APM e Sogesp realizam VII Jornada de Dor na Mulher

Evento debateu diferentes aspectos da dor feminina e reforçou a importância de uma abordagem multidisciplinar

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Realizada pela Associação Paulista de Medicina e pela Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp), a VII Jornada de Dor na Mulher ocorreu no último sábado, 12 de setembro, na sede da APM. Em formato híbrido, o encontro reuniu especialistas de diversas áreas para abordar os desafios do diagnóstico e do tratamento, com o objetivo de ampliar a discussão sobre a dor feminina em suas múltiplas dimensões.

A abertura foi conduzida pela ginecologista e presidente do Comitê Científico de Dor da APM, Telma Zakka, também idealizadora e organizadora da Jornada de Dor na Mulher. Na ocasião, a médica agradeceu aos participantes, à APM e à Sogesp que, segundo ela, fortaleceu ainda mais o diálogo entre a Ginecologia, a Medicina da Dor e as demais áreas envolvidas no cuidado à mulher.

“É uma honra receber cada um de vocês, e espero que este encontro seja uma oportunidade de aprendizado, reflexão e construção conjunta, contribuindo para o avanço do cuidado e para a melhoria da qualidade de vida das nossas pacientes. Agradeço mais uma vez a presença de todos. Tenho parceiros que me motivam a manter essas jornadas e, quem sabe, no ano que vem teremos mais uma”, afirmou.

A programação da VII Jornada de Dor na Mulher incluiu quatro blocos de palestras, com temas como dor pélvica crônica; sexualidade e dor; enxaqueca; nutrição e dor; disfunções do sono e seu impacto na dor; inteligência artificial; uso de agonistas de GLP-1; dor neuropática; sarcopenia; ansiedade, depressão e trauma na dor crônica, entre outros. Também foram realizados debates, nos quais os participantes tiveram a oportunidade de esclarecer as dúvidas com os especialistas.

Dor pélvica crônica

Tema Zakka ministrou a palestra “Dor pélvica crônica: abordagem integrada e diagnóstico diferencial”. A especialista mencionou em sua aula que pensar em mulher e em dor são coisas correlatas. “A jornada busca promover a troca de experiências entre profissionais, assim como estimular uma visão mais abrangente sobre as condições dolorosas que acometem as mulheres”, destacou.

No caso da dor pélvica crônica, ela explicou que a avaliação deve considerar não apenas causas ginecológicas, mas também fatores urinários, gastrointestinais, musculoesqueléticos, neurológicos e psicossociais. “A pelve é toda a região que se encontra abaixo da cicatriz umbilical e acima da raiz da coxa, tanto anterior quanto posterior. A região reúne órgãos, vísceras, ligamentos, nervos, articulações, ossos e músculos, o que torna o diagnóstico particularmente complexo”, explicou.

Durante a palestra, a ginecologista citou que aproximadamente 26% da população feminina apresentam dor pélvica crônica, e 60% das mulheres ficam sem diagnóstico ao longo da vida. “É um enorme desafio.”

Outro ponto enfatizado pela especialista foi que a dor pélvica não deve ser automaticamente associada a doenças ginecológicas, uma vez que 80% não são de origem ginecológica. “Uma paciente com dor pélvica, por exemplo, pode apresentar simultaneamente enxaqueca, fibromialgia, dor lombar crônica, síndrome do intestino irritável ou síndrome da dor vesical. Por isso, a investigação deve considerar o conjunto de sintomas e condições clínicas”, complementou.

Segundo Telma, a avaliação também deve incluir aspectos relacionados ao sono, humor, ansiedade, depressão, histórico de trauma e possíveis situações de violência. “O exame físico tem um papel fundamental no diagnóstico, incluindo a avaliação ginecológica, mas requer examinar mobilidade, postura e marcha. Na dor crônica, o tratamento é multimodal e a abordagem pode envolver medicamentos, fisioterapia, atividade física, psicoterapia, mudanças no estilo de vida e outras estratégias, conforme as necessidades de cada paciente.”

Ao concluir sua apresentação, a presidente do Comitê Científico de Dor da APM mencionou a borboleta como símbolo de transformação. “Na mulher, isso é importante porque a gente tem que avaliar antes de julgar e escutar antes de dar um diagnóstico. Além disso, fazer a nossa prática clínica de uma maneira mais abrangente vai ser bom para a paciente e melhor para a gente, porque assim vamos conseguir reduzir o sofrimento delas”, concluiu.

Texto e fotos: Alessandra Sales