Faculdades correm para melhorar notas no Enamed, mas deixam formação em segundo plano

Instituições ampliam atividades voltadas ao exame, mas presidente da APM alerta para o risco de melhorar o desempenho na prova sem enfrentar problemas na formação médica

APM na imprensa

Faculdades com notas ruins no Enamed mudam avaliação de alunos e recorrem a cursinhos

Faculdades de medicina que tiveram notas ruins na primeira edição do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) adotaram uma série de estratégias para tentar conseguir um desempenho melhor de seus estudantes e, assim, evitar novas sanções do Ministério da Educação.

Algumas instituições alteraram atividades pedagógicas, formas de avaliação e até mesmo contrataram cursinhos especializados para preparar melhor seus alunos para a prova. A segunda edição do Enamed acontece neste domingo (13). A prova é voltada para os concluintes da graduação.

Antônio José Gonçalves, presidente da APM (Associação Paulista de Medicina) e professor titular da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, vê com preocupação as ações adotadas por algumas instituições.

“Elas estão trocando a parte mais importante da formação médica no 5º e 6º ano, que é quando deveriam começar efetivamente a atender pacientes, por atividades com robôs e máquinas. E, mais grave, estão tirando os alunos do internato [estágios obrigatórios em hospitais e ambulatórios] para assistir aulas de cursinho.”

“Invariavelmente, a nota do Enamed pode até subir, mas a qualidade da formação médica, não”, diz Gonçalves.

Fonte: Folha de São Paulo – confira