Na última quarta-feira, 8 de julho, a Comissão Estadual de Honorários Médicos – grupo liderado pela Associação Paulista de Medicina – realizou mais uma reunião de negociação com as operadoras dos planos de saúde. O encontro aconteceu na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e os representantes apresentaram a pauta de 2026/2027 [confira abaixo] para a Porto Seguro Saúde.
A reunião contou com a presença de Marun David Cury, diretor adjunto de Defesa Profissional da APM; Guilherme Marques, diretor Executivo da Comissão Especial de Médicos Jovens da entidade; e Marcos Pimenta, assessor médico da Diretoria da Associação.
Também participaram o gerente executivo do Departamento do Complexo Produtivo e Econômico da Saúde e Biotecnologia da Fiesp (deComSaúde), Luiz Monteiro Filliettaz, e os representantes da Porto, Adilson Cunha, gerente de relacionamento da instituição, e Ronei Silva, superintendente de Rede Credenciada e Sinistros. Virtualmente, por meio da plataforma Zoom, esteve Carlos Magno, 2º tesoureiro do Conselho Federal de Medicina.
Perspectivas
Marun Cury explicou que o objetivo da reunião é alertar sobre a importância da valorização dos médicos e relembrou os desafios que a classe precisa lidar. “Nós continuamos preocupados com a sustentabilidade do sistema de Saúde suplementar e estamos lutando, dentro das possibilidades que temos, para diminuir a sinistralidade, alertando os médicos a não pedirem exames exageradamente e reforçando para que façam uma boa história e sejam objetivos.”
Guilherme Marques reforçou que a Associação Paulista de Medicina é a única entidade representativa que, de fato, defende o médico, baseando suas ações nesta premissa. “Eu conto muito com os senhores para que consigamos melhorar também os repasses e valorizar o médico, que segue um protocolo muito bem-estabelecido, pautado em evidências e economia de Saúde. Podem contar com a APM para colocá-los como pessoas que estão do lado do médico e, principalmente, da valorização profissional.”
Descrevendo como foi elaborada a pauta de negociação, Marcos Pimenta trouxe o estabelecimento da porcentagem de 15% de reajuste. “Quando colocamos esse número foi focando em manter o mercado equilibrado. O que estamos procurando é acordar as receitas, a negociação, conversar e argumentar. Vamos ver para onde vai, porque vocês, da Porto, são muito bem-quistos pela classe médica.”
Carlos Magno apreciou a ação da APM no sentido da busca por melhores condições profissionais. “É o terceiro ano que sou convidado pela Associação Paulista de Medicina para participar das negociações junto às operadoras de planos de saúde, no sentido de recuperar parte das perdas que tivemos ao longo dos anos. Gostaria de parabenizar esta iniciativa, que está cada vez mais forte. Acho que ter essa facilidade e estar dentro da Fiesp é um diferencial. A atitude da APM de sentar-se com vocês e tentar fazer uma coisa justa para ambos os lados é o que a gente deseja para a Porto e para qualquer outra operadora de saúde do Brasil.”
Luiz Filliettaz agradeceu a disposição dos representantes em ouvirem as demandas em relação à valorização dos médicos. “Estamos olhando de uma maneira cada vez mais atenta e buscando a capacitação do gestor de Saúde corporativa na indústria, para que possamos olhar questões mais profundas. A vida do trabalhador precisa ser bem cuidada, isso prevê uma classe médica de qualidade e mais bem remunerada, e estamos olhando de uma maneira bem profunda para essas questões. Eu acho que vocês também deveriam pleitear todo apoio necessário à classe médica, porque a sustentabilidade da Saúde suplementar passa por uma voz ativa de ambos os lados.”
Os representantes da Porto apresentaram suas considerações sobre a pauta, salientando que analisarão a fundo as propostas do acordo, ressaltando que a data limite para notificar os prestadores de serviço a respeito de mudanças no contrato é 31 de julho.
“Desde que assumi a Porto, percebi que ela privilegia muito o médico credenciado e talvez seja uma das únicas, hoje, que reajusta automaticamente na base do contrato, respeitando o compromisso que tem com todos os médicos. Nós respeitamos a APM e estamos sempre aqui, fazemos isso há pelo menos uns dez anos, então sempre estivemos juntos. Vamos analisar e ponderar a proposta, porque a Porto não passou um ano sequer sem dar reajuste contratual, e na grande maioria desses anos, acima do IPCA”, complementou Adilson Cunha.


Pauta de Negociação 2026/2027
- Reajuste de honorários médicos de 15%, independente da forma de contratualização (celetista, horista, plantonista, pacotes, por serviço prestado e outros);
- Na remuneração/cálculo de honorários, utilização de percentualização entre portes de procedimentos previstos pela CBHPM;
- Discussão com entidades médicas, previamente à sua adoção, de quaisquer formas diferenciadas de remuneração que não seja o pagamento por serviços prestados;
- Não descredenciamento imotivado de rede credenciada prestadora.
Texto e fotos: Julia Rohrer