Presidente e diretor da APM são entrevistados pelo programa Cidade 360º

Antonio José Gonçalves e Marcos Cabello dos Santos falaram sobre Exame Nacional de Proficiência, Demografia Médica e carreira de Estado

APM na imprensa

Na manhã da última quinta-feira, 18 de dezembro, o presidente e o diretor de Comunicações da Associação Paulista de Medicina, Antonio José Gonçalves e Marcos Cabello dos Santos, respectivamente, foram entrevistados pelo programa Cidade 360º, da Rádio JCNet, de Bauru, para falar de questões pertinentes à Medicina, como Exame Nacional de Proficiência, Demografia Médica e carreira de Estado.

Antonio Gonçalves defendeu que a APM é uma das principais apoiadoras do Projeto de Lei nº 2.294/2024, referente ao Exame de Proficiência. “A Associação Paulista de Medicina recebe com muita alegria esse PL, que foi votado e já está praticamente aprovado. A prova de proficiência na área médica é fundamental, é semelhante ao Exame da Ordem da OAB e coloca que todo graduado em Medicina deve se submeter a uma avaliação para aferir a qualidade de sua formação. Esta já é uma prática corrente em países da Europa e da América do Norte.”

O médico também explicou que, agora, a grande questão acerca do exame é decidir qual órgão será responsável pela sua realização. “Ontem, houve a última votação deste ano. O Exame de Proficiência já passou em primeiro turno na Comissão de Assuntos Sociais do Senado. Ocorre que no projeto do senador Marcos Pontes (PL-SP), está colocado que quem faz a prova é o Conselho Federal de Medicina, porém, o Governo Federal não concorda com isso, este é o ponto que ainda está controverso e houve a colocação de emendas que não foram acatadas pelo relator, que é o senador Hiran Gonçalves (PP-RR).”

Gonçalves salientou que ainda serão necessários mais seis anos até que a prova realmente seja aplicada, já que quem foi aprovado na universidade antes que a Proficiência fosse regulamentada não terá a obrigatoriedade de cumprir a avaliação. “Isso, na nossa concepção, é um absurdo, mas é um direito que eles têm. Então só vai começar a valer seis anos após a promulgação da lei.”

“A Diretoria da APM está ligada à USP, à Unicamp, à Unesp, então, a preocupação não é que seja somente uma prova, mas sim que seja uma maneira de mudar como as novas faculdades estão sendo abertas. Tudo isso aconteceu em um período muito curto, em que não se teve tempo de formar professores. Um aluno de Medicina não pode ser formado a partir de tutores médicos, tem que ter profissionais qualificados, com mestrado e doutorado. É isso o que a gente busca na APM”, complementou Cabello.

Os médicos abordaram a questão do tempo de formação de um médico – que pode levar até 12 anos, caso queiram se dedicar à carreira docente –, fazendo com que seja um processo longo e difícil, mas necessário para que se tenham professores que contribuam para formar médicos de qualidade.

Demografia Médica e Carreira de Estado

Na última semana, a Associação Paulista de Medicina lançou, em parceria com a Faculdade de Medicina da USP e a Secretaria de Estado da Saúde, o estudo Demografia Médica do Estado de São Paulo 2026.

Gonçalves descreveu no que consiste a pesquisa. “Foi no sentido de fazermos um recorte estadual, detalhado, que traça as características, cenários e tendências da população dos médicos no estado de São Paulo. A Demografia surge com o propósito de fornecer evidências científicas para orientar políticas públicas e, com isso, busca aproximar os médicos das necessidades da população e dos serviços existentes, considerando as características sociais, econômicas e sanitárias.”

Cabello relembrou pontos fundamentais do estudo. “Hoje, a Medicina está se tornando feminina, as mulheres representam 52% dos médicos e em 2035 chegarão a 70%, isso vai ter muito impacto no exercício, na prática e no tipo de especialidade médica. Então, esse recorte e essa leitura ajudam o gestor a poder trazer políticas públicas.”

Os entrevistados relembraram que a questão da carreira de Estado é uma bandeira defendida pela APM, a fim de democratizar o acesso da população aos médicos. “Isso não só em nível estadual, mas nacional, para a gente poder distribuir melhor os profissionais. No nosso estado, a concentração de médicos é na grande São Paulo e na região de Campinas, em que há 60% dos nossos profissionais. É uma concentração absurda e existem regiões que, realmente, necessitam da presença de um médico, por meio de uma distribuição mais democrática e regular.”

Concluindo, Marcos Cabello comentou sobre o trabalho realizado pela APM. “Queremos mostrar que a nossa entidade está atenta. Estamos presentes e conversando com todos os players do estado por uma Saúde digna e de qualidade para a nossa população.”

Fotos: Reprodução Cidade 360º