Panoramas da Demografia Médica do Estado de São Paulo são apresentados durante Fórum na Alesp

Evento simbolizou o lançamento da versão física do estudo

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Dando continuidade ao Fórum Paulista de Ensino e Qualidade da Assistência Médica, realizado no dia 26 de fevereiro, os participantes puderam conferir os resultados obtidos por meio do estudo Demografia Médica do Estado de São Paulo – elaborado entre Associação Paulista de Medicina (APM), Faculdade de Medicina da Universidade São Paulo (FMUSP) e Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP). O evento também marcou o lançamento da versão impressa da Demografia.

A mesa “Demografia Médica do Estado de São Paulo – A importância de dados confiáveis para elaboração de políticas públicas” contou com a palestra de Mário Scheffer, professor livre docente de Medicina Preventiva da FMUSP e coordenador do estudo, e com comentários de José Luiz Gomes do Amaral, secretário-executivo da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e vice-presidente da APM, representando o secretário Eleuses Vieira de Paiva.

Segundo Scheffer, a demografia representa um esforço de mais de 15 anos de pesquisa da Faculdade de Medicina da USP. “Realizamos na faculdade o estudo de Demografia Médica no Brasil, há várias edições. Agora, temos um novo recorte, com um olhar aprofundado sobre os dados da profissão médica no estado de São Paulo.”

Resultados

O estudo apresenta dados gerais referentes à distribuição de médicos em São Paulo, perfil, evolução, informações sobre especialistas e especialidades, além de dados sobre graduação e residência médica. Conforme demonstrou o coordenador da Demografia, apesar de a oferta de médicos em São Paulo ter crescido de forma muito acelerada, ela ainda é desigual entre os municípios – atualmente, o estado acumula mais de 200 mil médicos, mas as projeções indicam que nos próximos dez anos o contingente poderá chegar a quase 340 mil de profissionais.

O professor demonstrou que, na última década, foram abertos 40 novos cursos de Medicina em São Paulo, totalizando 5.600 vagas de graduação somente no estado. Ele também descreveu que do total de especialistas de São Paulo, aproximadamente 117 mil, 50% estão inseridos em especialidades relacionadas a problemas de Saúde prevalentes na população, como Clínica Médica, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Anestesiologia, Cardiologia e Ortopedia.

“Em algumas especialidades, mais de 80% dos médicos estão ligados às sociedades. Acredito que isso é importante e é um modelo que precisa ser fortalecido e ampliado, uma vez que que precisamos discutir a situação dos generalistas, que já somam quase 80 mil profissionais atuando e atendendo a população no estado de Estado de São Paulo. Precisamos acompanhá-los, saber quem são esses médicos e como se formaram”, destacou.

Scheffer falou sobre a importância da residência médica, lembrando que 30% dos médicos residentes do País realizam em São Paulo, que concentra mais de 200 instituições com mais de 1.400 programas. Além disso, aproveitou para reforçar a mudança no perfil dos médicos, que está se tornando mais jovem, feminino e com maior diversidade racial, apesar de ainda enfrentar muitos percalços, como sub-representação feminina em cargos de liderança e diferenças de renda.

Outro tópico abordado pelo coordenador da Demografia foram os desafios enfrentados pelos cirurgiões, cenário em que somente 6,6% deles trabalham exclusivamente no Sistema Único de Saúde; 64% têm múltiplos empregos, atuando em quatro ou mais serviços; 62% realizam múltiplos plantões; 80% trabalham no formato de contratação PJ (pessoa jurídica); e 74,1% tiveram cirurgias canceladas nos últimos seis meses. “Esses são dados que o gestor precisa levar em conta em cada região de Saúde e basear políticas públicas a partir dessa realidade.”

Comentários

Complementando a apresentação, José Luiz Gomes do Amaral evidenciou que a apresentação de um estudo desse porte possibilita que diversas dúvidas sejam sanadas, ao passo que expande a discussão acerca do tema e permite que novas perguntas surjam a respeito do assunto.

O médico reforçou a importância de uma educação de qualidade desde a base e defendeu a especialização, relembrando que, nas maiores potências do mundo, a residência médica é obrigatória. “O Ministério da Educação precisa oferecer bolsas para os programas credenciados pelas sociedades de especialidades, porque são elas que têm a melhor condição de definir o que é uma boa atividade prática sob supervisão”, concluiu.

Fotos: Alexandre Diniz