Vida de super-herói

Através de sua criatividade, José Pedro da Silva inovou a área da Cardiologia com o desenvolvimento de novas técnicas

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A Revista da APM continua com a série de homenagens aos renomados profissionais que contribuíram para transformar a história da Medicina no Brasil nos últimos 90 anos. Na edição de outubro, o cardiologista José Pedro da Silva é lembrado pelos seus grandes feitos na área, com a inovação de técnicas e o aprimoramento de procedimentos em pacientes cardíacos.

Ele nasceu no dia 21 de abril de 1947, na Fazenda da Faca, em Pirajuí, município localizado no interior do estado de São Paulo, a 386 quilômetros da capital. Filho de pais camponeses, José Pedro sempre se destacou por ser um aluno dedicado e esforçado. Prova disso foi o seu ingresso, sem cursinho, na Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita (Unesp), em Botucatu.

Durante o período de graduação, para ajudar os pais e conseguir manter suas despesas, ele pintava retratos das jovens debutantes da cidade. A formatura, no ano de 1973, veio acompanhada da residência em cirurgia cardiovascular no Instituto de Assistência Médica ao Servidos Público Estadual (Iamspe) entre 1947 e 1976.

José Pedro também se aprimorou em Cirurgia Torácica e Cardiovascular na Cleveland Clinic Foundation, em Ohio, nos Estados Unidos. Ainda no país, desenvolveu as principais técnicas para cardiopatias congênitas complexas, em Boston, Massachusetts, e realizou uma série de trabalhos em transplantes cardíacos na Universidade de Stanford, na Califórnia.

Grandes feitos
O cardiologista tem como foco de trabalho a doença coronariana, englobando revascularização do miocárdio, transplante cardíaco, anomalia de Ebstein, transposição das grandes artérias e síndrome do coração esquerdo hipoplásico. Através da criatividade e dedicação na área de estudo, foi capaz de elaborar novas técnicas cirúrgicas para pacientes com problemas cardíacos graves.

Exemplo disso foi a invenção do filtro arterial que diminui os riscos de acidente vascular cerebral; o desenvolvimento da técnica da mamária sequencial – antes de a artéria mamária ser considerada o enxerto ideal nas cirurgias coronárias; e a publicação da inovadora técnica cirúrgica para o tratamento da ruptura do septo interventricular, posteriormente utilizada por diversos cirurgiões, se tornando referência em estudos sobre o tema.

O médico foi o primeiro cirurgião cardíaco em toda América Latina a realizar o transplante de coração e pulmões em bloco, obtendo sucesso. Além disso, também foi o responsável por realizar o primeiro transplante de coração heterotópico – com dois corações – do Brasil. Sobre a cirurgia cardíaca em crianças, inovou técnicas, substituindo procedimentos invasivos e corrigindo anomalias.

José Pedro foi ainda o responsável por, na área de cirurgia em congênitos, obter os primeiros resultados positivos para o tratamento de crianças com Síndrome da Hipoplasia do Coração Esquerdo, doença gravíssima em que os pacientes têm funcionamento apenas do lado direito do coração que, até o ano de 1980, não tinha cura.

Área de atuação e vida pessoal
Desde o ano de 1980, José Pedro da Silva é cirurgião vascular do hospital Beneficência Portuguesa, instituição onde foi assistente do professor Euryclides Zerbini e diretor de equipe, em 1984. Atua também nos Hospitais Israelita Albert Einstein, Sírio-Libanês e Alemão Oswaldo Cruz.

Na Universidade de São Paulo (USP), o cardiologista obteve o seu título de doutor em 2008 pela defesa da tese “Nova Técnica Cirúrgica para a Correção da Anomalia de Ebstein: Resultados Imediatos e em Longo Prazo”. Ele possui diversos prêmios e honrarias pelos seus feitos na Cardiologia, entre eles o Prêmio da Academia de Medicina de São Paulo pelo trabalho “Transplante Cardiopulmonar: Experiência Clínica Inicial”.

Conforme José Pedro da Silva diz, “Médicos têm um pouco de super-heróis”. Sua atuação na Medicina é uma comprovação do que diz, ao proporcionar maior qualidade de vida aos seus pacientes. Além disso, é pai de três filhos e, nos poucos momentos em que não está exercendo o seu papel de médico, tem como principais hobbies pintar, jogar xadrez e caminhar na praia.

Matéria publicada na edição 722 (Outubro de 2020) da Revista da APM
Foto: Divulgação