Na última terça-feira, 12 de maio, o coordenador da Comissão de Médicos pelo Meio Ambiente e pelo Clima da Associação Paulista de Medicina, Gilberto Natalini, participou do Podcast dos Comerciários, do Sindicato dos Comerciários de São Paulo. A entrevista foi conduzida pelo presidente da entidade, Ricardo Patah, e o foco da conversa foi a Sala do Clima do Tribunal de Contas do Município de São Paulo, também coordenada por Natalini.
“Nosso convidado foi vereador de São Paulo por várias legislaturas, assessorou e foi secretário da Prefeitura de São Paulo e hoje está lá no Tribunal de Contas do Município, com a Sala Especial sobre o Clima. As gestões que ele exerceu em São Paulo, com brilho e qualidade, sempre tiveram um foco muito importante na sustentabilidade, principalmente em uma cidade como a nossa, que tem tantos desafios”, introduziu Patah.
Natalini explicou que a Sala do Clima do TCM é uma iniciativa inédita, que foi pensada pelo presidente do colegiado, Domingos Dissei, no intuito de analisar o orçamento da cidade pela perspectiva das mudanças climáticas. A ideia surgiu após um seminário sobre cotas públicas e clima, realizado em agosto do ano passado.
“A partir dessa criação da Sala do Clima, o Dissei me convidou para coordená-la. Eu aceitei o desafio e estou lá há aproximadamente dois meses e meio, organizando essa estrutura no Tribunal. É importante dizer que não foi criada nenhuma estrutura nova, tudo que nós montamos era com o que já tinha, então não terá nenhum centavo de despesa. É um orçamento que já existia e foi realocado para fazer esse trabalho”, descreveu.
Plano de trabalho
Segundo o ambientalista, por atuarem com movimentos populares, é preciso ser prático e didático para que as pessoas entendam a mensagem que está sendo transmitida. Por este motivo, foram criados três círculos de trabalho que, no sentido figurado, estão um dentro do outro.
“O círculo menor é o próprio TCM, um trabalho de sustentabilidade que já vinha acontecendo e nós acrescentamos o inventário da emissão de gases de efeito estufa do Tribunal de Contas do Município de São Paulo, em que vamos calcular o quanto ele emite de CO2 por ano e propor um plano para compensar e o TCM ser carbono zero em 2026”, evidenciou.
O segundo círculo é o trabalho com a Prefeitura de São Paulo. “É a parte mais difícil. O prefeito de São Paulo [Ricardo Nunes] criou um projeto chamado Planclima (Plano de Ação Climática do Município de São Paulo), que é um plano para São Paulo se tornar uma cidade carbono zero até 2050. Junto com isso, também foi criado o orçamento climático, que é referente à quantidade de recursos usados para gastar em mitigação e adaptação climática. Junto com os auditores e todo o corpo de funcionários, vamos ver se esse dinheiro está ou não sendo gasto, onde e como. Nossa função é fazer o controle para que a Prefeitura seja vitoriosa.”
E o terceiro círculo, por sua vez, corresponde ao compromisso com a sociedade civil. “É exatamente o que eu estou fazendo aqui, eu vim aqui no seu programa, porque nós temos um projeto. Ontem eu estive na Enel, fui conversar sobre o que eles têm para nos apresentar sobre a questão das árvores de São Paulo e os fios. Também já estive na OAB, então, estamos procurando as instituições. Nós temos que conversar com a sociedade para somar esforços. Ninguém vai fazer nada sozinho, tudo é parceria.”
Concluindo, Natalini demonstrou que o grupo não está encontrando dificuldades operacionais e que tem obtido muita colaboração. “Isso em todas as estruturas, as pessoas estão colaborativas. Agora, o desafio é enorme. Nós estamos lidando com milhares de dados, tanto de questões climáticas e ambientais quanto dados orçamentários. Nós não queremos fazer trabalho de oposição e nem de situação, queremos fazer um trabalho independente e isso vai ajudar o prefeito, a administração, a cidade e a população.”