APM e AMB debatem formação médica no Conselho Nacional do Ministério Público

Entidades médicas defendem critérios mais rigorosos, a fim de garantir qualidade no atendimento à população

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A Associação Paulista de Medicina e a Associação Médica Brasileira (AMB) participaram, no último dia 28 de abril, de reunião no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), em Brasília, para discutir a formação médica no País.

Representaram a APM o presidente Antonio José Gonçalves e o diretor adjunto de Defesa Profissional, Marun David Cury. Pela AMB, esteve o vice-presidente da região Centro-Oeste, Etelvino de Souza Trindade. O encontro contou ainda com a participação da conselheira do CNMP, Greice Fonseca Stocker, e do promotor de Justiça do Ministério Público do Rio Grande do Sul, Felipe Teixeira Neto.

A formação médica no País foi o tema central da reunião, assunto que tem preocupado as entidades médicas, principalmente pelos impactos diretos na qualidade da assistência à Saúde da população.

Para Gonçalves, a expansão desenfreada do número de médicos e a abertura indiscriminada de escolas médicas, muitas sem estrutura adequada, têm acendido um alerta na classe. “É fundamental defender a dignidade e os interesses dos médicos, assim como resguardar que a sociedade tenha um atendimento de qualidade”, reforçou.

Durante o encontro, foram analisados os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que reforçam o cenário preocupante. “O baixo desempenho evidenciado no exame reflete deficiências na formação, o que pode comprometer diretamente a atuação desses médicos, especialmente na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Saúde Suplementar”, explicou Marun Cury.

Ele destacou ainda que a formação inadequada representa um risco concreto à segurança dos pacientes e à qualidade do atendimento prestado. “Precisamos encontrar uma forma de avançar em mecanismos mais rigorosos de avaliação in loco nas faculdades de Medicina, a fim de verificar, na prática, as condições de ensino e assegurar padrões mínimos de qualidade”, complementou.

Outro ponto levantado pelo diretor da APM foi o possível aumento de ações judiciais decorrentes de falhas na prática médica, muitas vezes relacionadas a lacunas na qualificação profissional.

Etelvino de Souza Trindade, por sua vez, ressaltou a importância do encontro no Conselho Nacional do Ministério Público para mostrar o empenho e a atuação da APM e da AMB na formação médica do País. “Tivemos uma reunião muito proveitosa e necessária para ampliar o debate e apresentar a visão dos médicos sobre a educação. Ficamos gratos com a oportunidade e seguimos à disposição.”

Ao final, o presidente da APM reforçou o compromisso da entidade com a boa formação médica e a qualidade do atendimento à população. Além disso, aproveitou a ocasião para entregar exemplares da Demografia Médica no Brasil 2025 e da Demografia do Estado de São Paulo 2026, que trazem valiosos dados sobre o tema.

Foto: Divulgação