Gilberto Natalini participa da live “Meio ambiente, o clima e a Saúde”, da SES-SP

Coordenador da Comissão dos Médicos pelo Meio Ambiente e pelo Clima da APM esteve acompanhado de Albertina Duarte e Vital Ribeiro

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Dando continuidade à série de atividades que vêm sendo promovidas pela Comissão dos Médicos pelo Meio Ambiente e pelo Clima da Associação Paulista de Medicina, no intuito de salientar de que forma as condições climáticas estão diretamente associadas à Saúde, o coordenador do grupo, Gilberto Natalini, participou na última quarta-feira, 3 de junho, de uma live promovida pela Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, acompanhado da coordenadora do Programa do Adolescente de São Paulo, Albertina Duarte, e do presidente do Conselho do Projeto Hospitais Saudáveis, Vital Ribeiro.

Segundo Natalini, desde o começo de sua atuação profissional já sabia que as doenças dos pacientes dependiam do meio em que viviam e de seus hábitos de vida. “Além de atender e operar pacientes, aprendi a trabalhar com a questão do meio ambiente, então virei o cirurgião ambientalista, algo que é bem raro, e estou nisso há 50 anos. Procurei me atualizar, operei 17 mil seres humanos, aproximadamente, e participei ativamente na sociedade nas lutas que o meio ambiente trava para preservar o Planeta e a Saúde humana.”

O médico também aproveitou a oportunidade para relembrar como surgiu a Comissão do Clima da APM. “Com esse intuito, levei para o presidente da APM, Antonio José Gonçalves, a proposta de criarmos um núcleo para dar aos médicos a consciência ambiental para a ação, porque eu acho que eles ainda estão muito fora desse debate de mudanças climáticas e degradação ambiental. E a voz do médico ainda é muito forte, por isso, temos a obrigação de levar essa mensagem e estamos tendo muita atividade.”

Ele também mencionou a participação na COP30 (30ª Conferência das Partes da Organização das Nações Unidas – ONU), realizada em novembro do ano passado, em Belém do Pará. “Elas são reuniões muito difíceis, porque são mais de 200 países e cada um tem uma ideia, mas estamos caminhando, não na velocidade que precisaríamos e gostaríamos. Mas os países vão avançando no sentido de preparar o mundo para dar uma matriz energética mais limpa e contribuindo para proteger a natureza.”

Engajamento
Uma das maneiras de fazer com que as ações em prol do meio ambiente sejam efetivas é despertar o interesse dos mais jovens em relação ao tema. Neste sentido, Albertina Duarte comentou sobre o trabalho do plantio de árvores que vem sendo realizados com os adolescentes. “Acho que hoje a questão do Planeta mexe muito com o jovem, então é um momento de união para chegarmos neles e despertar a atenção para isso.”

O contato com a natureza também é uma medida eficaz para preservar a questão da Saúde mental – tão debatida atualmente. “Nós vivemos uma crise de valores e social, do ponto de vista das perspectivas do ser humano. Precisamos colocar as pessoas no centro da atenção, da política pública urbana, da educação e da economia para desarmar a bomba de crescimento contínuo da patologização de todos os problemas”, disse Vital Ribeiro.

Para Natalini, a questão ambiental tem impactos sérios na Saúde mental da população e está atrelada a sensações de desamparo, desespero e aumento no número de casos de depressão. “Quem tem consciência sabe que isso está acontecendo e não conseguimos ver uma saída. Quem é de São Paulo, por exemplo, sabe de que forma estão sendo tratados os mananciais de água da nossa cidade e que daqui um tempo não teremos mais água para beber. Nós ficamos nos perguntando como podemos sair dessa.”

O médico também acrescentou: “Mas não quero deixar uma mensagem de desesperança, nós já enfrentamos situações muito difíceis, só que agora a situação é diferente porque o inimigo está no ar e nós não conseguimos enxergá-lo. Mas vamos achá-lo e descobrir uma saída para o mundo superar essa crise ambiental, humanitária, social e política”.

Plantio de árvores
Durante o encontro, os participantes abordaram as ondas de calor e relembraram a gravidade deste problema, que tende a se tornar cada vez mais nocivo nos próximos anos. Eles relembraram que o plantio de árvores é a forma mais efetiva para refrescar as cidades e garantir o cuidado da população.

“A árvore é o ar-condicionado que Deus nos deu”, disse Natalini. “Plantei e semeei na minha vida cerca de 30 mil árvores. Temos que plantar, mas a árvore certa, no lugar certo e na hora certa. Plantar e cuidar, senão ela não consegue sobreviver. A árvore e a proteção às florestas são o caminho para combater o aquecimento do planeta.”

Albertina relembrou de uma viagem que fez à Finlândia, em que uma habitante do país lhe mostrou uma árvore que havia plantado. “Lá estava cravado o nome o ano em que ela plantou. Ela me explicou que quando as crianças entram na escola, escolhem uma árvore e dão um nome para ela. Eu queria que aqui fosse assim também e acho que podemos pensar nisso, de que cada criança que entrar na escola tenha uma árvore e cuide dela.”

Vital relembrou que equalizar a distribuição das árvores ao redor da cidade é uma medida efetiva. “Elas mudam o clima. Sabemos que as ondas de calor afetam de forma desigual a população, então temos alguns bairros em São Paulo em que uma árvore é plantada após a outra, enquanto em outros o espaço que seria dedicado para o verde já está completamente tomado, tornando o ar dessas regiões mais quente e mais poluído.”

Finalizando, Natalini comentou sobre uma pesquisa que dizia que 93% das pessoas já tinham ouvido falar dos problemas ambientais, mas que somente 27% se dispunham a fazer algo para mudar a situação. “Tem uma grande diferença entre intenção e gesto. A nossa grande tarefa é ganhar a mente e o coração das pessoas, porque quando chamarmos para a ação aqueles que estão vivendo esses problemas e ganharmos essas consciências, nós ganharemos o jogo.”

Fotos: Reprodução live