Palavra do Presidente: Um presente para São Paulo

No dia 29 de novembro, nossa Associação Paulista de Medicina completou 95 anos de fundação, com uma trajetória que reúne representatividade, defesa profissional e conquistas para a classe médica e para a Saúde da população. E como forma de celebrar esta data, a APM lançou a Demografia Médica do Estado de São Paulo

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No dia 29 de novembro, nossa Associação Paulista de Medicina completou 95 anos de fundação, com uma trajetória que reúne representatividade, defesa profissional e conquistas para a classe médica e para a Saúde da população. E como forma de celebrar esta data, a APM lançou a Demografia Médica do Estado de São Paulo em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), no início de dezembro.

Os dados, ainda que estarrecedores, são um verdadeiro presente para o estado, uma vez que vão nortear importantes discussões e políticas públicas nos próximos anos. O estado de São Paulo tem 4,28 médicos por mil habitantes – acima da média da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), de 3,7 – sendo que na região de Ribeirão Preto, que tem o maior índice do estado, o número é de 5,07 médicos por mil habitantes. Assim como na Demografia Nacional, o indicador de 40% de médicos generalistas, que não concluíram residência médica e/ou obtiveram o título de especialista, chama a atenção e mostra um grave problema que já sentimos todos os dias no sistema de Saúde. Apenas no nosso estado, há cerca de 80 mil médicos que atendem todo tipo de paciente em prontos-socorros, unidades básicas de saúde e outros – incluindo acidentados, infartados etc. – apenas com o conhecimento teórico da faculdade e o curto período de internato.

Continuaremos lutando pela residência médica de qualidade, que é atualmente o padrão ouro de formação, uma vez que oferece treinamento intenso, essencialmente prático e supervisionado, de 2.880 horas por ano, em períodos que variam de dois a cinco anos, dependendo da especialidade. É por esses médicos que nossa população merece ser atendida, especialmente nos momentos de maior vulnerabilidade.

Por fim, e igualmente grave, a Demografia Médica do Estado de São Paulo aponta a existência de 87 escolas médicas e 10.455 vagas de graduação em Medicina no nosso estado, das quais 90% são privadas. Trata-se da maior concentração de um problema que é nacional. A abertura desenfreada de faculdades de Medicina, a imensa maioria sem a qualidade necessária, infelizmente é uma batalha perdida.

Desta maneira, estamos lutando pela aprovação do Exame Nacional de Proficiência, que não vai resolver o problema das escolas, mas ao menos vai assegurar que apenas os profissionais que comprovem capacidade mínima possam atender nossos pacientes. Que os bons ventos de 2026 no tragam essa conquista. Boas festas a todos!

Antonio José Gonçalves
Presidente da APM
CRM-SP 25.374 | RQE-SP 18.049 e 19.162 – Especialista em Cirurgia Geral e de Cabeça e Pescoço

Texto publicado na edição 753 (nov/dez 2025) da Revista da APM