Aneurisma cerebral: entenda como identificar, sintomas e tratamentos

Dilatação de artéria no cérebro pode não causar sintomas

O que diz a mídia

A cantora de samba Adriana Araújo, 49, entrou em coma após passar mal. A artista já havia tido um aneurisma cerebral que se rompeu, causando uma hemorragia.

De acordo com a equipe da sambista, ela sofreu um desmaio e foi constatado no exame um aneurisma cerebral, “que provocou uma hemorragia de grande extensão”. De acordo com a nota oficial, publicada no Instagram de Adriana, “os médicos nos informaram que o quadro é gravíssimo e irreversível”.

O que é um aneurisma?

Um aneurisma, basicamente, é uma dilatação na parede de uma artéria, que pode ocorrer em qualquer região do corpo, inclusive no cérebro. De acordo com o Ministério da Saúde, essa protuberância acontece devido a um enfraquecimento ou defeito da parede arterial, que pode ocorrer no nascimento. Outra causa comum de aneurismas são acúmulos de gordura na artéria, que causam o surgimento de placas que dificultam ou bloqueiam a passagem de sangue (a chamada aterosclerose).

É comum que o aneurisma vá acumulando pressão com o tempo, o que pode levar ao rompimento da artéria, causando um sangramento intracerebral, também conhecido como AVC hemorrágico, conforme explica o site da Sociedade Brasileira do AVC. Eles reforçam dados científicos que descrevem uma taxa anual desse tipo de hemorragia em torno de 8 a 10 casos a cada 100.000 pessoas.

O Manual MSD, referência em informação de saúde para profissionais da saúde e público leigo, descreve os seguintes fatores de risco para um aneurisma:

  • Doenças hereditárias do tecido conjuntivo (como síndrome de Ehlers-Danlos);
  • Histórico familiar de aneurisma em um parente de primeiro grau (pais, irmãos ou filhos);
  • Hipertensão arterial;
  • Tabagismo;
  • Uso de substâncias.

Aneurisma causa sintomas?

De acordo com o Manual MSD, a maioria dos aneurismas cerebrais não causa sintomas. A menos que eles sejam grandes ou se rompam. “Nem todo aneurisma rompe. Muitos permanecem estáveis por anos. O problema é que, quando ocorre a ruptura, o quadro pode evoluir para uma hemorragia subaracnoidea, que é um tipo grave de sangramento cerebral associado a risco elevado de sequelas neurológicas e mortalidade”, explica o neurocirurgião Orlando Maia, do Hospital Quali Ipanema (RJ).

Aneurismas maiores que não se romperam podem empurrar tecido cerebral, o que provoca uma dor de cabeça pulsante. Essas pessoas também podem apresentar, mas em menor frequência, pupilas dilatadas ou sintomas de AVC, como fraqueza ou paralisia de um lado do corpo.

Já a ruptura de um aneurisma causa uma chamada hemorragia subaracnóidea, com dor de cabeça imediata e intensa, muitas vezes considerada “a pior dor de cabeça já sentida”. Outros sintomas da ruptura de um aneurisma são:

  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Rigidez do pescoço;
  • Sensibilidade à luz;
  • Perda de consciência;
  • Convulsões.

Esse sangramento pode se tornar um AVC hemorrágico, o que causa sintomas como fraqueza ou paralisia em um lado do corpo, perda da sensibilidade, dificuldade súbita para falar, confusão súbita, perda ou obscurecimento da visão e tontura. O aumento de pressão que o sangramento causa ao cérebro pode levar ao coma e, em algumas situações, à morte.

Diagnóstico

Aneurismas assintomáticos podem ser detectados em exames de imagem do cérebro. Geralmente, eles são visíveis em exames como:

  • Angiografia por tomografia computadorizada;
  • Angiografia por ressonância magnética.

Caso seja preciso confirmação, pode ser realizada uma angiografia por subtração digital, que costuma ser mais específica.

Quais são os tratamentos para um aneurisma?

Se você descobrir um aneurisma cerebral por acidente, a recomendação da Sociedade Brasileira de AVC é consultar um especialista assim que possível, já que é preciso considerar uma série de fatores antes de entender o que é preciso fazer com esse achado. Muitas vezes, aneurismas menores ou em pacientes sem fatores de risco podem ser só acompanhados periodicamente, para ver se há crescimento ao longo do tempo.

“Existe ainda diferença entre um paciente jovem com histórico familiar e um idoso com múltiplas comorbidades. Existe diferença entre dor de cabeça comum e cefaleia súbita de intensidade máxima. A decisão não se baseia apenas no tamanho.”, reforça o neurocirurgião Maia.

Já aneurismas grandes, mas não rompidos, podem ser tratados com cateterismo ou reparo cirúrgico, em que um stent ou espirais podem ser implantados. “A escolha não é padronizada. Depende da localização, do formato, da idade do paciente, das condições clínicas e da experiência da equipe”, pondera o especialista.

No caso do rompimento do aneurisma, são feitos os tratamentos de um AVC hemorrágico, como uso de medicações que dissolvem o coágulo, drenagem do sangue acumulado, entre outros.

Dá para prevenir um aneurisma?

Maia explica que não é possível impedir completamente a formação de um aneurisma quando há predisposição estrutural. Porém, conforme indica o Ministério da Saúde, alguns hábitos de vida podem ajudar a prevenir o problema ou seu agravamento. São eles:

  • Controlar a pressão arterial;
  • Manter índices adequados de glicose, colesterol e triglicérides;
  • Ter uma alimentação saudável, à base de vegetais, frutas, fibras e carnes magras;
  • Praticar exercícios físicos regularmente;
  • Não fumar;
  • Não ingerir bebidas alcoólicas em excesso.

Fonte: CNN Brasil – acesse aqui