A Associação Paulista de Medicina, engajada frente às questões ambientais, recebeu na última segunda-feira, 24 de agosto, representantes da organização não-governamental World Wide Fund for Nature – Brasil (WWF, na sigla em inglês, ou Fundo Mundial para a Natureza). A ação faz parte das atividades que vêm sendo promovidas pela Comissão dos Médicos pelo Meio Ambiente e pelo Clima da APM, e os membros da WWF Brasil foram recebidos pelo coordenador do grupo, Gilberto Natalini, apresentando a ele o trabalho promovido pela ONG.
Na ocasião, estiveram presentes Cesar Maida Freire, gerente de Relações Corporativas; Ana Carolina Bergaria, líder de Relações Corporativas – Brasil sem Desperdício; Ana Carolina Bauer, analista de Conservação sênior; e Amanda Berge, líder de Marketing Relacionado à Causa.
O WWF é uma entidade criada em 1961, com sede na Suíça, que visa promover a convivência harmoniosa da população com a natureza, por meio da redução da degradação ambiental e das mudanças climáticas. No Brasil, a ONG está presente em diferentes frentes, atuando diretamente em quatro biomas, sendo eles Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal, além do trabalho de proteção aos oceanos.
“É bastante desafiador e o cenário nos últimos anos não tem sido fácil. Aqui no Brasil, temos uma visão que está muito alinhada à prática internacional, mas focamos no que são as principais externalidades do País, o desmatamento e a perda da biodiversidade. Costumamos dizer que se tivéssemos que escolher uma única coisa para fazer, seria combater o desmatamento no Brasil; depois que conseguíssemos resolver isso, poderíamos ir para o restante, mas as coisas não funcionam desta forma, então atuamos em diversas frentes, o WWF trabalha na restauração da vegetação ativa há bastante tempo, começamos com o Projeto Mico-Leão Dourado, junto à Fundação Roberto Marinho, e depois evoluímos para outras paisagens”, apresentou Cesar Freire.
Projetos
Em seguida, Ana Carolina Bauer falou sobre as cadeias da biodiversidade e da forma que o WWF Brasil vem atuando em relação ao tema. “Nós temos um escritório que trabalha com o foco nessa união aqui de pessoas com cadeias de biodiversidade. O Brasil é um País muito rico e a gente tem biomas com muitas pessoas vivendo daquilo que o território dá para elas. Por isso que trabalhamos nessa agenda, e dentro dela desenvolvemos uma ferramenta chamada ‘Negócios pela Sociobiodiversidade’, em que a ideia é que façamos com que a empresa, junto conosco, com as comunidades e com a natureza, saiam ganhando ao trabalhar com isso.”
Ela demonstrou como tudo isso funciona na prática: “Fazemos um diagnóstico da relação que a empresa tem com a biodiversidade e construímos um plano de ação dentro disso. Escrevemos propostas e editais para diversos doadores. A empresa que aceitar participar do projeto com a gente não tem nenhum custo direto, apenas o custo do tempo de alguém, da equipe dela, em estar com a gente nos momentos de implementação.”
Outra atividade promovida pelo grupo é o “Brasil sem Desperdício”, lançado no fim do ano passado. O projeto faz parte da integração entre o WWF Brasil e o WRAP (Waste & Resources Action Programme) e se consolida como um acordo voluntário em que empresas assumem o compromisso de reduzir o desperdício. Em outros países, o projeto já existe há mais de 20 anos e os números trazem resultados bastante promissores ao lado de empresas alimentares.
No País, 11 grandes companhias já integram essa linha de cuidado e o grupo vem atuando de maneira muito próxima ao Ministério de Desenvolvimento Social, elaborando soluções para a estratégia nacional. “O sistema alimentar passa pelas empresas, pelo Governo e por nós, sociedade, que nos alimentamos todos os dias. Então, entendemos que a solução para essa questão do desperdício também precisa passar por todo mundo para se solucionar e, com isso, propomos esse ambiente multissetorial de trabalho”, explicou Ana Carolina Bergaria.
Ela também evidenciou que é preciso saber as métricas do Brasil em relação ao tema para que se tragam repercussões promissoras. “Hoje, o Brasil não tem dados de desperdício, estimamos aproximadamente 30%, mas há controvérsias e não existe uma medição para isso. Então, o programa também se propõe a ajudar a começar a criar dados padronizados nacional e internacionalmente. Temos a meta da ONU de redução de 50% do desperdício até 2030, mas se sequer conhecemos a nossa realidade, como vamos propor chegar em uma meta sem saber onde estamos? Então começamos a querer também gerar e criar dados que apoiem a estratégia nacional.”
Finalizando, Natalini apresentou o trabalho exercido pela Associação Paulista de Medicina, indicando a força representativa da entidade e relembrando como surgiu a Comissão dos Médicos pelo Meio Ambiente e pelo Clima. “Nosso trabalho é conscientizar. Fazemos uma conversa para os médicos e para a equipe de Saúde como um todo, dizendo que muitas doenças dos pacientes estão atreladas às mudanças climáticas e ao calor extremo. Ainda estamos no começo, mas estamos avançando e já temos bons resultados.”



Texto e fotos: Julia Rohrer