“Exame de Proficiência é um passo importante para melhorar a formação médica”, diz presidente da APM

Antonio José Gonçalves reforça que as inúmeras faculdades, que visam apenas números, estão desqualificando o futuro da educação médica

APM na imprensa

Consultora de RH: “Mercado está mais exigente para cursos tradicionais”


Cursos considerados tradicionais, como Direito, Medicina e Engenharia Civil, seguem com relevância no mercado de trabalho, mas passam por um “período de transformação” para se adaptarem à realidade da sociedade atual, dizem especialistas, que afirmam que, nessas áreas, não basta apenas o ensino superior: é essencial a especialização.

Segundo a consultora de RH e especialista em carreiras Luciana Roberty, esses cursos seguem sendo de alta relevância para a sociedade, mas os profissionais que se formam nessas áreas estão lidando com um mercado mais exigente do que antes, até pela alta concorrência de profissionais no mercado.

“Hoje, não basta ter o diploma. É preciso ir além, se especializar, desenvolver habilidades práticas, entender de tecnologia e, principalmente, gerar resultado. A concorrência é grande e é preciso ter um diferencial”, afirma.

Para a CEO da Center RH, Eliana Machado, essas três profissões estão lidando com um mercado mais competitivo, o que faz com que os profissionais tenham de estar sempre atualizados.

No caso específico da engenharia civil, os cursos têm apresentado queda no número de matrículas no País, e o Ministério da Educação (MEC) tem articulado uma reformulação no ensino da área desde o ano passado.

“Faltam profissionais em quantidade e qualificados no Brasil. As nossas universidades não formam os engenheiros de acordo com a demanda de mercado. Isso significa que eles, depois que terminam o curso, ainda precisam ser preparados e passam por processos de educação continuada promovida pelas empresas”, afirma Vinicius Marchese, presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea).

Em 2015, ainda antes da forte crise pela qual passam as grandes construtoras brasileiras e do fim do boom do setor de petróleo e gás, o País chegou a 1,25 milhão de estudantes de Engenharia. Desde então, só registrou queda, até que, em 2023, ficou com 894 mil.

Na avaliação de Marchese, a baixa aprendizagem de matemática no Brasil e cursos obsoletos que, segundo ele, demoram para levar o aluno à prática, contribuem para esse cenário de desinteresse.

Até “OAB” para médicos em pauta
Visando melhorar a qualidade dos profissionais que entram na profissão após a formação, projetos tramitam no Congresso Nacional para criar uma espécie de ‘OAB da Medicina’ para o exercício da profissão após a formatura.

Propostas querem instituir o Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed) como requisito obrigatório para que novos médicos obtenham registro profissional nos conselhos regionais de Medicina.

Um desses projetos chegou a ser aprovado, no mês passado, pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, e agora segue para análise da Câmara.

Com a decisão do colegiado, a aplicação do exame continuará sob responsabilidade do Conselho Federal de Medicina (CFM), contrariando a posição do governo federal, que defendia que a prova fosse coordenada pelo Ministério da Educação.

“É um passo importante para melhorar a formação médica, que está totalmente desqualificada com as inúmeras faculdades que só visam lucros”, afirmou Antonio José Gonçalves, presidente da Associação Paulista de Medicina (APM).

Cerca de 30% dos cursos de Medicina do País foram mal avaliados e tiveram notas 1 e 2, consideradas insatisfatórias pelo Inep, e vão ser punidos com restrição no Fies.

Análise 
“Tendência que não é passageira”

“A forte procura por engenheiros de sistemas e ambientais não é tendência passageira, mas reflexo de uma economia cada vez mais digital e consciente.

Já o crescimento na busca por professores de educação infantil e especial é justificado por avanços nas políticas de inclusão escolar, ampliação do acesso à educação básica e maior conscientização social sobre a importância do suporte especializado para alunos com deficiência.

Quanto às profissões tradicionais, o cenário é de adaptação e resiliência. A Medicina segue em destaque absoluto, fortalecida pela maior demanda por cuidados com a saúde e qualidade de vida. Mas o setor discute formas para melhorar a qualidade dos recém-formados.

Já Engenharia Civil e Direito, embora continuem sendo pilares fundamentais da economia, enfrentam mercados mais saturados e competitivos. Nessas áreas, o diferencial deixou de ser apenas o diploma: passa a ser a capacidade do profissional de integrar ferramentas digitais e demonstrar sensibilidade às questões sociais e ambientais.”

Profissões mais promissoras em 8 anos 
O estudo

  • Os dados apontam as ocupações com maior crescimento (número de profissionais empregados formalmente) em período de 8 anos e a renda mensal média.


Economia Verde

Engenheiro ambiental

  • Crescimento de 276% e salário médio de R$ 10.901

    Técnico em tratamento de efluentes
  • Crescimento de 213% e salário médio de R$ 3.966
    Tecnólogo em meio ambiente
  • Crescimento de 153% e salário médio de R$ 7.387
    Técnico de controle de meio ambiente
  • Crescimento de 141% e salário médio de R$ 3.559

Economia Criativa 

  • Editor de mídia eletrônica
  • Crescimento de 371% e salário médio de R$ 5.412


Economia Digital

  • Engenheiro de computação
  • Crescimento de 2.467% e salário médio de R$ 13.479


Administrador em segurança da informação

  • Crescimento de 884% e salário médio de R$ 7.708


Tecnólogo em gestão de tecnologia da informação

  • Crescimento de 410% e salário médio de R$ 7.018


Programador de maquinas

  • Crescimento de 260%, com salário médio de R$ 3.867


Analista de sistemas de automação

  • Crescimento de 253%, com salário médio de R$ 6.868


Programador de internet

  • Crescimento de 224%, com salário médio de R$ 3.937


Administrador de banco de dados

  • Crescimento de 153%, com salário médio de R$ 10.890


Gerente de projetos de T.I.

  • Crescimento de 150%, com salário médio de R$ 12.059


Gerente de produção de tecnologia da informação

  • Crescimento de 92% e salário médio de R$ 11.456


Economia do Cuidado 

  • Professor da área de meio ambiente
  • Crescimento de 6.413%, com salário médio de R$ 4.600


Médico acupunturista

  • Crescimento de 2.667%, com salário médio de R$ 14.595


Professor de tecnologia e cálculo técnico

  • Crescimento de 1.979%, com salário médio de R$ 15.402


Técnico de enfermagem de terapia intensiva

  • Crescimento de 1.393%, com salário médio de R$ 3.335


Professor de alunos com deficiência múltipla

  • Crescimento de 742%, com salário médio de R$ 4.057


Psicopedagogo

  • Crescimento de 586%, com salário médio de R$ 3.428


Professor de alunos com deficiência mental

  • Crescimento de 318%, com salário médio de R$ 4.291


Professor de alunos com deficiência visual

  • Crescimento de 288% e salário médio de R$ 3.999

    Professor na área de didática
  • Crescimento de 178%, com salário médio de R$ 10.267

    Professor de nível superior na educação infantil
  • Crescimento de 178%, com salário médio de R$ 3.844

    Educador social
  • Crescimento de 137%, com salário médio de R$ 2.218

    Gerente de serviços de saúde
  • Crescimento de 125%, com salário médio de R$ 6.860

    Técnico em saúde bucal
  • Crescimento de 121%, com salário médio de R$ 2.609


Psicólogo clinico

  • Crescimento de 119%, com salário médio de R$ 4.081


Economia do Turismo 

  • Turismólogo
  • Crescimento de 600%, com salário médio de R$ 4.457
  • Mordomo de hotelaria
  • Crescimento de 100%, com salário médio de R$ 2.796

Fonte: Tribuna Online – confira aqui