Entre os dias 15 e 17 de maio, as principais lideranças da Associação Paulista de Medicina e de suas Regionais se reuniram em Águas de São Pedro (SP) para o 8º Encontro de Líderes da instituição. Eles debateram temas como o Exame Nacional de Proficiência em Medicina, nova proposta de Governança para a residência médica, ações judiciais da Associação Médica Brasileira contra a Ordem Médica Brasileira, administração e serviços da APM, casos de sucesso das Regionais e integração associativa, entre outros.
“A presença de cada um aqui traduz compromisso, espírito associativo e, acima de tudo, dedicação à Medicina e à sociedade paulista. A força da nossa Associação Paulista de Medicina nunca esteve apenas em sua história, embora tenhamos muito orgulho dela. Mas, principalmente, na capacidade de reunir pessoas comprometidas com um propósito comum. Somos uma instituição construída pelo trabalho coletivo, pela diversidade de ideias e pela união de lideranças espalhadas pelo nosso estado de São Paulo”, destacou o presidente da APM, Antonio José Gonçalves, durante a abertura do evento, na sexta (15) à noite.
E enfatizou que muito mais do que uma reunião administrativa, “este encontro é um espaço de escuta, integração e, principalmente, construção de caminhos”. O presidente da APM ainda completou: “Tenho convicção de que este encontro fortalecerá ainda mais nossos laços e renovará nosso entusiasmo para que possamos compartilhar experiências bem-sucedidas, discutir as dificuldades com muita transparência e construir soluções. A Medicina precisa de lideranças comprometidas, de instituições fortes e de união. E é exatamente isso que vemos aqui hoje”.

O secretário executivo da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, José Luiz Gomes do Amaral, também prestigiou o evento. “Eu sou associado desde os anos 1980, mas foi a partir de 1995 que eu tive o privilégio de fazer parte da Direção da APM quase que ininterruptamente, e posso dizer que nós estamos vivendo um grande momento. Nestes 30 anos, eu nunca vi a Associação Paulista de Medicina nem a Associação Médica Brasileira em momentos tão bons, portanto, o que as últimas gestões fizeram foi uma revolução do associativismo”, afirmou.
Em relação ao trabalho da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo nos últimos anos, ele enalteceu as boas escolhas do secretário Eleuses Paiva, que permitiram melhorar o processo de regionalização, crucial para poder aproveitar toda a estrutura de Saúde do estado. “Não precisamos ter muitos equipamentos concentrados em uma determinada região onde a demanda não é tão grande, mas por outro lado também não podemos ter regiões com grandes vazios. Procuramos mapear o que tem de melhor em cada região e o que falta, para poder redistribuir os recursos conforme a demanda”, resumiu.

Política médica
O primeiro painel, sobre política médica, teve como temas a tramitação no Senado do Exame Nacional de Proficiência em Medicina, com apresentação do diretor Científico da AMB, José Eduardo Lutaif Dolci; uma nova proposta de governança para a Residência Médica no Brasil, com o diretor de Eventos da APM e membro da Comissão Nacional de Residência Médica, Fernando Sabia Tallo; e as ações judiciais da Associação Médica Brasileira contra a Ordem Médica Brasileira, com o diretor de Patrimônio e Finanças da APM e secretário geral da AMB, Florisval Meinão.
“A proliferação de escolas médicas sem critérios gera agravamento das deficiências da formação e impacto na segurança dos pacientes. E hoje, se você perguntar para qualquer um dos membros das Comissões do Senado, todos são a favor do Exame de Proficiência. O impasse está em quem faz a prova. O projeto de lei do senador Astronauta Marcos Pontes estabelece que quem faz a prova é o Conselho Federal de Medicina, e o Governo Federal quer que quem faça a prova seja o Ministério da Educação”, informou Dolci.
Fernando Tallo, por sua vez, apresentou o padrão da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para garantir a segurança assistencial em relação à residência médica – de forma que a política pública fica a cargo do Executivo; a prestação formativa com os hospitais e universidades; a regulação normativa com uma instância regulatória técnica; a supervisão com um corpo técnico especializado; a aplicação regulatória com câmaras técnicas autônomas e a avaliação com uma unidade técnica específica -, e destacou que, no Brasil, muitas funções conflitantes entre si estão sob a responsabilidade da Comissão Nacional de Residência Médica.
“A criação da Ordem Médica Brasileira trouxe a público um debate muito importante sobre certificação médica, título de especialista, regulação profissional e segurança da assistência médica. Foi uma primeira tentativa de criar um sistema paralelo de concessão de título de especialista, à margem das regras oficiais, que são a residência médica ou o título da AMB. Já existe também a Associação Brasileira de Médicos com Expertise de Pós-Graduação (Abramepo). Ainda que tenhamos conseguido bloquear judicialmente as tentativas da OMB, o objetivo deles é criar na sociedade uma confusão a respeito de quem concede o título de especialista. Temos que defender o título de especialista junto à Associação Médica Brasileira, que é uma garantia de qualidade ao paciente”, resumiu Florisval Meinão.
A mesa foi presidida por Antonio José Gonçalves e teve como moderadora a 1ª secretária da Assembleia de Delegados da APM, Ana Zollner. Como debatedores, participaram o diretor de Previdência e Mutualismo da APM e diretor Acadêmico da AMB, Clóvis Constantino; e o diretor Científico da APM, Paulo Pêgo Fernandes.

Administração x gestão x comunicação
Ainda na sexta-feira (15), o segundo painel teve apresentações do diretor Executivo da Comissão Especial de Médicos Jovens da APM, Guilherme Marques, “Entendendo a Linguagem dos Médicos Jovens”; do diretor de Previdência e Mutualismo da APM, Antonio Carlos Endrigo, “Banco de dados, integração de sistemas e cobrança compartilhada”; e dos diretores de Marketing e de Serviços aos Associados da APM, Walter Miyamoto e Diana Santana, respectivamente, “O caso TotalPass – análise crítica”.
“Entender os médicos jovens não é aprender gírias. É compreender o contexto que os formou e decidir se a instituição vai falar sobre eles ou construir com eles”, enfatizou Guilherme Marques em sua apresentação. Ele ainda apresentou seis elementos fundamentais da nova “gramática médica”: insegurança formativa, pressão econômica, reputação digital, excesso de informação, busca de pertencimento e desejo de protagonismo.
Antonio Endrigo apresentou a solução AMB Conecta, que reúne e simplifica o cadastro e a cobrança da Associação Nacional, de suas 27 Federadas e das Regionais dessas Federadas, de forma a proporcionar unificação e uniformização das informações de cadastro, maior segurança dos dados, ampliação das possibilidades dos meios de pagamento da contribuição associativa e divisão das receitas de forma mais rápida entre as instituições.
Finalizando o bloco, Walter Miyamoto e Diana Santana apresentaram a parceria da APM com a TotalPass, que ampliou o número de associados em mais de 30 mil pessoas desde janeiro deste ano e consequentemente trouxe muito mais acesso e visibilidade ao site e demais canais de Comunicação da entidade. ”Isso foi fruto de um trabalho de equipe, com certeza se a gente não tivesse um time como esse aqui, o pessoal do Marketing, dos Serviços aos Associados, a Comissão de Médicos Jovens e todas essas outras lideranças e Diretorias trabalhando juntas, a gente não teria o sucesso que temos agora e que vamos ter ainda mais”, celebrou Diana.
Com presidência do diretor Administrativo da APM e 1º Tesoureiro da AMB, Lacildes Rovella Júnior, o bloco teve moderação de Florisval Meinão e como debatedores Clóvis Acúrcio Machado, diretor de Patrimônio e Finanças da APM, e Gabriel Senise, diretor Geral da Comissão Especial de Médicos Jovens da Associação.

AMB, APM e suas Regionais
Situação atual da APM e perspectivas foi um dos temas apresentados na manhã do sábado (16), pelo presidente da Associação, Antonio José Gonçalves; na sequência, “A AMB nos últimos anos – avanços”, com o presidente da AMB, César Eduardo Fernandes; e “Perspectivas da AMB”, com José Eduardo Dolci. A mesa foi presidida pelo vice-presidente da APM João Sobreira de Moura Neto e teve como moderador Jorge Curi, diretor de Responsabilidade Social, e como debatedores Ana Beatriz Soares, diretora Social, e Juliana Medina, diretora da 10ª Distrital da APM.
Em sua apresentação, Gonçalves enalteceu o aumento recente de associados, que já ultrapassaram a marca de 55 mil, os resultados financeiros dos últimos três anos, as reuniões itinerantes com as 14 Distritais e os repasses financeiros às Regionais. “Estamos procurando investir para melhorar a nossa receita e poder atender cada vez mais não só a sede em São Paulo, mas também as nossas Regionais em todo o estado.”
César Fernandes, por sua vez, resumiu a reconstrução da Associação Médica Brasileira nos últimos seis anos, com base na reorganização institucional, recuperação financeira, modernização e protagonismo na representação dos médicos brasileiros. “Tenho muito orgulho da gestão que este grupo da Diretoria da AMB fez, foi uma verdadeira reconstrução da nossa entidade, que hoje tem R$ 60 milhões em caixa e chegou ao protagonismo que precisa ter. Esse protagonismo não é da Diretoria, é da instituição. Tivemos uma trajetória de transformação institucional, científica, política e patrimonial”, complementou.
Fechando o painel, José Eduardo Dolci destacou o papel das entidades médicas nos próximos anos, o que inclui ajudar a aprovar o Exame Nacional de Proficiência; transformar o Decreto Lei 8.516/2015, que estabelece a concessão de títulos de especialista pela AMB, em lei; aproximar a AMB do Conselho Federal de Medicina e Congresso Nacional de forma mais efetiva; e incentivar as sociedades de especialidades a ampliarem seus centros de ensino e treinamento, para aumentar o número de especialistas com qualidade.

Cases das Regionais
O secretário geral da APM, Paulo Mariani, falou sobre a logística e importância das eleições da Associação Médica Brasileira, Associação Paulista de Medicina e suas Regionais, que acontecem no próximo mês de agosto.
Na sequência, a advogada responsável pela Assessoria Jurídica da APM, Francine Curtolo, abordou a opção de “dação em pagamento” como alternativa de sustentabilidade para os imóveis das Regionais. “Como uma associação sem fins lucrativos, somos regidos pelo princípio da não lucratividade, o que significa que toda fonte de recurso da entidade é decorrente das atividades previstas em Estatuto, e elas devem obrigatoriamente ser revertidas à manutenção e ao desenvolvimento dos objetivos institucionais”, ressaltou.
O presidente da APM Assis, Juarez de Paula, apresentou o case de integração associativa de sua Regional, que em março deste ano atingiu 208 associados acadêmicos, 96 efetivos, 20 remidos e 17 aspirantes. Também contou sobre o sucesso do Programa de Educação Continuada: “Nossas aulas são às quartas-feiras, com 70, 80% de frequência, e consultando os alunos para saber o que eles mais gostavam, por incrível que pareça eles citaram o convívio com os médicos mais velhos”.
A presidente da APM Fernandópolis, Amanda Oliva Spaziani, contou que, em 2023, encontrou a Regional com dificuldades muito semelhantes às de muitas entidades médicas do País, com redução no quadro associativo, déficit financeiro e baixa participação dos associados. Para reestruturar a Regional, tem promovido uma aproximação com os acadêmicos e residentes da cidade, cursos hands on, ACLS e outros eventos científicos e sociais. “Reestruturar uma Regional não é recuperar uma instituição. É reconstruir uma comunidade médica. Quando a Regional volta a fazer sentido, ela deixa de sobreviver e volta a crescer.”
O debate foi presidido pela secretária geral da APM e 1ª secretária da AMB, Maria Rita de Souza Mesquita e teve como moderador Paulo Mariani. Os debatedores foram os diretores Distritais Thereza Machado de Godoy (1ª) e Éder Carvalho Souza (11ª).

Fernando Tallo, que também é diretor Geral do Instituto de Ensino Superior da APM (IESAPM), mostrou os cursos da instituição que podem ser realizados nas Regionais. “O Paulo Mariani acabou de falar da força do interior. Então, eu quero que vocês abracem o IESAPM. Não só porque é importante ensinar, e temos esse contingente enorme de médicos generalistas que precisam complementar sua formação, mas porque o IESAPM pode ser uma fonte de receita para as Regionais também.”
Encerrando as apresentações, Antonio Gonçalves falou sobre a integração associativa, que foi concluída com sucesso nas Regionais de Assis, Ourinhos e Tupã, está em curso nas Regionais de Ribeirão Preto e de São José do Rio Preto e em fase de estudo nas Regionais de Santos, Indaiatuba, São João da Boa Vista, Franca, Mococa e Andradina. “Não é culpa de ninguém que foram sendo aceitos associados apenas das Regionais ao longo do tempo, mas é importante que todos sejam associados também da APM Estadual e da AMB, para que o movimento associativo seja fortalecido”, comentou.
Durante os dias do evento, diversos representantes das Regionais se manifestaram, dividindo com os presentes seus casos de sucesso, dúvidas e necessidades específicas.












Palestras
Os participantes do 8º Encontro de Líderes da APM também acompanharam duas palestras, sobre a importância de se comunicar, com o assessor de imprensa da Associação, Ed Castro, e comentários dos diretores de Comunicações e de Marketing, respectivamente Marcos Cabello dos Santos e David Alves de Souza Lima; e sobre a Reforma Tributária, com o especialista em Direito Tributário Renato Nunes e comentários do vice-presidente e do diretor de Defesa Profissional da APM, Roberto Lotfi Júnior e Marun David Cury, respectivamente.


Texto e fotos: Giovanna Rodrigues