da 3ª Clínica Cirúrgica durante os anos de 1980 a 1989. A convite do professor Henrique Walter Pinotti, transferiu-se como professor associado para a disciplina de Cirurgia do Aparelho Digestivo do Departamento de Gastroenterologia, onde permaneceu de 1989 a 2001, quando se aposentou.

“Meu antecessor possui 230 trabalhos publicados em revistas médicas e 50 capítulos em livros. Exerceu diversas funções dentro da APM, além de ter contribuído também com diversas instituições, como a Federação Brasileira de Gastroenterologia. Descanse em paz, professor, e que um dia os nossos caminhos voltem a se cruzar.”

Akira Ishida

A homenagem feita a Akira Ishida, que era vice-presidente da APM, foi realizada por Walter Manna Albertoni, que agradeceu por ter sido escolhido, dentre tantos amigos de Akira, para prestar a homenagem. Nascido em Novo Cravinhos, distrito da cidade de Pompeia (SP), em 1951, Akira era o filho caçula de 10 irmãos.

Graduou-se pela Escola Paulista de Medicina (EPM) em 1976. Nessa instituição, obteve também o mestrado em 1986, o doutorado em 1991, a livre-docência em 1999 e a condição de professor Titular do Departamento de Ortopedia e Traumatologia.

“Em qualquer instituição, quem se elegia convidava o Akira para fazer parte. Nós sabemos que a vida não é infinita e ninguém sobreviverá ao tempo, mas a morte de uma pessoa muito querida e especial como o Akira nos atinge emocionalmente de uma maneira muito forte. Ele marcou a sua história em todos os lugares por onde passou, de maneira muito competente e ética. O Akira era o amigo de todas as horas, sempre alegre e disponível, de maneira muito respeitosa. Vai fazer muita falta e jamais será esquecido. Obrigado, Akira, por trazer lucidez, leveza, astúcia e comprometimento à nossa Sociedade de Ortopedia. As reuniões não serão mais as mesmas. Celebraremos sempre o seu legado”, concluiu Albertoni, visivelmente emocionado.

Texto e fotos: Maria Lima (sob supervisão de Giovanna Rodrigues)