A Associação Paulista de Medicina lamenta profundamente o falecimento de Angelita Habr-Gama, aos 94 anos, ocorrido no último sábado, 30 de maio, em São Paulo. Associada da APM desde 1959, ela era uma das maiores referências mundiais em Coloproctologia, além de uma das mais importantes médicas brasileiras.
Pioneira na cirurgia do País, sua trajetória marcou gerações por suas contribuições à especialidade, à pesquisa científica e à formação médica. Especializada em doenças do intestino grosso (cólon), reto e ânus, ela revolucionou o tratamento do câncer de reto ao desenvolver e difundir o protocolo “Watch and Wait”, método idealizado e proposto em 1991.

Ao longo de mais de seis décadas dedicadas à Saúde, a especialista deixou um legado de inspiração para médicos, pesquisadores e estudantes, com mais de 250 artigos científicos publicados e mais de 50 prêmios conquistados.
“O falecimento da professora Angelita Habr-Gama representa uma perda irreparável para a Medicina brasileira. Sua inteligência, coragem e dedicação à Ciência contribuíram para transformar a prática médica e melhorar a vida de milhares de pacientes. Em nome da Associação Paulista de Medicina, prestamos nossa homenagem a uma profissional extraordinária, cuja trajetória permanecerá como referência para as futuras gerações”, afirma o presidente da APM, Antonio José Gonçalves.
Trajetória
Angelita Habr-Gama nasceu na ilha de Marajó, no Pará, em 1933. Cresceu em São Paulo e ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) em 1952. Na mesma instituição, também realizou seu doutorado e obteve o título de livre-docente.
Foi a primeira mulher residente do Serviço de Cirurgia do Aparelho Digestivo da FMUSP, introduzindo a colonoscopia no Brasil e desempenhando papel fundamental no desenvolvimento da Coloproctologia no País.
Além de professora emérita da FMUSP, Angelita também criou a disciplina de Coloproctologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), atuou como chefe do Departamento de Gastroenterologia, fundou e presidiu a Associação Brasileira de Prevenção do Câncer de Intestino (Abrapreci) e foi diretora do Instituto Angelita e Joaquim Gama.
Foi, ainda, a primeira representante feminina a ingressar na American Surgical Association como membro honorário. Ela presidiu as Sociedades Brasileira e Latino-Americana de Coloproctologia, além do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva.
Em 2020, lançou a biografia “O Não, não é resposta” (DBA Editora), escrita pelo jornalista e escritor Ignácio de Loyola Brandão. Poucos dias após o lançamento, apresentou sintomas de Covid-19 e permaneceu 50 dias intubada. Após sua recuperação, retomou as atividades cirúrgicas e de pesquisa, se dedicando à elaboração de artigos científicos nacionais e internacionais.
A Associação Paulista de Medicina se solidariza com familiares, amigos e alunos e expressa eterna gratidão pela trajetória e relevância de Angelita Habr-Gama para a Medicina, bem como por tudo que representou para a classe médica.


Fotos: Arquivo APM