Finalizando as apresentações do “Fórum Médico Jovem, Lideranças e Centros Acadêmicos em Medicina”, realizado no último sábado, 23 de maio, na sede da Associação Paulista de Medicina, a última mesa do dia falou sobre “Movimento Estudantil”. As palestras foram moderadas por Guilherme Marques dos Santos, diretor Executivo da Comissão Especial de Médicos Jovens da APM, e apresentadas por Gabriel Ramos Senise, diretor Geral da mesma Comissão, e Marianne Yumi Nakai, diretora Científica adjunta da entidade.
Senise trouxe ao público a sua experiência à frente da gestão de centros acadêmicos e a importância política dessas instituições representativas. “Existe uma grande ilusão de que o Ministério da Educação (MEC) obrigue as universidades a terem um centro acadêmico, e ele não obriga, não existe nada na legislação, apesar de já haver um tipo de jurisprudência sobre isso. O que existe é a cobrança de instituições avaliativas e o colegiado de ter representantes estudantis. O centro acadêmico é um caminho para ser representante e conseguir negociar com a instituição de ensino superior. Para mim, falar sobre centro acadêmico é falar sobre resistência. Resistir a uma série de pressões que vocês sofrem.”
Ele explicou qual é o passo a passo para construir um centro acadêmico que seja reconhecido legitimamente e evidenciou que a APM fornece os recursos e o apoio necessários para essa finalidade. “A grande questão está em vocês fazerem a correta estratégia operacional. O motivo do nosso fórum é facilitar a vida de vocês. É a nossa forma de fortalecê-los para que indiquem um bom ensino ao nosso lado e da sociedade civil. Foi assim que o SUS foi criado, sistematizado e hoje é um grande sistema de Saúde e é assim que também tem que ser com a Educação.”


Iniciação Científica e Ligas Acadêmicas
Marianne Nakai reforçou que a avalanche de informações que o mundo vive atualmente não é o que contribui para formar bons médicos, uma vez que o conhecimento se caracteriza por ser muito mais multidimensional que isso e engloba o desenvolvimento de habilidades que são construídas apenas com a prática.
Compartilhando sua história pessoal com o tema, a médica relembrou quando reprovou a matéria de bioquímica, no primeiro ano da graduação, e seus colegas de classe aconselharam que ela fizesse uma iniciação científica, já que isso traria um grande significado para o seu currículo. “A iniciação científica te ensina a pensar. Quando participamos de algo assim, percebemos que a Medicina não é matemática, que as respostas das evidências não são certas ou erradas, e que todo resultado pode ser questionado, porque se não puder, ele não é Ciência.”
Marianne também demonstrou que as ligas acadêmicas servem como pequenos laboratórios do mundo real. “É um local protegido, para que vocês possam desenvolver as habilidades que precisarão a vida inteira enquanto médicos, independente do que forem fazer. A liga precisa ser bem-estruturada e o protagonismo dela são os estudantes.”

Debates
O diretor Financeiro da Comissão Especial de Médicos Jovens da APM, Lucas de Brito Costa, foi o relator da mesa e demonstrou a satisfação em ver o engajamento do público com o evento. “É muito importante essa troca e que vocês estejam cada vez mais junto a nós. Precisamos nos empoderar dessas possibilidades de melhorar não só o nosso dia a dia, mas também o de toda a população que nos segue.”
A diretora de Produtos e Serviços aos Associados da APM, Diana Lara Pinto de Santana, também compartilhou a sua experiência pessoal como estudante de Medicina e realçou a importância das ligas acadêmicas para a construção de experiências. “É algo que eu levo até hoje e que eu tenho muito orgulho. A nossa liga de Neurologia da Federal da Bahia já tem mais de 20 anos e fizemos um ambulatório de doenças cerebrovasculares que já atendeu mais de 10 mil pessoas pelo SUS. O legado que fica é além do que você vai construir no seu currículo.”
Amanda Oliva Spaziani, presidente da Associação Paulista de Medicina – Fernandópolis, demonstrou a importância de assumir o protagonismo da história profissional. “É a chance de nos colocarmos à frente de uma entidade e de um grupo de estudantes. Mas não é isso o que nos torna mais relevantes, é aquilo que a gente adquire por meio desse processo. O centro acadêmico é a primeira oportunidade de assumir essa posição de protagonismo dentro da história de vocês. Na liga acadêmica, fazemos uma busca para o nosso crescimento e desenvolvimento pessoal. E na iniciação científica, vocês têm a oportunidade para se tornarem mais críticos.”
Finalizando o debate, Ramiro Colleoni Neto ressaltou a importância de realizar um evento do porte do fórum, exaltando as falas dos colegas e reforçando que seria interessante que o evento se tornasse algo anual. “Sempre gostei muito de participar de associações estudantis, da universidade, da educação médica e de tentar ajudar as sociedades científicas.”




Encerrando as atividades, o diretor adjunto de Previdência e Mutualismo da APM, Clóvis Francisco Constantino, apresentou o relatório final das trocas obtidas pelo evento. “Fará parte do relatório a proposta à Diretoria de que este evento tenha uma sequência anual. Em uma reunião desse tipo todos nós aprendemos, e precisamos aprender cada vez mais, precisamos disseminar o conhecimento adquirido. Levem esse conhecimento para fora, para que nós possamos nos sentir úteis, propondo reuniões desta natureza.”
Fotos: Alexandre Diniz