Na última quarta-feira, 25 de fevereiro, o presidente da Associação Paulista de Medicina, Antonio José Gonçalves, participou do programa Alesp em Pauta, da TV Alesp. Ele discutiu o Fórum Paulista de Ensino e Qualidade na Assistência Médica, evento que ocorre na quinta-feira, dia 26, organizado pela APM em parceria com a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).
Conforme destacou Gonçalves, a APM vem batalhando pela implementação desse exame há muito tempo. Ele reforçou que a abertura desordenada de cursos de Medicina comprometeu gravemente a formação dos profissionais. “O número de vagas, que há 15 anos era de 20 mil, hoje ultrapassa 50 mil. Houve um crescimento sem qualificação, tanto que a primeira edição do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) provocou forte reação, já que das 351 escolas avaliadas, 107 obtiveram notas 1 e 2 — conceitos considerados ruins ou péssimos pelo Ministério da Educação.”
O médico também aproveitou para comentar a reunião realizada com a Associação Médica Brasileira e senadores em Brasília para discutir o futuro do Exame Nacional de Proficiência Médica. Segundo o presidente, houve a proposta para uma composição entre as diferentes partes. “A proficiência é um consenso tanto para o MEC quanto para o Conselho Federal de Medicina (CFM). O que se discute é quem aplicará a prova. Contudo, mais importante do que a autoria do exame é a sua aprovação. Um terço dos 39 mil alunos formados que prestaram o Enamed foi considerado insuficiente. Mesmo sem condições, eles atenderão a população, é um risco enorme e que não podemos permitir.”
Durante a entrevista, Gonçalves criticou a falta de estrutura acadêmica. “Não é possível formar um médico sem um corpo docente qualificado. Saltamos de 200 para 500 escolas médicas em cerca de 12 anos, não houve tempo para preparar professores nem infraestrutura. Não adianta treinar apenas em bonecos, o contato com o paciente e hospitais adequados são fundamentais”, argumentou.
Em relação às notícias recentes sobre erros cometidos e objetos deixados em pacientes durante cirurgias, o presidente defendeu que as denúncias sejam rigorosamente apuradas pelos conselhos de classe. “Esses eventos adversos estão ocorrendo com frequência preocupante, os casos dobraram no último ano no estado. Esse aumento de processos é prejudicial tanto para o paciente quanto para a classe médica.”
O presidente da APM também aproveitou para falar sobre o Fórum Paulista de Ensino de Qualidade, evento que visa fundamentalmente conseguir apoio para a aprovação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina e que irá reunir diferentes autoridades em Saúde e expoentes da classe médica.