Outubro Rosa em Piracicaba: além das campanhas, compromisso com o cuidado

Segundo a Prefeitura, foram realizadas 14.565 mamografias no primeiro semestre de 2025, contra 2.524 no mesmo período de 2024

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O Outubro Rosa precisa provocar uma avaliação concreta da assistência à mulher em Piracicaba. Há avanços: segundo a Prefeitura, foram realizadas 14.565 mamografias no primeiro semestre de 2025, contra 2.524 no mesmo período de 2024, acompanhadas do anúncio de eliminação da fila de espera. Entretanto, atender à demanda registrada não significa alcançar todas as mulheres que precisam de rastreamento. Quem enfrenta dificuldades para acessar a unidade, conseguir uma solicitação ou comparecer ao exame pode permanecer invisível às estatísticas. O volume de procedimentos deve ser acompanhado de informações sobre investigação concluída, estágio ao diagnóstico e acesso ao tratamento.

Os dados apresentados para o indicador Cuidado Integral à Saúde da Mulher reforçam essa preocupação. Entre 38 equipes de Atenção Primária, seis foram classificadas como regulares, 12 suficientes, 19 boas e uma ótima; entre 54 equipes de Saúde da Família, 41 foram consideradas suficientes e 13 boas.

Assim, 64,1% das 92 equipes ficaram nos níveis regular ou suficiente, e apenas uma alcançou o nível ótimo. Esse indicador não mede isoladamente o diagnóstico precoce do câncer de mama, mas oferece elementos para discutir a qualidade do acompanhamento. A análise deve considerar acesso, registros, condições de trabalho e integração da rede, evitando responsabilizar exclusivamente as equipes.

O relatório municipal do primeiro quadrimestre de 2026 apresenta 64,9% de cobertura estimada da APS e 35% no indicador de mamografia para mulheres de 50 a 69 anos nos últimos 24 meses, registrado como 100% da meta cumprida. Atingir uma meta administrativa, porém, não comprova acesso suficiente nem acompanhamento integral. A memória de cálculo utiliza quantidade de exames, exigindo cautela para interpretar o resultado como proporção de mulheres efetivamente acompanhadas. O mesmo relatório registra 35% no rastreamento do colo do útero, dimensão complementar da saúde da mulher. É necessário qualificar esses indicadores e acompanhar o percurso de cada paciente com resultado alterado.

A dimensão do câncer de mama exige também transparência epidemiológica. A Prefeitura informou 181 mortes de mulheres pela doença entre 2015 e 2018, dado histórico que não permite estabelecer a tendência atual. Para 2024, divulgou 371 novos casos de câncer em mulheres atendidas pela rede municipal, abrangendo diferentes tipos — portanto, esse número não representa a incidência específica de câncer de mama. Nas fontes consultadas, não foi localizada uma série municipal recente consolidada de incidência e estágio ao diagnóstico. Piracicaba precisa tornar esses resultados acessíveis, juntamente com os tempos até biópsia e tratamento. O compromisso do Outubro Rosa deve ser demonstrado pela continuidade da assistência e pelas vidas preservadas.

Alex Gonçalves, presidente eleito da Associação Paulista de Medicina – Piracicaba

Fonte: Folha de Piracicaba – confira