Primeira escola médica do Brasil completa 218 anos de existência

Faculdade de Medicina da Bahia (FMB) formou gerações de médicos, influenciou a história nacional e se consolidou como uma grande referência acadêmica, científica e cultural

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A Faculdade de Medicina da Bahia (FMB) completou na última quarta-feira, 18 de fevereiro, 218 anos. Criada em 1808, ela é considerada a escola de Medicina mais antiga do País. A fundação da instituição marcou o fim da proibição de cursos superiores nas colônias portuguesas, inaugurando de fato o ensino superior no Brasil. Ao longo de mais de dois séculos, a escola formou gerações de médicos, influenciou a história nacional e se consolidou como uma grande referência acadêmica, científica e cultural.

Pouco tempo depois da chegada de Dom João VI à Bahia, em 1808, ele assinou o documento para a criação da Escola de Cirurgia da Bahia, que funcionava no antigo Hospital Real Militar de Salvador. O hospital ocupava o prédio do Colégio dos Jesuítas, construído em 1553 no Terreiro de Jesus, no centro histórico da cidade. Em 1º de abril de 1813, a escola transformou-se em Academia Médico-Cirúrgica e, 19 anos depois, em 3 de outubro de 1832, recebeu o nome de Faculdade de Medicina – que permanece até hoje.

O projeto teve influência decisiva do médico José Correia Picanço, responsável pela organização inicial do ensino. Naquela época, as primeiras aulas focavam em Anatomia e Obstetrícia, com o objetivo de formar cirurgiões e médicos para atender às necessidades de saúde da população.

Em sua longa trajetória, a Faculdade de Medicina da Bahia formou profissionais que atuaram em momentos importantes da história do Brasil, como na Guerra do Paraguai. Entre seus ex-alunos ilustres estão Maria Odília Teixeira, a primeira médica negra formada no Brasil, em 1909; o médico legista e antropólogo Raymundo Nina Rodrigues; e Pirajá da Silva, descobridor do ciclo da esquistossomose mansoni no País. Também se destacam os neurocirurgiões e atuais diretores da Associação Paulista de Medicina, Júlio Leonardo Barbosa Pereira, diretor de Tecnologia de Informação, e Diana Lara Santana, diretora de Serviços aos Associados.

Atualmente, a faculdade mantém uma forte atuação em ensino, pesquisa e extensão, preparando profissionais para diversas áreas e participando de projetos voltados à atenção básica e saúde pública. Um destaque recente foi a criação, em 2024, do Centro Internacional de Estudo e Pesquisa da Saúde da População Negra e Indígena (CIEPNI). O objetivo desse centro é ampliar as pesquisas voltadas a essas populações e comunidades quilombolas, fortalecendo a Ciência e o debate sobre a igualdade no atendimento à Saúde.

Além disso, a faculdade abriga o Memorial da Medicina Brasileira, que preserva acervos históricos, livros e objetos que registram a trajetória da Medicina desde o ano de sua fundação. O patrimônio conta com mais de cinco milhões de páginas de documentos, incluindo teses e pesquisas de várias gerações de cientistas, além de livros raros publicados entre os séculos XVI e XIX.

Fotos: Paulo Rangel