Na última quinta-feira, 2 de abril, a Associação Paulista de Medicina recebeu Paola Montenegro, sobrinha-bisneta de Tarsila do Amaral, para conhecer a Pinacoteca da entidade. Acompanhada da curadora Juliana Miraldi, elas foram guiadas pelo diretor Cultural da APM, Guido Palomba, em um encontro repleto de cultura, história e curiosidades artísticas.
A APM é proprietária da obra “Procissão”, de Tarsila, o quadro mais valioso do acervo da instituição. Atualmente, ela está exposta no Centro Cultural do Tribunal de Contas da União (TCU), em Brasília, na mostra gratuita “Transbordar o mundo: os olhares de Tarsila do Amaral”, que ficará disponível até o dia 10 de maio.
Para Paola, a realização de uma exposição deste porte, que traz a visão da maior pintora brasileira de todos os tempos, é uma oportunidade imperdível. “Hoje estou aqui na Associação Paulista de Medicina, conhecendo esta belíssima coleção. A obra ‘Procissão’ foi emprestada para o TCU, mas já virou uma joia para nós. Por isso, quero salientar a importância de emprestar obras para exposições, pois isso faz com que elas circulem, que as pessoas possam vê-las de perto e conhecer mais os nossos pintores brasileiros.”
Desde 2023, Paola está à frente da empresa TALE (Tarsila do Amaral Licenciamento e Empreendimentos S.A.), responsável por deter os direitos das obras da artista. Ela vem tendo um resultado satisfatório em modernizar a marca, rejuvenescendo o nome de Tarsila e o expandindo para as novas gerações.
Importância da arte
O fato de ser sobrinha-bisneta do principal nome do Modernismo brasileiro teve uma influência direta no amor de Paola pela arte, como ela relembra. Por causa de Tarsila, passou a estudar e se aprofundar cada vez mais no tema. “Acho que da mesma forma que ela saiu do nosso País para redescobri-lo, isso me fez olhar e redescobrir os nossos próprios artistas e pintores, principalmente artistas mulheres. Então, graças a ela, eu aprendo cada vez mais para conseguir garantir que o seu legado esteja em boas mãos e siga um bom caminho.”
Sobre democratização e acesso à cultura, ainda precários no Brasil, a sobrinha de Tarsila reforça que o seu grande foco está em torná-los reais. “Eu trabalho para que isso seja possível. Comecei a gravar vídeos no TikTok e fazer postagens com foco em informações sobre Tarsila e arte como um todo, de forma gratuita. Esta foi a maneira que eu encontrei para que as pessoas consigam conhecer mais profundamente uma obra específica ou Tarsila em si, para que da próxima vez em que encontrarem uma obra, criem essa conexão e tenham esse orgulho da mulher brasileira e maior pintora do Brasil que a Tarsila foi.”
As obras de Tarsila do Amaral transcendem o tempo e o espaço, são conhecidas por suas cores vibrantes e formas marcantes, além de despertarem emoção e senso de pertencimento a quem as vê. A artista está diretamente atrelada ao espírito do Brasil, e é por este motivo que sua herança cultural é atemporal.
“Eu acho muito legal ver que a obra dela continua tão atual. Por exemplo, Operários, que é de 1933, se você olha para ela agora, ela ainda conversa com todas as questões sociais que existem, traz pessoas diferentes. Eu acho que são obras que você consegue se identificar de alguma forma, seja pela cor ou pelo traço”, explica Paola.
“É óbvio que eu me emociono muito por saber que a minha tia-bisavó é a responsável por tudo isso, mas eu quero que as pessoas também sigam compartilhando esse carinho pela mulher e pela artista brasileira que ela foi. Quero que pensem nela da mesma forma que pensam na Frida Kahlo, que a gente tenha esse orgulho brasileiro. Acho que agora é o momento certo e é um convite para as pessoas permitirem se emocionar com as obras”, demonstra.
Paola complementa que entre as suas obras favoritas da artista estão “A Lua”, “Composição (Figura Só)” e “Procissão”, que agora também entrou para a lista. “Foi a primeira vez que eu a vi pessoalmente, lá no TCU, em Brasília. Mas saber que ela está aqui em São Paulo, com a Associação Paulista de Medicina, é um privilégio. Então, quem tiver a oportunidade, venha visitá-la, eu garanto que é uma obra que mudará a fora como que vocês enxergam Tarsila.”
Texto e fotos: Julia Rohrer



