Finalizando as apresentações do Fórum Paulista de Ensino e Qualidade na Assistência Médica, realizado na última quinta-feira, 26 de fevereiro, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), o presidente da Comissão Estadual da Residência Médica (Cerem-SP), Paulo Fernando Constancio de Souza, foi o palestrante da mesa sobre “Residência Médica – Estado Atual e Perspectivas”.
A apresentação contou com moderação de Gerson Alves Pereira Junior, professor de Cirurgia de Urgência e Trauma da Faculdade de Medicina de Bauru da Universidade de São Paulo, e teve como debatedores os médicos Adnan Neser, membro da Câmara Técnica da Comissão Nacional de Residência Médica e ex-presidente da Cerem-SP, e Paulo Henrique Pires de Aguiar, presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.
Papel da Cerem
Constancio relembrou que a Comissão Estadual de Residência Médica no estado de São Paulo se configura como uma instância auxiliar da Comissão Nacional de Residência Médica do Ministério da Educação (MEC). “Recentemente, tivemos a honra de ser convidados pelo nosso Conselho Deliberativo, que a Associação Paulista de Medicina faz parte, de estarmos dentro da sede da APM. Agora estamos ali, desenvolvendo um trabalho com melhor qualidade e buscando, principalmente, estar mais próximos das Coremes (Comissão de Residência Médica), um trabalho que estamos fazendo desde 2018.”
O médico explicou que o grupo que compõe a Cerem-SP é composto de diretoria Executiva, Conselho Deliberativo e setor Administrativo, destacando que os membros atuam de forma voluntária, possuindo um compromisso muito consolidado com a formação e aproximação das residências médicas do estado. “Nós temos decretos e leis, desde 1977, que estabelecem as competências construtivas e educadoras das comissões estaduais, e isso nos dá legitimidade na nossa articulação institucional, que é exatamente o alinhamento estratégico das comissões com necessidades regionais”, descreveu.
O presidente da Cerem definiu que o papel da entidade se divide em pontos básicos, que englobam orientar, acompanhar e analisar credenciamentos provisórios, reconhecimentos e aumento de vagas; realizar estudos, demandas e acompanhar dados demográficos; assessorar administrativamente as políticas de formação especializada e responder eventuais questionamentos das Coremes, proporcionando a interlocução das comissões; além de gerenciar processos e transferências e acompanhar o processo sanador de diligência.
Responsabilidade
Anualmente, São Paulo é responsável pela formação de 30% dos médicos especialistas. “Só por esses números, já sabemos o compromisso que a Cerem tem no desenvolvimento. Para mostrar a densidade demográfica no estado de São Paulo, 44 milhões de habitantes, 645 municípios, 40% deles com menos de 10 mil habitantes, e dentro deles, apenas 50 e poucos com programas de residência médica.”
Outro dado abordado pelo presidente da Cerem, é que, das instituições com maior número de médicos cursando a residência no ano de 2025, 63% eram programas da grande São Paulo. Segundo o médico, atualmente a Comissão Estadual de Residência Médica enfrenta alguns desafios, como infraestrutura administrativa; manutenção de endereços atualizados; organização de visitas, novos membros e treinamentos; e organização das comitivas por denúncias. Para ele, a interiorização dos médicos é muito importante, mas deve haver um entendimento do que é fazer o credenciamento de programas de residência médica.
“Precisamos fortalecer a figura do preceptor, os editais do Ministério da Saúde e a própria Secretaria Estadual da Saúde. Precisamos também construir ferramentas que permitam a rastreabilidade técnica e institucional. Assim, poderemos discutir onde e quais especialidades expandir, com critérios e programas integrados na rede assistencial regional” argumentou.
Paulo Constancio finalizou a apresentação relembrando que a Residência Médica, além de se consolidar como regime educacional, é também um instrumento estratégico de políticas públicas para a Saúde especializada – sendo este um olhar da Cerem. “Nós desejamos para o estado de São Paulo construir um processo cada vez maior de qualificação profissional. Não podemos mais ficar ligados a egos pessoais ou societários. Temos que aumentar esforços para chegarmos a algum lugar positivo e propositivo. Acho que esta é a nossa missão neste momento.”
Fotos: Alexandre Diniz


