Está no ar a terceira temporada do APMCast!

Episódios abordarão mudanças climáticas e a importância da preservação ambiental

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A Associação Paulista de Medicina deu início à terceira edição do APMCast. A nova temporada, que terá a apresentação dos episódios divididas entre David de Souza Lima, diretor de Marketing da entidade, e Gilberto Natalini, coordenador da Comissão de Médicos pelo Meio Ambiente e pelo Clima da APM, contou com a participação de ambos os médicos na estreia, que foi ao ar na última sexta-feira, 26 de junho, falando sobre o trabalho que vem sendo executado pelo grupo.

Natalini relembrou que a sua luta pela causa ambiental vem desde quando ainda era estudante de Medicina, quando aprendeu que as doenças dos pacientes tinham a ver com o hábito de vida ou com o lugar em que viviam. “Eu entendi que não podia exercer a Medicina se não levasse em conta esses fatores causadores de doenças. E aí fui aprendendo a trabalhar com a questão ambiental, que desde aquela época, e hoje cada vez mais, foi crescendo. Hoje nós sabemos da relação da poluição do ar com as doenças.”

Segundo ele, os colegas de profissão ainda não compreenderam completamente a importância das questões médico-ambientais e este foi o motivo que o impulsionou a expandir a discussão. “Eles, às vezes, não fazem a relação de causa e efeito, e não atuam. O médico tem uma força muito grande na sociedade, sua palavra vale muito para a população, ele é um formador de opinião. Então eu senti isso e falei que nós precisávamos levar essa visão para os médicos, principalmente para os jovens. Foi então que procurei a APM e criamos a comissão, em que temos uma reunião mensal e uma agenda enorme. Ainda não chegamos no ponto X, mas estamos em um lugar de amadurecimento e acho que rapidamente vamos apresentar muitos frutos.”

O coordenador da Comissão do Clima da APM também destacou que o médico não precisa ser um especialista no assunto, mas que é necessário ter conhecimento do tema para poder agir em prol da comunidade médica e da população, já que possui o poder de influenciar e, assim, pode orientar mais os seus pacientes e lutar por políticas públicas que minimizem práticas que agridam a Saúde, como a degradação ambiental.

Problemáticas

A questão ambiental afeta todas as áreas da Medicina, no entanto, algumas se sobressaem. Para Natalini, as especialidades que estão na linha de frente nesta problemática são Pediatria, Geriatria, Cardiologia, Pneumologia e até mesmo a Psiquiatria.

“Nós, humanos, na busca por ‘desenvolvimento econômico’ e ‘progresso’, estamos destruindo mais do que o planeta tem capacidade de se regenerar. Estamos transformando o planeta Terra em um lugar inóspito. E se destruímos aquele lugar que produz todas as coisas para a gente, então destruiremos o nosso próprio habitat. Nós temos que correr com o processo de parar a destruição e recuperar aquilo que já nos foi tirado, porque a degradação está sendo maior do que a capacidade de restaurar o planeta”, argumentou.

O médico também pontuou que a discussão sobre o meio ambiente vem avançando, mas que ainda preocupa. Como exemplo, citou uma pesquisa que apontava que 93% dos participantes tinham noção do problema ambiental e climático, mas somente 27% estavam dispostos a fazer algo para resolver o assunto. Por isso, defendeu que um dos principais objetivos da Comissão é diminuir a distância entre a intenção e o gesto, focando em, de fato, fazer a diferença.

Natalini relembrou o trabalho que vem sendo feito na cidade de São Paulo, como a implementação dos ônibus elétricos – que circulam graças à Lei 16.802/2018, a qual foi coautor – e a economia de dinheiro com água tratada na cidade de São Paulo. Ele também reforçou que utiliza água de reuso em casa, bem como energia fotovoltaica, além se separar os lixos e, sempre que possível, andar de transporte público.

“Eu sou um otimista. Às vezes a gente cansa, mas eu não quero me cansar, quero lutar até o meu último suspiro para mudar o mundo para a melhor. Colegas médicos que já estão fazendo, façam mais. Os que ainda não despertaram, por favor, ponham a mão na consciência. Você é líder de uma comunidade e o que você fala, as pessoas ouvem. Nós estamos fazendo o nosso papel, então vamos em frente. Eu acho que dá para vencermos esta luta se estivermos todos juntos”, finalizou.