Câncer de colo de útero: entenda quando a radioterapia é parte essencial do tratamento

Especialista explica em quais circunstâncias esse recurso é indicado e como ele contribui para a cura

O que diz a mídia

Ouvir a palavra radioterapia ainda provoca dúvidas e receios em muitas pessoas. Mas entender como esse tratamento funciona pode ajudar a reduzir medos e mostrar o quanto ele é importante no cuidado de diversos tipos de câncer. A radioterapia consiste na aplicação de radiação, geralmente por meio de raios X, direcionada a uma área específica do corpo para tratar uma doença; na maioria das vezes, algum tipo de câncer, como o de colo do útero.

Esse tipo de tumor, ainda bastante incidente em nosso país, se origina na parte baixa do útero e, à medida que vai crescendo, pode invadir a vagina, a parte lateral do útero (chamada de paramétrios), bexiga e a parte mais baixa do intestino grosso, definida como reto. Com o tempo, pode ocorrer avanço das células tumorais pela corrente sanguínea e causar implantes da doença em outras partes do corpo – ou seja, as metástases a distância.

Cada fase de invasão do tumor, conhecida como estágio da doença, é classificada de 1 a 4. A radioterapia pode ser utilizada em todas as fases do câncer do colo uterino com finalidade curativa, exceto no estágio 4B (o mais avançado), quando há necessidade de tratamentos medicamentosos. Vemos, então, que é um procedimento fundamental no cuidado da paciente.

Devido aos avanços tecnológicos dos aparelhos, bem como dos sistemas de computadores que controlam as aplicações, a radioterapia se tornou um tratamento mais seguro e mais efetivo que antigamente. Atualmente, com uso de recursos modernos, a maioria das pacientes não desenvolve qualquer sintoma durante as aplicações. Na pior das hipóteses, pode ter quadros esporádicos de diarreia, passível de tratamento com dieta e medicamentos.

As sequelas tardias do tratamento também diminuíram substancialmente com os avanços tecnológicos, como técnicas de liberação de dose de radiação adequadas. E, quando os efeitos colaterais ocorrem, podem se manifestar como inflamações no reto, no intestino delgado ou na bexiga – todos são passíveis de tratamento.

A curabilidade do câncer de colo uterino com os tratamentos atuais depende do estágio que se encontra a doença no momento do início do tratamento. Quanto mais precoce, maior a curabilidade. Importante frisar que em todas as fases a cura é possível com chances concretas.

Quando e como a radioterapia é utilizada no câncer do colo do útero

A radioterapia pode fazer parte do tratamento em diferentes momentos da doença, dependendo principalmente do estágio em que o tumor é diagnosticado. No estágio 1, por exemplo, ela pode ser indicada como alternativa à cirurgia ou após a retirada do útero, com o objetivo de reduzir o risco de a doença voltar à região tratada.

Já nos estágios 2 a 4A, a radioterapia passa a ser um tratamento fundamental para alcançar a cura. Nesses casos, ela é associada à quimioterapia, que ajuda a aumentar a eficácia da radiação no combate ao tumor. Em geral, a quimioterapia é administrada uma vez por semana durante as cinco semanas de radioterapia, sendo a cisplatina o medicamento mais utilizado para esse propósito.

Quando a paciente já foi operada no estágio 1 da doença e deve receber radioterapia para evitar que o tumor volte a crescer no local onde estava o útero, são realizadas 25 aplicações diárias na região da pelve para eliminar possíveis células malignas remanescentes. Essas aplicações são rápidas, invisíveis e indolores.

Como é o procedimento

Muita gente tem dúvida de como ocorre a sessão. Trata-se de um procedimento simples, apesar da tecnologia de ponta envolvida. A paciente é posicionada em uma mesa plana de barriga para cima e o aparelho gira em volta dela para emitir a radiação apenas na região que deve ser tratada. O tempo médio de sala, contando com o posicionamento e a aplicação, gira em torno de 15 minutos. Ao término, a paciente se levanta e pode fazer todas as suas atividades de rotina, inclusive trabalhar e praticar atividades físicas.

Quando a paciente não é operada, a radioterapia é realizada em duas fases. A primeira é através das 25 aplicações diárias em conjunto com a quimioterapia semanal e, ao término, é examinada para avaliar se é possível realizar a segunda fase, que se chama braquiterapia.

Esse procedimento consiste na introdução de cilindros bastante finos, um no interior do útero e dois no fundo da vagina, por dentro dos quais é introduzido um material radioativo por controle remoto. A passagem desse material libera altas doses de radiação em volta do tumor para complementar a dose recebida previamente pelas 25 aplicações de radioterapia externa.

Em geral, são feitas quatro inserções desse material, duas vezes por semana. Como a introdução dos aplicadores é dolorida, esse procedimento é realizado com a paciente anestesiada. Quando não é possível realizar a braquiterapia devido às limitações anatômicas, o complemento de dose pode ser feito com radioterapia externa, em geral, com mais 10 aplicações.

Portanto, uma vez diagnosticado um câncer de colo uterino, é importante a paciente consultar, além do ginecologista especializado em cirurgia de câncer, o médico especialista em radioterapia e o oncologista clínico. Esses especialistas vão determinar em conjunto qual a melhor estratégia de combinação dos tratamentos para se obter a maior chance possível de cura de acordo com o estágio da doença.

Na consulta com o médico especialista em radioterapia, conhecido como radioterapeuta ou rádio oncologista, é importante se informar da disponibilidade e acesso às técnicas mais modernas e adequadas para que haja a menor chance possível de complicações relacionadas ao tratamento.

Fonte: Estadão – acesse aqui