O mais recente Boletim Epidemiológico, da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, do Ministério da Saúde, trouxe um estudo sobre as infecções respiratórias, que permaneceram entre as principais causas de adoecimento e morte no mundo em 2025. O vírus sincicial respiratório (VSR), a influenza, o rinovírus e o coronavírus apresentam ampla circulação e elevada capacidade de transmissão entre pessoas.
No Brasil, o Ministério da Saúde mantém uma estrutura de vigilância epidemiológica destinada a acompanhar a circulação desses agentes, identificar precocemente surtos e subsidiar medidas de prevenção e controle. Os dados analisados neste boletim foram extraídos entre janeiro e fevereiro de 2026 e abrangem o período entre a Semana Epidemiológica (SE) 1 de 2025, iniciada em 29 de dezembro de 2024, e a SE 53, encerrada em 3 de janeiro de 2026.
Estudo
Entre a SE 1 e a SE 53 de 2025, foram registrados 441.893 casos de síndrome gripal (SG) por Covid-19 no Brasil, número inferior ao observado nos anos anteriores. A maior concentração ocorreu na região Sudeste, com 223.784 casos, seguida pela região Sul, com 64.558 registros. Apesar da redução no número de notificações, a circulação do SARS-CoV-2 permaneceu durante todo o ano.
Em relação aos casos de Síndrome Respiratória Grave (SRAG), até a SE 53 de 2025, foram notificados 234.687 casos. Desse total, 122.559 tiveram o vírus respiratório responsável identificado, correspondendo a 52,2% do total de casos notificados.
Nos casos graves, a influenza A e o SARS-CoV-2 foram os principais agentes associados aos óbitos, com maior impacto entre pessoas idosas, sobretudo aquelas com múltiplas comorbidades. Embora os casos associados à Covid-19 tenham apresentado volume mais baixo do que nos anos anteriores, o SARS-CoV-2 representou 22,8% dos vírus identificados entre os óbitos de SRAG com identificação laboratorial.
Em 2025, foram detectados padrões inesperados na sazonalidade de SRAG por Influenza A e VSR. A SRAG causada por Influenza A apresentou, na maioria das regiões, um pico sazonal mais elevado do que o esperado na maioria das regiões, além de um segundo pico considerado atípico. O VSR também apresentou comportamento fora do padrão, com pico superior ao registrado nos anos anteriores. O vírus teve impacto entre crianças pequenas, grupo mais vulnerável às formas graves da infecção.
Vírus identificados
Em 2025, as Unidades Sentinelas de Síndrome Gripal coletaram 109.277 amostras, das quais 104.444 foram processadas. Dessas, 53.728 (51,4%) apresentaram resultado positivo para os vírus testados, o que totalizou 55.410 vírus respiratórios identificados.
No conjunto do País, o rinovírus foi o agente mais identificado, responsável por 39,1% dos resultados. Na sequência apareceram os vírus Influenza, com 25,3%; SARS-CoV-2, com 11,8%; e VSR, com 10,5%.
A distribuição dos vírus variou de acordo com a faixa etária. Entre crianças menores de 10 anos, predominaram o rinovírus, com 39% das identificações, e o VSR, com 20%, evidenciando o maior impacto dos vírus respiratórios típicos da infância.
Na população entre 10 e 60 anos, os principais agentes foram o rinovírus, com 40%, a Influenza A, com 24%, e o SARS-CoV-2, com 15%. Entre as pessoas com 60 anos ou mais, a Influenza A apresentou a maior proporção, com 30%, seguida pelo rinovírus, com 29%, e pelo SARS-CoV-2, com 20%.
Diante do cenário observado em 2025, o Ministério da Saúde recomenda a manutenção do modelo integrado de vigilância de síndrome gripal e SRAG. O objetivo é garantir a identificação precoce de alterações no comportamento sazonal dos vírus, de novos períodos de intensificação da circulação e de possíveis novas variantes.
Além disso, o Ministério destaca a necessidade de manter as coberturas vacinais contra Influenza e Covid-19, com especial atenção à população idosa e aos indivíduos com comorbidades crônicas, considerando o impacto desses vírus por SRAG.