Na tarde desta terça-feira, 6 de janeiro, o diretor de Previdência e Mutualismo da Associação Paulista de Medicina, Antonio Carlos Endrigo, concedeu entrevista ao Jornal da Tarde, da TV Cultura. O foco da conversa foi a evolução da Inteligência Artificial (IA) na Saúde, especialmente a precisão alcançada na detecção precoce de tumores de pâncreas.
Endrigo explicou que muitas vezes o câncer de pâncreas é silencioso e, frequentemente, só é descoberto quando o paciente apresenta sintomas visíveis, como icterícia e dor, ou quando já existe metástase em outros órgãos. “Infelizmente, quando os sintomas aparecem, o prognóstico costuma ser muito ruim. Por isso, ver uma nova ferramenta capaz de antecipar o diagnóstico é extremamente estimulante. Esta tecnologia já vem apresentando bons resultados, como por exemplo em pacientes que realizaram tomografias analisadas por IA e tiveram o câncer identificado ainda em fase inicial.”
Apesar do entusiasmo, o médico ressaltou que a implementação da IA na Saúde ainda está em seus primeiros passos. O sucesso da ferramenta depende diretamente da qualidade e do volume de informações fornecidas ao sistema. “A inteligência artificial precisa de dados. O processo consiste em alimentar a base com uma série de tomografias normais e alteradas. Quanto maior o volume de exames prévios inseridos, maior será a acurácia da IA ao comparar novos exames com a base de dados robusta que foi criada”, explicou o diretor da APM.
Um dos grandes obstáculos para o avanço dessa tecnologia no Brasil é o equilíbrio entre a inovação e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Segundo Endrigo, restrições excessivas ao compartilhamento de informações podem frear a criação de bases de dados sólidas, embora ele acredite que, com o tempo, a segurança jurídica e tecnológica trará melhores resultados.
Outro ponto crítico mencionado foi a educação médica. Para o especialista, a tecnologia só atinge seu potencial pleno se o profissional estiver capacitado para usá-la. “É preciso treinar os profissionais. Infelizmente, as faculdades de Medicina ainda não inseriram em seus currículos uma base para que o médico saiba como lidar com a Inteligência Artificial. Esse é o primeiro passo para ampliar o uso dessa ferramenta entre os profissionais de Saúde.”
Por fim, Endrigo enfatizou que o uso da Inteligência Artificial já é uma realidade em algumas áreas do Sistema Único de Saúde (SUS), como na realização de mamografias. Por ser um exame de prevenção recomendado em larga escala, o volume de dados gerado é imenso, o que permite que os algoritmos identifiquem sinais suspeitos de câncer com alta precisão.
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