Ministério da Saúde divulga boletim sobre Exposição a Substâncias e Contaminantes Químicos

Estudo trouxe dados sobre intoxicações gerais, por agrotóxicos, mercúrio e chumbo

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Em nova edição do Boletim Epidemiológico, o Ministério da Saúde divulga os dados da “Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Substâncias e Contaminantes Químicos”. A contaminação é configurada como a exposição a diferentes agentes tóxicos, como medicamentos, agrotóxicos raticidas, drogas de abuso, plantas tóxicas, entre outros. De acordo com dados da pesquisa, ingestão, inalação ou contato acidental com produtos químicos foram responsáveis por aproximadamente 346.000 óbitos em nível mundial.

No Brasil, as informações apontam que, entre 2009 e 2018, o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) tenha acumulado 254.135 casos notificados no País e 710 óbitos por intoxicações. No entanto, os valores tendem a estar subnotificados, já que as estimativas se baseiam em um número limitado de agentes químicos. Além disso, é importante salientar que a pesquisa aponta que 71% das intoxicações seriam evitáveis por meio de medidas adequadas de segurança química.

Resultados

O uso de medicamentos é o principal agente toxicológico relacionado às infecções, responsável por 53,1% do total de casos (882.932), seguido por drogas de abuso, com 12,5% das notificações (208.692), e agrotóxicos, totalizando 8,6% (142.877).

O perfil dos pacientes expõe que a maior parte dos casos ocorre com o sexo feminino, com 59,3% do total de notificações (986.842). A faixa etária mais afetada é a de adultos jovens, concentrando 25,2% dos casos (418.548) – para eles, a maior parte dos registros está diretamente relacionada ao uso de medicamentos (55,8%, 233.421), drogas de abuso (15,4%, 64.400) e agrotóxicos (7,9%, 33.071). Também há um elevado percentual de notificações em menores de 14 anos, somando mais de 18,7% casos (311.950), e em crianças entre um e quatro anos, com 9,1% (152.067) dos casos registrados, o que chama a atenção das autoridades.

Em relação à raça/cor dos pacientes, a maior parte dos casos foi entre os autodeclarados negros, com 45,6% das notificações (759.377), e os autodeclarados brancos, com 39,4% (654.665). Já a escolaridade corresponde entre cidadãos com o ensino médio completo, 15,3% (253.764).

A exposição a essas ocorrências aconteceu, em maior parte, na residência, totalizando 71% de notificações (1.181.039). Mais da metade dos desfechos dos casos resultaram em cura sem sequela (75,6%, 1.258.215) e os óbitos correspondem a 0,8% (13.108) dos registros.

Intoxicação por agrotóxicos

Atualmente, o Brasil é o principal consumidor de agrotóxicos no Planeta e o uso em larga escala traz reflexos nocivos à Saúde da população – sendo este um problema de Saúde pública em nível global. Deste modo, entre janeiro de 2015 e dezembro de 2024, 142.877 casos de intoxicação por agrotóxicos foram registrados no País, 50,4% em circunstâncias intencionais e 44,8% não intencionais.

Pacientes do sexo masculino correspondem a 56,6% (80.848) do total de casos. Neste contexto, a faixa etária predominante foi de indivíduos entre 20 e 29 anos, somando 23,1% das notificações (33.071); a raça/cor com maior número de notificações foi a negra, com 50,3% (71.797); e em relação à escolaridade, 19,1% (27.291) tinham o ensino fundamental incompleto.

O Sudeste foi a região brasileira com o maior número de notificações, 37,6% (53.734); seguido pelo Nordeste, 23,4% (33.376); Sul 20,2% (28.899); Centro-Oeste, 11,1% (15.867); e Norte, com os menores percentuais, 7,7% (11.001).

Intoxicação por mercúrio e chumbo

O Boletim Epidemiológico expõe que metais como mercúrio e chumbo correspondem a menos de 1% de casos de intoxicações exógenas no Brasil. No entanto, por possuírem uma forte relevância toxicológica e terem capacidade de gerar efeitos irreversíveis, se classificam como importante risco à Saúde da população, tanto pelos aspectos agudos e letalidade quanto pelos desfechos crônicos a eles associados.

Entre 2015 e 2024, 2.375 casos de infecção por mercúrio foram notificados no Brasil, sendo que, destes, 1.312 foram confirmados – uma taxa de confirmação de 55,2%. A maior parte deles foi registrada em pacientes do sexo masculino (56,3%, 1.337), sendo predominantemente em indivíduos negros (33,8%, 803) e com a faixa etária mais acometida na idade inferior a sete anos (47,8%, 1.136). Sudeste e Norte foram as regiões que apresentaram o maior número de notificações no período analisado.

Mais da metade dos casos evoluiu para cura sem sequela (55,3%, 1.313), enquanto 8,4% (200) seguiu para cura com sequela. Outras dez infecções por mercúrio evoluíram para óbitos.

Já as informações referentes às intoxicações por chumbo demonstram que na América Latina e no Caribe, , especialmente no Brasil, a maior parte da população desconhece os riscos dessa contaminação – que pode provocar a produção de hemoglobina e causar danos severos aos sistemas nervoso central e periférico, bem como aos sistemas reprodutivo, imunológico e cardiovascular, afetando, também, fígados e rins.

A análise feita entre os anos de 2015 e 2024 indica que 1.546 casos de infecção exógena por chumbo foram registrados no Brasil. Destes, 69,3% (1.071) foram registrados em homens, enquanto 30,7% (475) foram em mulheres – em ambos os sexos, a exposição acidental é a principal causa da contaminação.

O campo raça/cor aponta que a maior parte das notificações foi em pessoas autodeclaradas negras, correspondendo a 47,4% (733). Há uma predominância no número de casos registrados em pacientes entre um e quatro anos, correspondendo a 35,4% (547) das notificações. Deterioração de tintas nas residências, contaminação do solo e da água, utensílios de cozinha coloridos e objetos contaminados são alguns dos fatores associados à intoxicação de crianças.

O Ministério da Saúde alerta para a necessidade de redobrar a atenção intradomiciliar, já que é no ambiente residencial que estão concentradas as taxas dos casos, salientando os riscos da contaminação por crianças que estão em fase do desenvolvimento do sistema nervoso central e reforçando os perigos da subnotificação, que impede dimensionar o grau deste problema para que, assim, sejam desenvolvidas políticas públicas de combate.