Novo Boletim Epidemiológico apresenta as hepatites virais no Brasil

Entre os anos de 2000 e 2025, o País registrou 863.097 casos confirmados da doença

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O Ministério da Saúde divulgou Boletim Epidemiológico sobre as Hepatites Virais, trazendo os dados de casos confirmados e óbitos decorrentes dos vírus A, B, C e D registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) entre os anos de 2000 e 2025.

As hepatites virais permanecem como um desafio crítico para a Saúde pública no Brasil e no mundo, tanto por sua elevada magnitude quanto pela capacidade de provocar infecções crônicas, cirrose, carcinoma hepatocelular e óbito, com atenção especial para a gravidade dos vírus B e C. No acumulado desse período, o País notificou 863.097 casos confirmados da doença.

Casos confirmados

A hepatite A contabilizou 179.789 casos no período. A análise da faixa etária aponta uma mudança expressiva no perfil recente dos infectados: embora quase metade dos registros acumulados entre 2000 e 2025 tenha ocorrido em crianças menores de dez anos, em 2025 as maiores taxas foram observadas entre adultos jovens.

Após atingir um mínimo histórico em 2020 e 2021 com 0,2 caso por 100 mil habitantes, a taxa de detecção subiu gradativamente até alcançar 2,2 em 2025, concentrando-se principalmente no Sudeste (3,6) e no Sul (2,7).

Já a hepatite B soma 315.074 diagnósticos confirmados. A maioria dos registros concentrou-se nas regiões Sudeste e Sul, responsáveis por 33,8% e 30,7% dos casos, respectivamente. O vírus afetou mais homens (173.985 casos) do que mulheres (141.017 casos). Após acentuada redução em 2020 (3,8 casos por 100 mil habitantes) e posterior recuperação, a taxa fechou 2025 em 5,2 casos por 100 mil habitantes, com maior incidência no Norte (10,0) e no Sul (9,2).

A hepatite C registrou o maior número acumulado, com 361.419 infecções (206.388 em homens e 154.895 em mulheres), lideradas pela região Sudeste, que somou 206.966 casos. A série histórica teve uma alteração importante em 2015 devido à mudança no critério epidemiológico de definição de casos.

Vale ressaltar que a cura da hepatite C não garante imunidade permanente, o que significa que pessoas tratadas podem contrair uma nova infecção ao serem reexpostas e devem ser notificadas novamente. Em 2025, a taxa de detecção da hepatite C ficou em 8 casos por 100 mil habitantes, destacando-se o Sul (14,8) e o Sudeste (9,4).

Por fim, a hepatite D acumulou 4.831 registros, mantendo expressiva concentração regional no Norte, que respondeu por 71,8% do total nacional, com 3.469 casos. A doença afetou 2.831 homens e 1.998 mulheres, com forte domínio entre adultos. No acumulado histórico, as faixas etárias mais atingidas foram de 35 a 39 anos (614 casos), 30 a 34 anos (604), 25 a 29 anos (582), 40 a 44 anos (552) e 20 a 24 anos (526).

Em 2025, o pico deslocou-se para idosos com 60 anos ou mais (18 casos), seguidos pelas faixas de 45 a 49 anos (15), 40 a 44 e 55 a 59 anos (11 cada), e 30 a 34 e 50 a 54 anos (9 cada). Por ser um vírus defectivo que necessita da presença do HBV para se replicar, a vigilância e a investigação da hepatite D devem atuar articuladas à da hepatite B, especialmente em áreas de maior risco.

Mortalidade por causa básica

Hepatite A

Foram registrados 1.061 óbitos por hepatite A como causa básica no Brasil entre 2000 e 2025. No ano de 2025, ocorreram 40 mortes, resultando em uma taxa de mortalidade de 0,02 óbitos por 100 mil habitantes. A região Sudeste liderou os registros com 22 mortes, e os óbitos concentraram-se predominantemente em idosos de 60 anos ou mais.

Hepatite B

O vírus provocou 11.256 mortes acumuladas no período, afetando de forma desproporcional o sexo masculino, que somou 8.079 óbitos (71,8%), enquanto o sexo feminino respondeu por 3.177 mortes (28,2%). Em 2025, foram anotados 307 óbitos (taxa de 0,1 por 100 mil habitantes), dos quais 223 ocorreram em homens e 84 em mulheres. O Sudeste registrou a maior mortalidade do último ano (94 mortes), seguido do Norte (73) e do Nordeste (62).

Hepatite C

Sendo a hepatite de maior mortalidade, totalizou 38.159 óbitos como causa básica no acumulado histórico (23.256 homens e 14.898 mulheres). No último ano, ocorreram 780 mortes, das quais 503 foram no sexo masculino e 369 concentraram-se na região Sudeste. A taxa de mortalidade por hepatite C apresenta tendência sustentada de queda desde 2016, tendo registrado uma redução de 6,6% em 2025 em relação a 2024 (que somou 835 óbitos).

Hepatite D

A infecção provocou 782 mortes entre 2000 e 2025. O Sudeste apresentou o maior volume de mortes acumuladas no período, com 107 registros, sendo o estado de São Paulo a unidade federativa com maior número de casos, contabilizando 62 óbitos.