Na última sexta-feira, 25 de setembro, a Associação Paulista de Medicina realizou o vernissage da exposição “Olhares Múltiplos”, com obras assinadas pelo artista plástico e ex-procurador de Justiça Oswaldo Duek. A mostra, que reúne 12 obras de diferentes fases da vida do pintor, traz quadros com influências cubistas, de 1969, até suas produções mais recentes.
O presidente da APM, Antonio José Gonçalves, destaca que as atividades culturais promovidas pela entidade são muito importantes para demonstrar a pluralidade das ações. “A Associação Paulista de Medicina tem atividades científicas, para cuidar da formação do médico e da Saúde da população; tem atividades sociais; outras voltadas à Defesa Profissional; e as culturais, como esta, e isso é muito importante.”
O médico relembra que a instituição vive um bom momento, o que permite o investimento em Cultura. “Uma exposição como essa é um fator de orgulho para todos nós. São obras maravilhosas e muito variadas, que trazem tendências cubistas e da natureza e eu me sinto muito emocionado, gosto de ficar vendo, me desperta alegria, emoção e a sensação de missão cumprida por estarmos mais uma vez realizando uma exposição desse nível.”
Gonçalves define que Medicina e Arte estão conectadas por fatores comuns: “Ambas são baseadas em humanismo e observação. Eu acho que o médico tem que ser um artista na Saúde, uma pessoa que se esmera nos seus conhecimentos e no relacionamento com os seus pacientes para proporcionar emoção, alegria e qualidade de vida. A Arte faz isso e a Medicina também tem que fazer”.
O artista
Oswaldo Duek explica que desde os dois anos de idade já tinha uma forte tendência a fazer desenhos e pinturas, relembrando como começou a adentrar o universo das artes plásticas. “Meu pai me apresentou um grande pintor da época e professor da Escola de Belas Artes, que era Porciúncula de Moraes, e aí eu comecei a fazer desenhos e não parei mais. Quando vim para São Paulo, também frequentei o ateliê de um pintor muito importante, chamado Pedro Alzaga, já falecido, e posteriormente o ateliê do pintor contemporâneo Sérgio Fingermann.”
Autodidata, Duek demonstra que as suas criações não têm uma linearidade. “Eu vou só fazendo os meus desenhos e as coisas vão saindo sem serem muito programadas, mas com muita liberdade e trabalhando bastante naquilo que é espontâneo. Hoje, com pinceladas mais largas e menos com aquela pintura tão acadêmica, que era o estilo que eu pintava no passado.”
O artista, que é influenciado pelo movimento Cubista, relembra que quando era criança a mãe dizia a ele que seus desenhos relembravam as obras de Picasso – naquela época, ele ainda nem conhecia o artista. Além do pintor espanhol, Duek também destaca que a sua influência vem dos clássicos e dos pintores primitivos brasileiros.
“Picasso dizia que levou quatro anos para pintar igual a Leonardo da Vinci e 40 anos para pintar feito uma criança, acho que posso atribuir isso a mim mesmo, pois hoje eu pinto de uma forma mais livre e espontânea. Com as minhas obras, espero passar a mensagem que tenha a ver com o meu histórico de vida e com o mundo que vi em determinadas épocas”, declara.
Para ele, a arte se constitui como uma ferramenta que permite destravar aquilo que está no campo do desejo e do inconsciente. “Ela nos ajuda a pensar de uma forma espontânea. Muitas vezes, nós não lidamos com esse campo dos sonhos, do inconsciente e do processo de criação. A arte nos mostra essa possibilidade de uma maneira muito forte.”
Obras
Ao final da mostra, uma das obras expostas ficará no acervo da Associação Paulista de Medicina – conforme expõe o diretor Cultural adjunto da entidade, Guido Palomba. A escolha é feita por meio de uma votação entre os demais diretores da APM, que decidem, em conjunto, qual quadro gostariam de ganhar.
“Receber a exposição ‘Olhares Múltiplos’ tem um significado muito grande para mim, primeiro porque o Oswaldo é um pintor genial, que ama as artes e é muito importante no mundo cultural, e de modo especial no mundo jurídico, ele é um procurador de Justiça dedicado às artes”, comenta.
Palomba também revela que o convite para a realização da exposição na sede da APM aconteceu de forma natural. “O Oswaldo sempre se entusiasmou por arte. Ele já conhecia a Associação Paulista de Medicina e quando eu tive contato com o acervo dele, nasceu o convite, ao mesmo tempo em que ele falou que esse seria o sonho de sua vida, então acho que casou tanto o desejo dele quanto o do departamento Cultural em promover este encontro, que está uma maravilha.”
A exposição ficará disponível até o dia 30 de outubro e a visitação pode ser realizada de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, no andar térreo da sede da APM, onde se localiza o Museu de História da Medicina da entidade. A entrada é franca e não há necessidade de inscrição prévia.









Fotos: Alexandre Diniz